Edição 114
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O jornalista que acompanhou os fatos e foi ameaçado pelos militares faz revelações

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01 de Sep de 2005
Carlos Mendes, repórter de O Liberak e autor de dezenas de textos sobre o chupa-chupa
Créditos: ARQUIVO UFO

Veja a seguir um pequeno trecho da longa entrevista concedida pelo jornalista Carlos Mendes, de O Liberal, para o espaço Dossiê Amazônia da Revista UFO. Em nossas próximas edições, seu impressionante depoimento será publicado na íntegra.

Como foi o seu contato com o fenômeno chupa-chupa? Foi um contato quase que obrigatório, pois como jornalista eu fui escolhido pelo meu jornal para cobrir esses casos, já que sempre carregava livros e revistas que falavam sobre esse assunto. Sempre tive uma grande curiosidade e principalmente ceticismo com relação a isso.

Durante todas as suas pesquisas na região da Ilha de Colares você teve algum contato com os UFOs? Viu alguma das sondas tão freqüentes na região? Não, infelizmente. Cheguei a participar de uma vigília com o general Alfredo Moacyr Uchôa, que tinha vindo exclusivamente de Brasília e na época era chefe do Centro Nacional de Estudos Ufológicos (CNEU), e uma equipe do Globo Repórter, mas ela foi frustrante. Ficamos horas lá e não vimos nem fotografamos nada de extraordinário. Observamos apenas algumas luzes nas águas, mas como estava muito longe não sabíamos se aquilo era um barco ou sonda. Os repórteres da Globo chegaram a filmar uma luz que se aproximava lentamente da praia, mas o general desanimou a todos dizendo que era apenas um barco.

Você sabe de alguma tentativa de pesquisa ou investigação do fenômeno antes da Operação Prato? Sim. O sargento Nascimento [Nome completo ainda desconhecido] fez um relatório determinado pelo I Comar, mas ele foi considerado insuficiente pelo brigadeiro Protásio Lopes de Oliveira. Os militares que escreveram o documento subestimaram o fenômeno e tentaram caracterizar aquilo como uma histeria coletiva ou alucinações. Era um tanto preconceituoso e retratava as testemunhas de forma pejorativa. Acredito que o Ministério da Aeronáutica, na época, queria que os dados do fenômeno chupa-chupa fossem direcionados às informações que estavam sendo divulgadas na extinta Manchete, de que os russos estavam desenvolvendo uma nova arma de guerra que poderia afetar a hegemonia norte-americana no programa espacial. Eu nunca li essa revista, mas isso consta no relatório feito pelo coronel Uyrangê Hollanda.

Então, desde cedo prevaleceu a intenção de se tirar da cabeça das pessoas a idéia de que aquilo não tinha nada de extraordinário, e que era um ataque de russos? Sim, porque nós vivíamos em 1977, período de intensa repressão. Inclusive, no Pará acontecia a Guerrilha do Araguaia e as Forças Armadas estavam na localidade. Na época, montaram uma operação com 8.000 homens para matar 69 guerrilheiros no sul do Estado. A imprensa do Pará estava sob intensa censura.

A repressão era muito forte. Afinal, vivíamos uma ditadura. Mas mesmo assim acompanhei e publiquei os casos no jornal

Como foi a pressão sofrida pelos jornalistas na época dos fenômenos? Todas as vezes que íamos fazer algum tipo de pesquisa de campo percebíamos que estávamos sendo vigiados. Parecia que os militares fotografavam nossos passos de longe. Eles me conheciam e eu sabia quem eram exatamente. Disseram: “Você é o Carlos Mendes? Nós te conhecemos das manifestações esquerdistas”. Naquela época eu cobria as manifestações, mas era muito difícil devido à repressão. Foi um momento em que muita gente foi presa e torturada.

Você acha que o coronel Hollanda fazia parte da repressão? Ele fazia parte do Serviço Nacional de Informações (SNI), que era ligado ao Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica. (CISA). Todos falavam que o Hollanda não participava diretamente das torturas, mas ele estava em todas as manifestações. Eu não tive acesso aos documentos da época, mas vários cidadãos torturados conheciam o coronel e muitas pessoas ligadas à imprensa tinham medo dele, pavor mesmo.

Quando a Operação Prato acabou foi motivo de frustração para o coronel Hollanda, porque ele foi designado para descobrir ou desmistificar o fenômeno. Na entrevista que ele concedeu a Revista UFO contou que teve um contato com um objeto cilíndrico, às margens do Rio Guajará-Mirim, e estima-se que isso tenha feito a Aeronáutica desistir. Você sabe alguma coisa sobre isso? Bom, pelo que sei, a ordem de encerrar a missão militar veio de Brasília. Eu conheci o brigadeiro Protásio, ele confiava no Hollanda e acreditava em vida inteligente fora da Terra. Era um homem muito culto e ele não ia suspender uma operação sem mais nem menos. Se o coronel relatou o contato que teve e o brigadeiro admitia a existência de seres superiores, acho que, como militar, isso aguçava mais sua curiosidade em determinar que a operação continuasse, não que fosse suspensa. Isso só poderia acontecer caso houvesse uma ordem superior, o que creio que possa ter sido do Comando Superior de Brasília.

A Revista UFO volta a tratar de um tema de grande significado

Já está no ar a Edição 114 da Revista UFO. Aproveite!

Sep de 2005

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