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Entrada para mundos desconhecidos

Por Pedro de Campos | Edição 254 | 01 de Janeiro de 2018

NÃO HÁ
Créditos: RAFAEL AMORIM, EXCLUSIVO PARA A REVISTA UFO

Entrada para mundos desconhecidos

A misteriosa São Tomé das Letras está edificada sobre uma montanha de pedras no sul do estado de Minas Gerais, na borda da Serra da Mantiqueira, em uma elevação de 1.440 m, o que lhe proporciona um clima tropical agradável. A cidade é considerada um dos sete pontos mais energéticos da Terra, oferecendo aos visitantes belezas naturais revestidas de mistérios e interessantes surpresas. Os guias turísticos locais são unânimes ao afirmar que não apenas os que gostam de cachoeiras, de rios e de pedras visitam o local, mas também os que querem conhecer uma geografia exuberante, fazer fotos belíssimas, observar ocorrências ufológicas fantásticas e praticar esportes radicais com motos e bicicletas, deslizar na tirolesa, fazer trilhas, escaladas e descer no rapel com emoção.

A cidade seduz científicos interessados em minérios, ufólogos e espiritualistas que procuram por “energias positivas”, conhecer lendas antigas, a cultura da região e os casos místicos incomuns. Em razão dessas vivências que encantam seus frequentadores, equipes de cinema e televisão procuram São Tomé das Letras para fazerem filmagens e documentários apreciados em todo o mundo. O antigo povoado que originou a cidade teve início quando os bandeirantes paulistas fizeram contato com os ferozes índios cataguases, cujas aldeias eram comuns ao largo da região.

O padre Francisco Alves Torres inaugurou a primeira capela em 23 de março de 1770, ao lado da Gruta São Tomé, formando ali o arraial em que moraram os primeiros civilizados. Então o povoado passou a fazer parte da Vila de São João Del Rei e, em 1785, o colonizador português João Francisco Junqueira mandou construir outra igreja no lugar da antiga capela, hoje a matriz da cidade. Mais tarde, conforme antigo costume, o principal mandatário foi sepultado ali, seguido depois por seu filho, Gabriel Francisco Junqueira, o Barão de Alfenas.

Pedra de São Tomé

A riqueza mineral de São Tomé da Letras fixou ali a extração do quartzito, o que fez a rocha ficar conhecida como Pedra de São Tomé. A história desse minério é de que com o passar das eras geológicas o quartzito se consolidou como rocha, mas continuou sofrendo fenômenos de metamorfose que lhe alteraram a composição original, dando-lhe nova estrutura interna e uma nova forma exterior. Essa rocha vulcânica é composta por grãos de quartzo ligados por um cimento silicioso que com os cristais forma camadas sobrepostas — a rocha não sofre danos com o aquecimento solar, tem alta resistência a produtos químicos e a altas pressões. Para os místicos, é uma rica fonte de energias positivas.

Na maioria das vezes, a rocha é achada em tonalidades claras como a neve e, em menor quantidade, nas cores amarela e rosada. Estudos mostram que o quartzito de São Tomé das Letras é composto essencialmente de 90 a 95% de quartzo. É exportado para a Europa e Ásia, concorrendo com o mármore e o granito em acabamentos de pedra com rara beleza e sofisticação. Contudo, a extração desordenada do mineral destruiu parte das belíssimas colinas da região, marcando suas elevações com enormes manchas brancas, típicas da mineração desenfreada, o que veio embrutecer a paisagem e causar desarmonia ao ambiente, deprimindo a melhor afluência turística.

Origem do nome da cidade

Pelos idos de 1700, havia na região um escravo de nome João Antão, da Fazenda Campo Alegre, propriedade do capitão João Francisco Junqueira. O escravo almejava sua liberdade e fugiu da fazenda, abrigando-se na hoje conhecida Gruta de João Antão. Viveu ali da caça, pesca, de frutas e raízes. Certo dia chegou ao fugitivo um estranho senhor, mas de boa aparência, trajando roupas claras e radiantes. O escravo abriu seu coração ao estranho recém-chegado e contou a ele sua ânsia de viver em liberdade, sem os maus tratos e livre para constituir uma família digna. Então o estranho homem escreveu um bilhete e disse a ele para levá-lo ao seu senhor e contasse tudo o que lhe acontecera para fugir da fazenda.

O escravo não sabia ler nem escrever, mas confiou naquele forasteiro, voltando à fazenda com o bilhete para o capitão Junqueira. Este, surpreso com o retorno do escravo fugido, ficou admirado ao ler a mensagem comovente, escrita no papel com belíssima caligrafia, que ninguém era capaz de fazer na região. O homem quis saber quem havia escrito a mensagem e ouviu a história do fugitivo. Intrigado, ordenou que o levasse ao local, onde estaria o estranho ser. Quando chegaram à gruta, não viram ninguém, mas em um canto havia uma pequena imagem esculpida em madeira, que o capitão, homem muito religioso, identificou como o apóstolo Tomé. Ele levou a estatueta para casa, mas ali ocorreu um fato inesperado — a imagem sumiu.

O padre Nóbrega soube pelos índios tupinambás que duas pessoas, uma das quais se chamava Zomé, lhes haviam ensinado o uso da mandioca. Os avós desses nativos lhes contaram que, com receio desses benfeitores visitantes, os nativos dispararam flechas

Naquela noite, o capitão tivera um sonho e voltou à gruta, e ali encontrou a estatueta no mesmo lugar. Intrigado, pensou que alguém havia levado de volta o ícone religioso. Então tornou a levar a estatueta para casa, mas ela sumiu no dia seguinte. Desconfiado, ele retornou à gruta, e lá estava novamente a estátua. Então compreendeu que ocorrera ali um fenômeno de desaparição e transporte da imagem, chamado hoje de apport pela parapsicologia. Este tipo de teleportação física notável foi estudado com afinco no final do século XIX por vários cientistas, dentre os quais William Crookes, famoso físico-químico britânico, que confirmou cientificamente fatos similares e registrou em seu livro Researches in the Phenomena of Spiritualism [J. Burns, 1874]. O cientista concluiu que tais feitos “sugerem a atuação de uma inteligência externa produzindo os fenômenos”.

O capitão Junqueira, vendo que a estátua queria “ficar” na gruta, mandou construir ali uma singela ermida, ao lado da caverna, para deixar a imagem. E como havia no paredão da cava várias inscrições em tons avermelhados — grafias rupestres, sugestivamente dos índios cataguases —, semelhantes a letras, o estranho caso de João Antão acabou sendo responsável por batizar o local como São Tomé das Letras.

Lenda do visitante

Desde aquela época, as pessoas mais religiosas interpretam que o estranho senhor vestido de branco resplandecente fosse o próprio Thomé Dídimo, apóstolo que chegou a duvidar da materialização de Cristo na chamada ressurreição. Para muitos, antes mesmo do aparecimento da imagem na gruta, o apóstolo Thomé já teria se transladado espiritualmente a terras distantes e interagido com os nativos — motivo pelo qual a nação Cataguás e outras nações indígenas já falavam entre si sobre a Lenda de Sumé, antes da influência religiosa dos primeiros colonizadores que chegaram ao Brasil, no século XVI.

O nome Sumé, entre os índios, segundo os padres, teria se originado da estadia insólita de Thomé apóstolo em terras brasileiras no início da Era Cristã. O nome fora ouvido pelo padre Manuel da Nóbrega e outros religiosos na época do descobrimento. Tais episódios históricos, registrados nas Cartas Jesuíticas I [Itatiaia, 1988], estão revestidos de crença e mistério porque associam o nome “Thomé”, dos portugueses colonizadores, ao “Sumé”, pronunciado pelos nativos. E também como “Zomé” ou “Sumé”.

FONTE: JÚNIOR SANTOS

A pacata São Tomé das Letras é considerada um dos maiores pontos energéticos de todo o mundo

O padre Nóbrega soube pelos índios tupinambás que duas pessoas, uma das quais os índios chamavam Zomé, lhes haviam ensinado o uso da mandioca. Os avós desses nativos lhes contaram que, com receio desses benfeitores visitantes, os nativos dispararam flechas, mas as setas voltaram contra eles, para alvejar quem as havia disparado. De modo incrível, conta-se que a floresta abria caminho para a fuga dos dois visitantes e que nos rios as águas se separavam para lhes dar passagem. Eles acrescentavam ainda que Zomé lhes havia prometido voltar.

Para provar ao padre que falavam a verdade, mostraram as pegadas fossilizadas na beira do rio, ainda hoje existentes, que Nóbrega foi conferir — ele ficara boquiaberto e informou seus superiores na Europa, em carta que hoje é documento da história nacional. Sabe-se também que o nome Zomé é uma corruptela do nome “Zemi”, dos povos indígenas do Caribe, usado para designar divindade, espírito ancestral ou objeto escultural que abriga o poder de um espírito. Os índios do Paraguai chamavam-no de “Pay Sumé”, o pajé sacerdote da tribo.

Bilocação

Aqui cabe uma explicação sobre os fenômenos psíquicos estudados na parapsicologia espiritista. O da bilocação, por exemplo, pertence ao grupo dos fenômenos objetivos, pois o corpo plasmado na ocorrência é visível a todos. Como seria possível o apóstolo Thomé estar presente em terras distantes? Tem-se que a chamada “bilocação” ocorre quando o espírito deixa o seu corpo físico em estado de sono ou apenas de sonolência, emancipa-se dele e projeta-se em outra localidade, sendo que no local distante, usando fluídos especiais, produz para si um simulacro corpóreo de duração limitada — é com tal simulacro que interage com pessoas distantes. Trata-se da presença simultânea do indivíduo em dois lugares diversos ao mesmo tempo.

Assim ocorre a também chamada “bicorporiedade”, na qual o corpo está presente em dois ambientes distintos, sendo notado fisicamente em ambos lugares ao mesmo tempo. No local em que deixara seu corpo físico, é visto parado ou descansando, e onde fora interagir distante, é notado em plena atividade, embora com duração relativa, pois ao acordar do estado sonambúlico aqui, a forma materializada de lá esvanecesse. Trata-se de um desdobramento com materialização à distância, evento relatado pela Igreja na vida dos santos, realizado por espíritos notáveis, que se acredita essencialmente puros.

Em termos psicobiofísicos, seria possível ao apóstolo Thomé realizar tal feito enquanto encarnado. E se estivesse desencarnado, poderia fazê-lo mais facilmente com outros fluídos e por tempo mais estendido de materialização para interagir com os índios, o que se encaixaria melhor ao caso. Nestes termos, em teoria, seria possível a Thomé fazer-se Sumé. Contudo, há chance também de não se tratar de espírito encarnado na Terra nem de falecido do mundo espiritual que voltara, mas de um ser alienígena que aqui aportara com seu engenho voador, fizera contato e ensinara aos índios práticas benéficas e inovadoras — tal hipótese também é teoricamente possível. Assim, o que temos no Caso Thomé são apenas possibilidades e o fato de que os padres, em trabalho de catequese, escutaram dos índios que Sumé estivera com eles e que lhes ensinara coisas úteis. Quem seria de fato tal entidade é impossível dizer.

Sumiço de criança

Cerca de um século e meio já havia passado desde o caso do escravo Antão quando ocorreu um novo fenômeno intrigante em São Tomé das Letras. Quem conta os acontecimentos e dá uma contribuição inestimável à memória da cidade é o historiador Oriental Luiz Noronha, o “Tatá”. Ele narra que os descendentes do antigo capitão Junqueira moravam então em um pequeno sítio. José Francisco de Góes Gonçalves, um desertor da Guerra do Paraguai, e Ana Cândida Junqueira de Jesus, filha natural de um fazendeiro da família Junqueira, mulata não muito escura, bonita e de cabelos lisos, foram os pais de Francisco de Góes Gonçalves, conhecido depois como “Chico Taquara”, figura que teve um nascimento intrigante.

Conta-se que corria o ano de 1840 em um lugar chamado Cainana — nome de uma raiz ou cipó usado pelos índios para curar mordidas de cobra —, quando aconteceu essa história cheia de mistério. Ana estava gestante, quase para dar à luz, quando após discutir com o marido alcoolizado e ser ameaçada de apanhar, refugiou-se em uma caverna da região. Nesse local isolado ela foi acolhida por seres luminosos que a levaram para uma “cidade ultrafísica”, em outra dimensão do espaço temporal. Ali foi adormecida e quando acordou do sono induzido estava sem barriga — as entidades lhe fizeram o parto, deram-lhe roupas novas e trataram da sua recuperação. Ana voltou para casa, mas chegou sem o filho que lhe havia nascido.

Ele se fazia acompanhar por abelhas e outros insetos, pois costumava untar os cabelos com cera de abelhas. Sua casa era uma gruta próxima à cidade, onde estivera sua mãe grávida quando fora acolhida pelas entidades luminosas e dera-lhe à luz

Quando José Francisco a viu, estranhou sua boa aparência, sem barriga e com roupas novas. Escutou a fantástica história sobre os seres luminosos, sobre a tal cidade em que fora dar à luz e sobre a criança nascida que ficara ali para ser criada pelos seres enigmáticos. Ele, inconsolável, reclamou o sumiço do filho, que havia ficado aos cuidados de seres luminosos. Curiosamente, José Francisco nunca mais bebeu, os anos passaram e uns 25 anos depois apareceu na propriedade o filho do casal, que foi chamado por eles de “Chico, o Taquara”. Mas o rapaz não disse aos pais quem era, apenas os ajudou na colheita de milho — José Francisco morreu em seguida, sem saber que Chico era seu filho. O jovem se mostrou logo uma pessoa inigualável em qualidades e bondade. Não passou muito e ficou conhecido ali pelas curas extraordinárias que operava e por outros eventos fantásticos que o cercavam.

A vida de Chico Taquara

A aparência de Chico Taquara, conforme contada pelos antigos, era de um homem bonito, alto, branco, de olhos azuis muito claros, barba e cabelos compridos, em cujas pontas havia argolas de ferro penduradas. Curiosamente, ele conversava com os animais e, quando batia a mão nos ombros, ou palmas, os passarinhos pousavam em seus ombros ou em sua cabeça. Conta-se que ele andava pelo povoado levando cinco vacas e cinco bezerros mestiços, e que antes de entrar em algum estabelecimento riscava um círculo no chão, de onde os animais, curiosamente, não saíam. Por vezes, Chico se fazia acompanhar por abelhas e outros insetos, pois costumava untar os cabelos com cera de abelhas. Narra-se que sua casa era uma gruta próxima à cidade, onde estivera sua mãe grávida quando fora acolhida pelas entidades luminosas e dera-lhe à luz. Era um homem cheio de virtudes, tendo feito ali muitas proezas beneficentes, em especial curas extraordinárias.

Fala-se de maneira intrigante que o sitiante Pedro Garcia Ferreira, da cidade de Cruzília, fora picado por uma cascavel. Sem recursos de soro antiofídico na pequena cidade, o homem foi procurar por Chico Taquara, que benzeu sua perna e fez uma oração estranha, mas disse que, para a prece ter efeito, o homem teria de passar a pé pela porteira da fazenda. O enfermo foi então levado por dois amigos, mas ao passar pela porteira foi picado por outra cobra. O desespero lhe possuiu e ele pensou que fosse morrer. Uns dias depois, o homem foi ao médico em Baependi, cidade com mais recursos, que examinou as feridas e disse que as duas estavam regredindo, porque a picada da segunda cobra produzira o efeito antiofídico, cujo soro estava em falta naquela cidade e em outras vizinhas. Enfim, o fazendeiro ficou curado com a indicação de Chico Taquara.

Fonte: TIAGO BELMONT

Rua e casas de pedra quartzito ainda intactos na cidade de São Tomé das Letras, fazendo parte de sua tradição

Outro caso contado por Tatá, que também é narrado pelos falecidos Altamiro Rosa, antigo morador na Fazenda Lagoa, e por João Francisco de Souza, o “João Cota”, morador de uma fazenda na beira da estrada a caminho do Sobradinho, é o da esposa do sitiante Joaquim Oliveira, que estava para dar à luz de seu terceiro filho. Quando a senhora começou a entrar em trabalho de parto, o desespero tomou conta de seu marido, pois notou que a criança iria nascer pelos pés — o socorro teria de ser urgente. Naquele local ermo, o marido não viu outra saída senão rezar. Em prece, lembrou-se de Chico Taquara e não teve dúvida: pegou seu cavalo e saiu em disparada até a gruta onde morava o benfeitor, pois era longe do sítio. Ao chegar, Chico já estava esperando na entrada da gruta, dando mostras de já saber o que se passava.

O vidente atendeu o homem, mas lhe disse com muita segurança e paz interior para voltar para casa, que ele já estava indo. O marido contrariado voltou a galope para acudir a mulher. Ao avistar sua casa ao longe, estranhou a fumaça da chaminé — pensou na hora em quem poderia estar usando o fogão, se ali só havia a esposa acamada. Imaginou que talvez fosse seu filho mais velho que, apesar de trabalhar em uma roça distante e só chegar ao anoitecer, naquele dia poderia ter voltado mais cedo. Ao entrar em casa, Joaquim viu Ana de pé à beira do fogão esquentando um tacho de água. E no quarto havia um recém-nascido chorando no berço e esfregando os pezinhos. “Graças a Deus”, exclamou o homem. “Chamei Chico Taquara sem necessidade”. Mas a mulher, cheia de felicidade, o repeliu: “Como? Faz apenas uns minutos que Chico saiu daqui, após fazer o parto”.

Foto e Toca de Chico Taquara

Chico Taquara era do tempo da escravidão, atendia muitas pessoas sofridas e andava por toda a região. Gostava de subir no alto da montanha e por vezes se sentava nas pedras altas e meditava longamente, em profundo silêncio. Outras vezes ajoelhava-se e ficava em prece. Mas certo dia, de repente, sem qualquer explicação, ele simplesmente desapareceu e ninguém mais o viu. Há quem creia que tenha sido devorado pelas onças que haviam da região. Já outros acham que simplesmente teria retornado ao seu povo, seu verdadeiro mundo, porque sua missão havia terminado.

O fato é que em 1926, aos 86 anos, Francisco de Góes Gonçalves, o Chico Taquara, simplesmente desapareceu de São Tomé das Letras — ninguém jamais soube o seu paradeiro e o seu copo jamais foi encontrado. Conta-se que o enigmático vidente era uma dessas entidades que entram no nosso mundo tridimensional pelo portal da gruta e, por essa mesma brecha dimensional, na saída, alcança mundos desconhecidos, dada sua condição especial.

A foto dessa pessoa incomum, uma raridade de 1923, era propriedade do senhor Manoel Galiano Pereira (o moço mais novo, ao lado de Chico na foto), que a dera de presente a Oriental Luiz Noronha, o “Tatá”. Este, por sua vez, quando recebeu em sua casa o amigo escritor Vitor Manuel Adrião, presenteou-lhe a foto para estampar em seu livro, e o escritor efetivamente assim o fez em História Secreta do Brasil [Madras, 2004], tendo registrado na edição o crédito da foto a Tatá.

Testemunhas relatam que seres em naves sobrevoam São Tomé das Letras, fazem contato com a população e há casos até de abdução. Os avistamentos com contatos telepáticos são inúmeros e as entidades dizem às testemunhas que são extraterrestres

 

O local onde viveu Chico é conhecido como Toca de Chico Taquara e a caverna onde dormia se chama Gruta Rasa de Chico Taquara, as duas a 4 km do centro de São Tomé das Letras, em um descampado onde se eleva uma plataforma de arenito com 8 m de extensão por 2,5 m de altura, oferecendo uma marquise natural para abrigo. Impressionam na Toca as sinalações rupestres muito antigas, a mais ou menos 2,2 m de altura, onde se vê um grupo de pinturas em vermelho, já muito alteradas.

O grafismo mostra uma figura incompleta, semelhante à pena de ave, tendo abaixo, sugestivamente, um pássaro voando. Pouco à esquerda nota-se uma serpente com duas outras mais abaixo, ambas interligadas por linhas diagonais paralelas, como se a serpente maior estivesse dando cria. Três outros grafismos são representações de difícil identificação, sugerindo bioformas indistintas. Finalmente, a última sinalização à esquerda sugere uma maritaca comum do local, virando a cabeça para alcançar com o bico um inseto voador. Nesse local incomum, o vidente passou a maior parte de sua vida.

Gruta do Carimbado

A Gruta do Carimbado, por sua vez, é local em São Tomé das Letras que sensibiliza os aficionados por Ufologia. Ela está situada a uns 5 km da cidade. Tem-se que haja nela uma porta de entrada para o que se acredita ser uma civilização intraterrena, um portal por onde passam seres que atravessam as barreiras físicas e adentram ao interior das montanhas, enveredando-a até a cidade de Machu Picchu, no Peru, a 4.000 km de distância, onde saem por outro portal e dali alcançariam outros céus. Mas é dito ser inútil enveredar no fundo dessa caverna para buscar o final do caminho — quem adentrou, chegou a percorrer nela 100 m sem achar o fim. A quem exagere falando em 15 km. A cada passo o percurso fica mais difícil, as passagens mais estreitas e o ar irrespirável, constituindo risco à vida. É dado que a verdadeira entrada seja outra — uma porta dimensional que exige a conversão da matéria em energia e vice-versa, para entrada imediata e saída distante, como as que seriam realizadas pelos seres ultraterrestres notados ali.

Não são poucos os visitantes da gruta que afirmam sentir uma vigorosa energia quando fecham os olhos e tentam visualizar um portal magnificamente luminoso, que reflete luzes de vários matizes, sons indizíveis e música suave, capaz de levar o corpo e a alma a um transporte por fora do nosso espaço temporal. Fala-se que por ali se acessa uma localidade não física, indescritível ao senso concreto, longínqua e ao mesmo tempo de acesso quase imediato, como se estivesse apenas em uma lateralidade sem distância.

A gruta já foi muita frequentada no passado, mas houve grande degradação do ambiente, excessos de toda ordem e perigos que se tornaram ainda maiores, obrigando as autoridades a proibir o acesso, vedando a entrada. A Gruta de Chico Taquara fica perto da do Carimbado, em caminho relativamente difícil de ser achado, por ficar meio escondido nos arbustos.

Contato inesquecível

Inúmeras testemunhas relatam que seres em naves alienígenas sobrevoam São Tomé das Letras, fazem contato com a população e há casos, inclusive, de abdução — os avistamentos com contatos telepáticos são inúmeros. Segundo contam, as próprias entidades dizem às testemunhas que são oriundas de mundos extraterrestres. Falam que procuram por pessoas espiritualizadas, porque haveria nelas mais capacidade de comunicação, mais propensão ao contato e capacidade de repassar informações sem distorcê-las.

Há também uns poucos relatos de que haveria ali seres vindos de planetas distantes, impossíveis de serem alcançados com a nossa tecnologia atual, mas que o homem haverá de superar tal estágio de conhecimento e alcançar um grau científico hoje apenas imaginado como mera ficção. O morador e guia de turismo Júlio César Souza Mendes, da cidade, conta ainda intrigado uma de suas estranhas experiências: “Foi em 21 de junho de 1991, por volta das 06:00. Eu estava no bairro Cruzeiro, onde passei a noite em vigília observando os céus. Tinha sido uma noite de intensa atividade ufológica, com pequenas sondas cruzando os céus da cidade”.

Souza Mendes explica que a madrugada era fria, mas os avistamentos seguiam quentes. Até que surgiu ao longe algo estranho, que parecia vir rolando no ar. Então apareceu uma luz no vale, em uma estradinha de terra. Ele conta: “Cheguei a pensar em caminhão, até que a luz saiu da estrada e passou por cima da mata. Então não poderia ser um veículo terrestre. Ela foi deslizando devagar sobre a encosta da colina onde está a cidade e depois subiu até perto da Pedra da Bruxa. Na borda dessa elevação, o UFO contornou a uns 20 m de distância de onde eu estava. Foi quando pude ver que era uma nave em forma de disco voador, como dois pratos um de boca para o outro”.

Fonte: ORIENTAL LUIZ NORONHA

Esta seria a única imagem existente do estranho Chico Taquara, uma relíquia datada de 1923 recentemente encontrada em São Tomé das Letras

Ele se recorda de que no meio do objeto havia um cinturão de luz e, mais para cima, uma cúpula também translúcida — mas a luz não saía, parecia contida dentro do objeto. De repente, lá em cima, o objeto deitou um pouco e viajou de lado, inclinando para baixo, como se quisesse ver melhor o solo. “Aquilo veio em minha direção e aí meu coração acelerou. Mas logo fiquei calmo e deu para ver dentro, pois estava todo iluminado. Um ser de aparência absolutamente humana, ligeiramente moreno, de cabelos pretos, curtos e feição serena, observava tudo de pé, dando para ver seu rosto a meio busto. Ele trajava uma vestimenta de cor prata, justa ao corpo”.

A nave passou acima de Souza Mendes. Deu para ver sua parte inferior, onde havia um bojo arredondado projetando luz alaranjada de uma parte e violeta de outra. Ele notou também um som muito baixo, como o de um transformador elétrico. A fuselagem da nave, aclarada pela sua própria luz, era de uma espécie de alumínio fosco. O objeto seguiu o seu caminho e desapareceu à longa distância.

Uma inusitada experiência

Júlio César Souza Mendes relata ainda que em 1994, por volta das 05h30, ele já estava cansado da longa vigília que fizera com algumas pessoas e voltava para casa, quando teve o impulso inusitado de escalar a Pedra do Leão. Quando se deu conta, já estava lá em cima. “Seria dificílimo e até mesmo quase impossível escalar a Pedra do Leão sem material para isso, mas de repente eu estava lá em cima”, contou.

Estando no topo, sentou-se e sentiu em seguida um estranho torpor, caindo em sono pesado, pouco antes do amanhecer, em cima daquela pedra alta. Então sonhou com seres de corpo volumoso, pele lisa e suave, de coloração ligeiramente rosada. “As criaturas tinham cerca de um metro de altura, ou pouco mais, e vestiam batas de coloração marrom, puxando para o lilás. A cabeça era grande e redonda, com olhos, boca e nariz muito singelos, como se fossem apenas riscados”, explicou.

Então o homem percebeu que estava sentado em uma espécie de mesa e que os seres estavam “mexendo” nele. Cerca de meia hora depois, acordou assustado. O Sol já havia nascido. “Foi difícil entender como não caí daquela pedra e perdi a vida”, exclamou. De fato, qualquer pessoa que durma ou relaxe na Pedra do Leão pode cair, dada sua forte inclinação para frente — é preciso atenção constante para manter ali o equilíbrio.

No dia seguinte, Souza Mendes colocou a mão na orelha direita e notou que não escutava daquele ouvido. Depois, ficou surdo do outro. Preocupado, foi ao médico e o especialista considerou excesso de cera, fazendo uma lavagem. Para surpresa de ambos, caiu na bandeja do médico algo metálico, com som característico. “Era um pequeno objeto cilíndrico, com cerca de um centímetro, e no do centro dele havia um filamento que parecia enraizar no organismo”, explicou. De modo instintivo, o otorrino saiu rapidamente com a bandeja e ambos consideraram o benefício da retirada do corpo estranho.

Somente depois, pensando na vigília que fizera à noite, na subida àquela rocha perigosa, no torpor que sentira lá em cima, nas criaturas de fisionomia estranha, na mesa em que fora colocado, nos seres que mexiam em seu corpo e no objeto tirado de seu ouvido depois, pelo otorrino, Souza Mendes considerou a chance de abdução e implante em seu organismo.

Mundos desconhecidos

O que haveria de tão especial em São Tomé das Letras e regiões circunvizinhas para tantas ocorrências místicas e eventos ufológicos não se sabe com certeza. Para muitos, em especial aos espiritualistas, em razão das manifestações e contatos já testemunhados, haveria no subsolo de São Tomé das Letras algum mineral de proporções enormes, composto de energias que seriam extraídas por seres alienígenas de pelo menos duas origens. No primeiro caso estariam astronautas de mundos tridimensionais distantes, que usariam tais energias em suas viagens incompreensíveis para nós do ponto de vista científico.

E no outro caso estariam entidades ultrafísicas de corpos formados por um plasma de energia, postados em uma esfera dimensional diferente da nossa, talvez apenas uma lateralidade menos material ou uma oitava além da solidez da matéria, cuja elasticidade do plasma provocaria insights de adensamento, manifestações de luz e sensibilidade física por coalescência do plasma manipulado. Quem sabe um dia, talvez, possamos contatar oficialmente tais astronautas ou entidades para termos informações objetivas que nos ajudem a entender o que se passa nesses mundos desconhecidos, que por agora se acham muito além do nosso alcance científico.

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Sobre o Autor

Pedro de Campos

Casado e pai de três filhos, Pedro de Campos nasceu em 1950, na capital paulista. Formado em mecânica e telecomunicações, trabalhou por 25 anos na Olivetti do Brasil. Como administrador de empresas, esteve no comando do planejamento industrial da empresa. Trabalhou dois anos na Itália chefiando a qualidade e transferindo para o Brasil tecnologia para transmissão de dados via satélite. Campos teve contato com o Espiritismo por intermédio de sua mãe, que cursou a Federação Espírita de São Paulo e fundou o Centro Espírita Ana Belhunas, em 1963. Começou a participar de sessões espíritas aos 13 anos, e no decorrer dos tempos desenvolveu mediunidade e recebeu treinamento, tornando-se um pensador espírita.

Psicografou o consagrado livro Colônia Capella: A Outra Face de Adão [2002], do autor espiritual Yehoshua ben Nun, e foi contratado pela Lúmen Editorial para lançar seus livros por essa editora. Participou de pesquisas e vigílias ufológicas e iniciou a coleção Uma Visão Espírita da Ufologia, inédita, com o livro Universo Profundo: Seres Inteligentes e Luzes no Céu [2003], do espírito Erasto. E foi continuá-la no livro UFO: Fenômeno de Contato [2005], sobre a pluralidade dos mundos habitados e seres ultraterrestres. Prosseguiu com Um Vermelho Encarnado no Céu [2006], em que mostrou os acontecimentos vividos por pessoas que tiveram contato com UFOs, inclusive ele próprio, com destaque ao estudo de ETs sólidos e à primeira sessão de “desabdução”.

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