Edição 129
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Cheios de dúvidas e com medo do futuro, muitos preferem um profeta da era espacial

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01 de Jan de 2007
Não se questiona a existência dos UFOs nem sua origem extraterrestre, mas sim as previsões
Créditos: philipe kling david

A possibilidade real de um contato entre os habitantes do planeta Terra e seres extraterrestres sempre foi objeto de grande especulação na Ufologia. Apesar das evidências físicas e espirituais do Fenômeno UFO apontarem para um processo contínuo e gradual da aproximação de ETs do nosso planeta – numa relação inteligente e cautelosa, em que “eles” estariam acompanhando a capacidade humana de se relacionar entre si e com os outros seres vivos – é comum surgirem pessoas que se apresentam como intermediadores privilegiados desse contato. Pessoas que, valendo-se da credulidade popular, divulgam mensagens contundentes para o povo da Terra, supostamente oriundas dos habitantes das estrelas.

Fora a evidente contradição que esse discurso sugere, se comparado de maneira realista com a casuística ufológica conhecida, a primeira coisa que devemos nos perguntar quando aparecem esses fantásticos vaticínios é qual a motivação que se esconde por trás das supostas palavras divinas ou superiores? Se ignorarmos os possíveis benefícios financeiros e a fama que podem ser adquiridos pelos “profetas da Nova Era” – que não parecem ser os objetivos de Rogério de Almeida Freitas, o Jan Val Ellam – e levarmos em conta a enorme repercussão positiva que este tipo de conduta costuma ter entre as pessoas, fica uma grande dúvida no ar: para que, afinal, servem essas vozes vindas dos céus? Por que tanta gente precisa de um líder portador da “verdade definitiva” sobre os extraterrestres e suas interações com nossa civilização?

Para a surpresa de alguns, não é tão difícil assim encontrar algumas prováveis respostas. Se olharmos para a crescente tensão entre as pessoas, tanto no trato individual quanto no coletivo, a crescente onda de crises e dramas pessoais e as infindáveis e acirradas guerras e conflitos entre os países, encontraremos muitas fortes justificativas para a necessidade de se procurar “salvadores escolhidos” e ouvir seus benfazejos vaticínios. O clima de insegurança que nossa civilização tem vivido, ao se voltar contra si mesma, traz a clara anunciação de seu destino pouco promissor. Cataclismos nucleares, misérias físicas e espirituais seguidas de muito sofrimento e desesperança são indícios óbvios de que não conseguimos viver bem com nossas próprias escolhas e com nossos semelhantes.

Existência de Deus segundo os homens — Então, diante de um quadro tão desanimador – e se está mesmo decretada a incompetência humana em garantir seu próprio destino –, qual seria a solução para os habitantes deste nosso Planeta Azul? Se não conseguimos encontrar as respostas na Terra, estariam elas no céu, talvez perdidas entre as estrelas ou projetadas no colorido dos mitos de deuses poderosos o suficiente para virem até aqui corrigir os erros que nós, humanos, insistimos em cometer? De fato, a necessidade de segurança e proteção que todo ser humano sente é forte candidata para explicar a idéia de semi-deuses extraterrestres e suas mensagens inusitadas. Mas ainda existe mais, bem mais do que isso a ser considerado.

Pesquisando a literatura sobre profetas e a necessidade que sentimos de tê-los em nossas vidas, encontrei muitas explicações para eles ligadas à religiosidade ou à doutrinas religiosas – e uma delas, considerada primordial, é também excepcionalmente esclarecedora: “Os profetas existem porque há a necessidade de se lembrar às pessoas da existência de Deus”. Pura e simplesmente. Ou seja, o ser humano, na sua condição de habitante cósmico da eternidade, não tem capacidade de conviver com a dúvida. Entre a histórica dificuldade de se encontrar respostas para as questões mais básicas da existência – quem somos, de onde viemos e para onde vamos – e a limitada capacidade de captar as sutilezas do universo que nos cerca, muitos de nós preferem partir para a subordinação mental e se deixam levar por dogmas para aliviar a pungência que lhes incomoda.

Mais ainda, preferem abandonar a sua capacidade de inteligência e raciocínio – estas sim oferecidas gratuitamente pelo Criador – e partir para a subserviência a conceitos criados por terceiros, geralmente “mensageiros divinos” tão incertos e perdidos quanto eles mesmos. Fecham os olhos para a incrível e magnânima grandeza da organização natural que nos cerca, em favor de mitos e alucinações, sedentos de satisfação fácil para as dúvidas oriundas da condição humana. São as mesmas inquietações que deveriam nos servir de estímulo, em vez de estimularem nossas limitações, e que todos deveríamos ter a obrigação de trabalhar, individual e coletivamente, na constante busca por um bem maior e uma melhor condição para todos os indivíduos deste planeta.

Os profetas e a Ufologia — Assim, traduzida e incorporada pela Ufologia, esta fraqueza humana pode ser facilmente detectada nas mais diversas seitas ufológicas e, particularmente, em seus seguidores e nas mensagens dos contatados. Diante do incerto e duvidoso, os cidadãos da Era Espacial se lançam vorazmente na direção do mito dos extraterrestres e projetam nele toda sua “carência afetiva cósmica”. Assim, ao longo da história, nos vemos esperando ora seres de Vênus, como na década de 50, ora de Alfa Centauro, como nos anos 60 e 70. Mais recentemente, passamos a aguardar a chegada de criaturas de estrelas distantes e ligadas a outras insondáveis dimensões, além de alimentarmos a idéia de que habitantes de outros orbes estão nos observando. Para o bem ou para o mal, espreitariam nossos atos e, dependendo do gosto do freguês, estariam a postos para nos dominar ou nos salvar a qualquer momento.

Assim, tremendo de medo e vítimas indefesas de uma condição inferior, os perdidos seres humanos clamariam por uma intervenção divina ou extraterrestre, quer na forma de anjos ou demônios enviados à Terra travestidos de viajantes cósmicos, algo que sempre haverá alguém para dizer que acontecerá em breve e será para decidir o nosso destino. Tudo isso pode parecer ridículo, se colocado dessa maneira, mas é o que acontece quando nos defrontamos com tais profecias cósmicas. Em vez de abrirem nossos olhos para as capacidades latentes de transformação e reconstrução individual e coletiva, de incentivarem as pessoas a agirem com as próprias mãos e realizarem em si mesmas as mudanças que reclamam para o mundo, as palavras dos profetas incitam os cidadãos da Nova Era a repudiar suas próprias responsabilidades e transferi-las para forças externas. E nos fazem pensar que, independentemente de agirem nesta ou em outra alegada dimensão paralela, tais forças externas terão inevitavelmente a palavra final sobre nossos míseros problemas.

Contradições de Jan Val Ellam — Ou seja, de nada adianta o esforço, o trabalho e o sofrimento de mais de 4 mil anos de existência de nossa civilização, pois, segundo as profecias apresentadas, não temos controle sobre nosso próprio destino! Mais ainda: ignorando a responsabilidade que todo ser vivo tem com a própria vida e suas múltiplas manifestações no universo, os neo-religiosos aguardam o amparo dos “irmãos cósmicos”, para que façam o que nós, terráqueos, deveríamos fazer, que é estabelecer a ordem e a prosperidade em nosso planeta. Isto posto, é desnecessário desenvolver mais raciocínio sobre a quantidade de engano e ilusão que estão contidos numa visão tão pobre da existência humana.

E mesmo negando a postura descrita acima nas diversas declarações que fez durante sua polêmica entrevista à Revista UFO, publicada na edição 126, o suposto profeta Rogério Val Ellam – se me permitem os leitores tentar simplificar a identidade do escritor espiritualista Rogério de Almeida Freitas, fundindo-a com a de seu pseudônimo literário Jan Val Ellam – envereda por caminhos que correspondem exatamente à atitude de “mensageiro divino” e salvador do planeta, ratificando tudo o que foi dito nos parágrafos anteriores. Vejamos as evidências disso analisando algumas de suas declarações.

Em certo ponto de sua entrevista, ele diz: “Não peço que creiam em mim, mas peço que reflitam sobre o que estou falando. E se o estou fazendo é porque julgo tratar-se de revelações que me foram narradas por aqueles que muitos de nós chamam de ‘irmãos cósmicos’ ”. Para começar a comentar esta afirmação, encontramos Ellam se apresentando como o dono de uma suposta “verdade cósmica”. Com toda a clareza e pelas suas próprias palavras. Se está trazendo as revelações definitivas enviadas pelos aludidos irmãos cósmicos, o que mais ele poderia ser? E apesar de iniciar seu discurso com uma figura de retórica, destinada a suavizar uma postura mais prepotente, é óbvio que o entrevistado acredita piamente no que diz. E tal certeza é transmitida com clareza durante toda a matéria, até mesmo nos momentos em que, estrategicamente, ele inclui uma certa dose de incerteza as suas previsões.

Noutro momento do texto, diz Ellam: “Ao ser humano falta conhecimento do seu próprio passado e humildade suficiente para compreender coisas mínimas que nos acontecem desde os nossos primórdios”. Sem dúvida. Nossa ignorância sobre nós mesmos é imensa e várias pessoas se utilizam dos conhecimentos científicos estabelecidos para justificar atitudes prepotentes e achincalhar possibilidades alternativas de conhecimento. Entretanto, não seria isso parte de um processo evolutivo em andamento? Se na Antigüidade, não tão distante assim, os soberanos e a própria Igreja Católica, falando em nome de Jesus, invocavam supostos poderes divinos para justificar a defesa de seus interesses e opiniões, não seria alguma melhoria utilizarmos o conhecimento adquirido com o esforço e o exercício da razão, como alicerce para novas conquistas, explicações da realidade e projetos de futuro? O problema aqui está não no uso do método científico ou dos conhecimentos acumulados, mas no monopólio da razão por uns poucos “escolhidos”. E é exatamente isso o que Ellam faz ao apresentar uma suposta verdade, que exclui totalmente as muitas conquistas humanas e coloca os poderes extraterrestres como definitivos e decisivos para a evolução deste planeta.

crédito: don dixon
 Ainda não foi desta vez, como propôs Ellam, que a humanidade conheceu outros planetas habitados no universo
Ainda não foi desta vez, como propôs Ellam, que a humanidade conheceu outros planetas habitados no universo

Primazia sobre outros mortais — Mais adiante, em sua entrevista, diz o espiritualista: “Nunca quis nem quero aparecer, e trabalho para divulgar informações que recebo por julgá-las importantes para muitas pessoas”. Tal colocação soa um pouco contraditória, dada a quantidade de palestras e o nível de exposição que Ellam acumulou na Comunidade Ufológica Brasileira. Mas não é isto o que se pretende comentar quanto a esta afirmação, mas sim que parece estranho que somente ele, entre milhares – talvez milhões? – de médiuns ativos no planeta, tenha sido o escolhido para divulgar uma notícia que afeta toda a humanidade. Simplesmente, isso não faz sentido. Será que Ellam tem um nível espiritual tão elevado que justificaria sua primazia sobre todos os outros humildes mortais?

Uma triste visão da humanidade — Em um ponto seguinte de sua entrevista, o entrevistado diz: “Tive – e ainda tenho – algumas oportunidades de conviver diretamente com seres pertencentes a outras humanidades celestes desde o ano de 1999. Até então, tudo o que fazia a pedido deles funcionava como produto direto de intercâmbio mediúnico, telepatia, canalização, como queiramos chamar”. Novamente, a mesma questão: seria Jan Val Ellam o único ser humano capaz de intermediar um aludido contato oficial e definitivo com seres de outros planetas? Não parece uma coisa estranha que, dos 6 bilhões de habitantes da Terra, somente uma pessoa reúna as qualidades necessárias para interagir com seres extraterrestres neste nível? Aliás, se é assim, o que é que eles virão fazer aqui, então, caso se considere como certa a previsão do entrevistado?

Ele também nos surpreende quando pergunta “quem, afinal, vai querer se meter entre os prisioneiros de um perigoso ‘planeta prisão’?”. E nos surpreende com a informações de que, “sob a perspectiva cósmica, os que vivem na Terra são uma espécie de criminosos enlouquecidos”. Tanto na pergunta quanto na afirmação Ellam nos oferece uma pista para entendermos suas declarações anteriores: ninguém neste planeta valeria à pena, exceto, talvez, alguns poucos escolhidos. Seríamos todos seres degenerados à espera de um salvador que virá nos redimir. Ora, este é um filme que nós já vimos várias vezes. E o entrevistado continua a mostrar nossa terrível natureza, quando diz que “não existem bonzinhos na Terra. Somos todos ‘farinha do mesmo saco’, já que possuímos, em algum grau, o germe da incapacidade de amar o próximo, além do nosso conturbado comportamento e dos diversos níveis de loucura que vitima a espécie Homo sapiens”.

Em vez de abrirem nossos olhos para as capacidades latentes de transformação e reconstrução individual e coletiva, de incentivarem as pessoas a agirem com as próprias mãos e realizarem em si mesmas as mudanças que reclamam para o mundo, as palavras dos profetas incitam os cidadãos da Nova Era a repudiar suas próprias responsabilidades e transferi-las para forças externas

Esta talvez seja uma das visões mais triste que ele apresenta da humanidade. Mas, em vez de incentivar nossas capacidades positivas e criativas, o profeta se agarra às negativas e as utiliza para justificar a definitiva incapacidade dos humanos em lidar com seus próprios problemas. O interessante é que, pelo menos desta vez, ele se incluiu entre o resto da humanidade. Mas aí a contradição dessa passagem da entrevista, com suas afirmações anteriores, fica gritante. Se ele realmente se considera mais um na multidão, por que então foi Ellam o único a ser contatado para anunciar um evento que interessa a toda a espécie humana? “Contudo, como diz Sai Baba, a Terra melhorará muito, e bem antes que possamos imaginar”, diz Rogério Val Ellam. E continua: “É importante entender que isto se dará não em razão da retomada de um processo normal, mas por conta de algo que hoje nos parece ficção, que é o intercâmbio com os nossos irmãos vivendo em outros planetas desta parte da galáxia”.

Grande janela de possibilidades — Eis neste trecho da entrevista mais uma contradição explícita do entrevistado. Para ele, a melhoria dos habitantes da Terra se dará não por seus próprios méritos e conquistas, mas sim pela intervenção de seres externos, que virão resolver nossos problemas. Assim, se o leitor está preocupado em trabalhar para ganhar a vida, disposto a fazer sua parte para melhorar também a vida das outras pessoas deste planeta, esqueça e relaxe. Os extraterrestres farão tudo isso por nós, e mais rápido do que imaginamos! Além dessas, várias outras afirmações de Ellam são altamente questionáveis e podem ser encontradas na longa entrevista à UFO 126. Mas somente a análise das que já foram citadas é suficiente para ilustrar o fato de que o entrevistado não demonstra coerência em suas previsões – para mostrar que seu discurso não difere em nada do de outros tantos profetas que já apareceram no passado. Talvez a única diferença entre Ellam e os alegados contatados de outras épocas seja o fato dele ter situado o tal contato oficial e definitivo, a revoada de naves, em um período específico e muito próximo. Entretanto, até isso soa meio estranho, pois se as naves já estão a caminho e o contato que o entrevistado tem com seus tripulantes é tão eficiente, por que uma janela tão grande de possibilidades, ou seja, quatro longos meses?

Para finalizar, comento que muitas pessoas tentaram agregar credibilidade às declarações de Rogério Val Ellam lembrando o fato dele ser uma pessoa íntegra e honesta em seu trabalho. Este é outro engano, pois ele está falando em nome de outra pessoa. Se um amigo leitor é honesto consigo, isso não significa que necessariamente um amigo do amigo do leitor também seja! Na realidade, não sabemos nem mesmo se as tais vozes que falam através de Ellam são amigas. Não sabemos, e não temos condições de saber, se ao falar ele materializa suas alucinações ou se fala em nome de seres extraterrestres reais por contato mediúnico. E esta é uma dúvida que, se pensarmos melhor, retira credibilidade das palavras dele e não soma em nada ao já combalido quadro visionário apresentado.

No final das contas, não vejo nada que possa colocar o entrevistado numa condição especial, se comparado com os tantos contatados que estamos acostumados a ver. E se analisarmos suas afirmações em perspectiva, dentro do grande quadro de curiosidades ufológicas, teremos apenas mais um momento infeliz desta disciplina embrionária. Um momento em que nos afastamos da necessidade do trabalho constante e sério em troca de umas poucas ilusões passageiras.

Há alguma verdade sobre o contato oficial e definitivo?

Certamente, polêmica não deve ser novidade na vida de Jan Van Ellam, sendo ele um homem responsável e empreendedor, dono de grande credibilidade em seu meio profissional, como diretor-executivo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte. Ellam não hesita em “dar a cara a tapa” como ufólogo espiritualista. Não é o tipo de indivíduo que está atrás de fama nem demonstra ser guiado pelo ego. Quando concedeu a já famosa entrevista à Revista UFO, publicada na edição 126, na qual revela dados que lhe teriam sido passados por seres extraterrestres – nossos “irmãos cósmicos” – acerca do futuro bem próximo de nosso planeta e de toda a humanidade, ele deve ter remoído a possível repercussão amarga de suas afirmações, não se deixando, contudo, intimidar por ela.

Marasmo espiritual — Porém, a avalanche de iradas críticas contra o entrevistado aumentaria ainda mais após o novo e inesperado dado fornecido por Ellam, de que o contato definitivo se daria em 18 de novembro, precisamente às 17h30. Como nada aconteceu no horário previsto, a frustração tomou conta de todos, o que é compreensível. Tanto daqueles que aguardavam o contato, acreditando piamente em Ellam, quanto dos que duvidavam de suas previsões ou que apenas “pagaram para ver”. Entretanto, o próprio Ellam admitiu que poderia estar “enganado no varejo, mas que certamente estaria correto no atacado”, segundo suas palavras. Ou seja, poderia estar enganado em filigranas, em detalhes, não na essência de suas previsões. Entre os que leram a entrevista na edição 126, quem não teria se lembrado das explosões nucleares no episódio da Coréia do Norte, embora o fato não tenha relação com o Oriente Médio, nem tenha ocorrido em 04 de outubro? E como se isso não bastasse, não se pode ignorar que a situação naquela perigosa região do planeta esquenta mais a cada dia. De minha parte, sem dúvida, ainda penso que algo está para acontecer. Cinismo à parte, um contato com “eles” pode ser a “sacudidela” de que precisamos para sair do marasmo espiritual e moral em que nos encontramos.

Marcos Malvezzi Leal,
consultor da Revista UFO

E os ETs não vieram...

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Jan de 2007

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