O evento começou com especialistas, incluindo o administrador associado da Diretoria de Missões Espaciais da NASA, desmentindo rumores e assegurando ao público que a NASA é transparente em relação aos seus dados e descobertas. Eles esclareceram que, desde sua descoberta em 1º de julho, uma dúzia de missões capturou e processou imagens do objeto interestelar.
As imagens mais próximas obtidas até hoje vêm de espaçonaves em Marte. No início do outono do hemisfério norte, a espaçonave 3I/ATLAS passou perto do Planeta Vermelho a uma distância de 30 milhões de quilômetros. Essa proximidade permitiu que três missões diferentes o observassem:
•MRO (Mars Reconnaissance Orbiter): Capturou uma das imagens mais próximas do cometa.
•MAVEN: Obteve imagens ultravioleta cruciais para compreender a composição do objeto.
•Perseverança: O veículo explorador conseguiu capturar um vislumbre tênue do cometa na superfície de Marte.

No entanto, foi necessário esperar até agora para ver as imagens devido a uma paralisação recorde do governo dos EUA, que impediu operações relevantes em diversas agências.
Monitoramento solar e do espaço profundo
As missões de heliofísica, originalmente concebidas para estudar o Sol, demonstraram uma capacidade única nesta campanha de observação. Naves espaciais como a STEREO e a missão conjunta SOHO (ESA/NASA)
conseguiram rastrear o cometa entre setembro e outubro, enquanto ele passava atrás do Sol, um ponto cego para telescópios terrestres. Além disso, a missão PUNCH, lançada no início deste ano, revelou detalhes da cauda do cometa.

“Apesar de ter descoberto milhares de cometas, esta é a primeira vez que as missões de heliofísica da NASA observaram deliberadamente um objeto originário de outro sistema solar”, afirmou a agência em comunicado .

Entretanto, as espaçonaves Psyche e Lucy, a caminho de seus respectivos alvos no cinturão de asteroides, aproveitaram sua localização no espaço profundo para observar o asteroide 3I/ATLAS durante a viagem, fornecendo dados valiosos sobre sua trajetória e a estrutura de sua coma e cauda.

Um “cometa diferente”
Durante a sessão de perguntas e respostas com a imprensa e o público no evento ao vivo, surgiu a questão de se havia algo nas novas imagens que sugerisse tratar-se de uma espaçonave alienígena. Em resposta, os especialistas afirmaram que não há nada que indique que nosso sistema solar esteja sendo visitado por algo artificial.
Por outro lado, fizeram questão de esclarecer repetidamente que 3I/ATLAS — como o próprio nome indica — é apenas o terceiro objeto interestelar detectado e que ainda estão aprendendo sobre ele. De fato, reconheceram algumas das anomalias que astrofísicos como Avi Loeb vêm relatando (composição, anti cauda, múltiplos jatos), que tornam o cometa especial e digno de estudo.
“Fatorações como a aceleração não gravitacional estão sendo monitoradas de perto; houve algumas pequenas mudanças na trajetória, mas, no momento, não há nada que possa ser considerado fora do comum em relação aos cometas”, disse Tom Statler, cientista sênior da NASA para pequenos corpos.
Infelizmente, uma das questões mais delicadas a respeito das anomalias, como a que diz respeito ao tamanho enorme do objeto em comparação com cometas comuns ou mesmo com seus predecessores interestelares que nos visitaram, não foi feita ou escolhida para ser respondida.
Próximos passos
O cometa, originalmente descoberto pelo telescópio ATLAS no Chile (financiado pela NASA) e posteriormente observado pelos telescópios espaciais Hubble, James Webb e SPHEREx, continua sua jornada.
A sonda espacial 3I/ATLAS fará sua maior aproximação da Terra por volta de sexta-feira, 19 de dezembro, chegando a cerca de 273 milhões de quilômetros (quase o dobro da distância entre a Terra e o Sol). A NASA continuará monitorando o objeto até que ele cruze a órbita de Júpiter na primavera de 2026.





