Embora não apresentem manobras espetaculares ou acelerações extremas, os dois registros chamam atenção por um motivo central: a própria AARO admite a presença provável de objetos físicos, mas afirma não dispor de dados suficientes para uma atribuição definitiva. Isso os diferencia de outros vídeos europeus divulgados anteriormente, que acabaram classificados como balões ou aves após análise técnica.
PR-013 (Europa, 2022): objeto físico confirmado, mas sem atribuição
O vídeo PR-013 tem cerca de 20 segundos de duração e foi captado em 2022. Segundo a AARO, há alta confiança de que o sensor registrou um objeto físico real, descartando ruído eletrônico ou artefato puramente óptico.

Ainda assim, o órgão afirma que o comportamento observado é considerado “não notável” — ou seja, não há acelerações abruptas, mudanças radicais de trajetória ou características que permitam associar o objeto a uma aeronave conhecida, fenômeno atmosférico específico ou tecnologia identificável. Por esse motivo, o caso permanece não resolvido, mas também não descartado.
Esse tipo de classificação revela um ponto-chave da atual postura oficial: nem todo UFO é extraordinário, mas nem todo objeto físico desconhecido pode ser explicado com os dados disponíveis.
PR-011 (Europa, 2021): área de contraste e análise em andamento
Já o PR-011, registrado em 2021, apresenta um vídeo mais longo, com 2 minutos e 8 segundos. Nele, observa-se uma área de contraste térmico persistente no visor infravermelho, sugerindo novamente a presença de um objeto físico no campo de visão do sensor.

Diferentemente do PR-013, a AARO classifica esse caso como “em análise”, indicando que a avaliação de atributos, movimento e possível identificação ainda não foi concluída. Isso sugere que, internamente, o material pode estar sendo comparado com dados adicionais — como parâmetros de voo, contexto operacional ou registros auxiliares — que não são divulgados ao público.
Por que esses vídeos importam?
A relevância de PR-011 e PR-013 não está em supostas “provas extraterrestres”, mas no fato de que eles:
- Confirmam que objetos físicos não identificados continuam sendo registrados em espaço aéreo europeu por sensores militares avançados;
- Demonstram que nem todos os casos recebem explicação simples, mesmo após análise técnica;
- Permitem comparação direta com outros vídeos europeus que foram resolvidos, ajudando o público a entender o que diferencia um UFO não resolvido de um fenômeno identificado.

É justamente essa comparação que ajuda a separar análise técnica de especulação.
O que diferencia PR-011 e PR-013 dos casos de balões e aves
Nos casos PR-009, PR-010 e PR-016, a AARO conseguiu correlacionar:
- padrão de movimento previsível,
- assinatura térmica compatível,
- e comportamento coerente com fenômenos conhecidos (balões ou fauna).
Já em PR-011 e PR-013, mesmo sem indícios de desempenho extraordinário, faltam elementos conclusivos para fechar a identificação. Isso não transforma esses vídeos em evidência de tecnologia não humana — mas os mantém legitimamente na categoria UFO.
Os vídeos PR-011 e PR-013 reforçam uma realidade pouco discutida fora dos círculos técnicos: o fenômeno UFO não é feito apenas de casos espetaculares, mas também de registros ambíguos, persistentes e metodologicamente incômodos.
Ao divulgar tanto os casos resolvidos quanto os não resolvidos, a AARO expõe uma fronteira clara entre o que pode ser explicado e o que permanece indefinido. Para pesquisadores, jornalistas e leitores atentos, essa distinção é essencial — e talvez seja aí que o verdadeiro mistério começa.
Os casos PR-011 e PR-013 ajudam a compreender um aspecto fundamental – e frequentemente mal interpretado – do fenômeno UFO: a ausência de imagens nítidas não significa ausência de objetos reais, mas reflete, em grande parte, as limitações técnicas, operacionais e estratégicas dos sistemas de registro utilizados.
Os sensores que captaram esses vídeos não foram projetados para produzir imagens cinematográficas, mas sim para detecção, rastreamento e identificação preliminar de alvos em ambientes complexos. Sistemas infravermelhos militares priorizam contraste térmico, alcance e rapidez de aquisição, não definição visual. Por isso, objetos pequenos, distantes ou com temperatura próxima ao fundo aparecem como formas difusas, manchas de contraste ou silhuetas imprecisas, mesmo quando fisicamente presentes.
Além disso, fatores como distância desconhecida, ângulo de observação, movimento relativo da plataforma, compressão do vídeo, redução deliberada de resolução e ausência de dados de telemetria no material público contribuem para a perda de nitidez. Em muitos casos, as versões divulgadas passam ainda por processos de desclassificação, nos quais informações sensíveis são removidas para proteger capacidades técnicas e procedimentos militares.
PR-011 e PR-013 se inserem exatamente nesse contexto: há indícios suficientes para sustentar a presença de objetos físicos, mas insuficientes para uma atribuição definitiva com base apenas nas imagens tornadas públicas. Diferentemente dos casos resolvidos como balões ou aves, esses registros não apresentam assinaturas claras que permitam encerramento técnico sem ambiguidades.
Esses vídeos, portanto, não devem ser avaliados pelo que mostram visualmente, mas pelo que representam metodologicamente: a confirmação de que o espaço aéreo monitorado por sistemas avançados continua registrando fenômenos que escapam às classificações imediatas, mesmo quando não exibem comportamentos extremos ou “exóticos”.
A insistência em exigir imagens perfeitas ignora uma realidade incômoda: os UFOs mais relevantes raramente se manifestam nas condições ideais para registro visual. Eles surgem à margem da percepção humana, nos limites do alcance instrumental e, muitas vezes, fora do foco principal dos sensores. É nesse território nebuloso — entre o detectável e o identificável — que o fenômeno UFO permanece vivo, desafiando tanto a ciência quanto as narrativas simplistas.





