Novo protocolo de contato do SETI proíbe resposta a mensagens extraterrestres

Em um momento de grande interesse público, alimentado pelo aumento de denunciantes de OVNIs e pelo espanto com visitantes interestelares como o objeto 3I/ATLAS, uma pergunta surge: e se realmente detectarmos inteligência extraterrestre?

Redação UFO
4 minutos de leitura

Longe da ficção científica, um comitê de especialistas internacionais vem trabalhando há anos em uma resposta séria para essa pergunta. A Academia Internacional de Astronáutica (IAA), por meio de seu comitê SETI (Busca por Inteligência Extraterrestre), está atualizando seu “protocolo pós-detecção”, que é, em essência, o manual de instruções da humanidade sobre como proceder.

Um plano para um novo mundo

O primeiro conjunto de princípios foi redigido em 1989 e recebeu uma grande atualização em 2010. No entanto, como apontam os autores do novo relatório, Michael A. Garrett e sua equipe, esse manual agora está desatualizado.

A necessidade desta revisão, iniciada por um grupo de trabalho em 2022, deve-se a três grandes mudanças:

1) Novas formas de pesquisa

A ciência não busca mais apenas sinais de rádio. Agora, busca “tecno assinaturas”, que são quaisquer evidências observáveis ​​de tecnologia alienígena, como emissões de laser, poluição atmosférica industrial ou até mesmo mega estruturas como as esferas de Dyson.

2) Mais participação global

Hoje, há mais países e organizações privadas participando da busca.

3) O protocolo de 2010 é anterior
à ascensão das mídias sociais e da inteligência artificial. Uma descoberta hoje seria desafiada por um ambiente global de informações complexas e aceleradas.

O que diz o novo protocolo?

O rascunho atualizado publicado este mês ( disponível para download AQUI ) concentra-se em cautela, verificação e transparência.

https://drive.google.com/file/d/1EOJR45UIDYkftpf4bRijvBbM4az9pSuD/view?usp=drivesdk

1) Calma e Verificação:

Se um cientista acredita ter encontrado um sinal, o protocolo exige “extrema cautela”. Antes de anunciar qualquer coisa, o descobridor deve envidar todos os esforços para confirmar a autenticidade do sinal. Idealmente, isso envolveria outros cientistas, usando instrumentos diferentes em outros locais, verificando a descoberta de forma independente.

2) Transparência, não sensacionalismo.

Uma vez que uma descoberta seja considerada “confiável”, o protocolo estabelece que os cientistas devem comunicá-la “de forma completa e aberta”. Essas informações devem ser compartilhadas simultaneamente com o público, a comunidade científica e o Secretário-Geral da ONU. O objetivo é gerenciar a comunicação de forma responsável, dissipar rumores e utilizar as melhores práticas de comunicação de risco.

3) Resposta Proibida (Por Enquanto)

Talvez o ponto mais fascinante seja o que fazer se o sinal for uma mensagem. O novo rascunho é claro: “Nenhuma resposta deve ser enviada.”

Essa proibição não é necessariamente permanente, mas sim uma pausa obrigatória. O protocolo estabelece que qualquer resposta deve primeiro ser considerada em “consultas internacionais apropriadas”, que devem ser conduzidas por meio das Nações Unidas. Em suma, a decisão de “atender ao chamado” não caberia a um único cientista ou nação, mas seria uma questão de consenso global.

Próximos passos

Este esforço plurianual visa criar um documento rigoroso, porém flexível. Após receber o feedback de astrônomos, cientistas sociais e especialistas em direito e comunicação, o comitê espera votar e ratificar esta nova “Declaração de Princípios” até o final de 2025, com uma apresentação formal prevista para 2026 na Turquia.

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Editor do CIFE -Canal Informativo de Fontes/Fenômenos Extraterrestres e Espaciais - Scientific Channel of UFOs Phenomena & Space Research.