Algumas das maiores lacunas e controvérsias envolvendo o Caso do ET de Varginha, que completa 30 anos em 20 de janeiro, estão diretamente relacionadas ao falecimento de personagens considerados fundamentais para a elucidação do episódio. Ao longo das últimas décadas, ao menos três testemunhas-chave morreram: o homem que teria participado da captura de uma das criaturas – há relatos, inclusive, da existência de mais de um ser —, o médico que afirmava possuir uma fita VHS com imagens do suposto extraterrestre e um bombeiro cujo depoimento serviu de base para pesquisas ufológicas, mas que foi posteriormente negado por ele próprio antes de morrer.
Robson Eustáquio, uma das principais testemunhas
Um dos relatos mais relevantes associados ao incidente em Varginha foi atribuído a Robson Eustáquio de Oliveira, que foi ouvido pelo pesquisador Vitório Pacaccini. Bombeiro à época, ele teria participado da captura da primeira criatura ainda na manhã do dia 20 de janeiro de 1996 — portanto, horas antes do avistamento protagonizado por Liliane, Valquíria e Kátia.

Em uma gravação em fita cassete, Robson afirmava que o ser capturado “não era deste mundo”. Segundo seu relato, o Corpo de Bombeiros teria colocado a criatura em uma caixa de madeira coberta por um saco, reforçando a convicção de que não se tratava de algo de origem terrestre.
No entanto, o documentário “O Mistério de Varginha”, foi apresentado um áudio onde o bombeiro afirma que seu depoimento original teria sido falso. Na gravação, ele diz ter sido manipulado e demonstra o desejo de apagar o episódio de sua memória.
Marcus Vinicius, o médico que “suturou o extraterrestre”
O nome de Marcus Vinicius, médico de Varginha, só emergiu publicamente em 2026. Segundo o neurocirurgião Ítalo Venturelli, colega de profissão, além de ter visto pessoalmente a criatura, Marcus Vinicius teria mostrado a ele uma gravação em vídeo na qual aparecia suturando o suposto extraterrestre.

De acordo com Venturelli, o médico aparecia usando luvas durante o procedimento, o que indicaria preocupação com contaminação. Ele afirma que a gravação teria sido feita por outra pessoa e que, embora hoje esteja desaparecida, foi exibida por Marcus Vinicius a diversas pessoas ao longo dos anos.
Marcus Vinicius faleceu há alguns anos, embora não exista confirmação pública da data exata de sua morte. A suposta fita VHS permanece como um dos elementos mais enigmáticos e centrais do Caso do ET de Varginha.

Marco Eli Chereze, o homem que capturou um extraterrestre
A morte de Marco Eli Chereze é, para muitos pesquisadores, um dos pontos mais impactantes de toda a narrativa. Nascido em 1972, ele ingressou na Polícia Militar de Minas Gerais em 1992, aos 20 anos. Em 1996, servindo em Varginha, teria recebido ordens para capturar a criatura na tarde do dia 20 de janeiro.
Após uma chuva intensa e atípica, lembrada até hoje pelos moradores da cidade, já durante a noite, Marco e um colega teriam avistado o ser. Segundo os relatos, Chereze perseguiu e capturou a criatura, entrando em contato direto pele a pele, sem qualquer equipamento de proteção. A epiderme do ser foi descrita como amarronzada e recoberta por uma substância viscosa.

Dias depois, o policial foi internado em um hospital da região e faleceu em 15 de fevereiro de 1996. Oficialmente, o diagnóstico inicial foi de lombociatalgia aguda, seguida por uma infecção bacteriana que teria evoluído rapidamente para septicemia.
A autópsia, realizada por João Batista Macuco Janini e Armando Fortunato Filho, identificou uma lesão infecciosa na axila esquerda, descrita como uma cicatriz compatível com um furúnculo. Para familiares e ufólogos, essa lesão estaria relacionada ao contato com a criatura.
Janini descreveu o agente infeccioso como “de altíssima agressividade e letalidade”, afirmando que extrapolava os padrões de uma infecção convencional. Segundo ele, tratava-se possivelmente de um mecanismo altamente especializado de agressão e defesa, levantando a hipótese de uma origem não terrestre.

Atualmente, Janini aguarda os trâmites legais para a exumação do corpo de Chereze. Ele acredita que, com os avanços da biologia molecular, será possível identificar novas evidências sobre o agente infeccioso e, eventualmente, corroborar a hipótese de uma origem extraterrestre. Caso confirmada, essa descoberta representaria, segundo ele, uma mudança profunda nos paradigmas científicos e filosóficos da humanidade.
Mortes de animais em zoológico
As fatalidades associadas ao Caso do ET de Varginha não se limitam a seres humanos. Na noite do dia 20 de janeiro de 1996, a bióloga Leila Cabral relatou que, ao chegar ao zoológico da cidade, foi informada pelo porteiro de que bombeiros teriam tentado deixar uma criatura sob seus cuidados, mas desistiram.
Na noite seguinte, 21 de janeiro, Terezinha Clepf afirmou ter visto, na varanda do restaurante do zoológico, a cabeça de uma criatura semelhante à descrita pelas três jovens, embora a tenha comparado a um “capacete de motoqueiro”.

Entre fevereiro e abril daquele ano, diversos animais do zoológico começaram a morrer de forma aparentemente inexplicável. Segundo Leila Cabral, não foi identificada uma causa convencional, e exames realizados por um laboratório de Belo Horizonte detectaram a presença de uma substância tóxico-cáustica em todos os corpos analisados.
Cerca de cinco animais — incluindo veado-catingueiro, anta e jaguatirica — morreram no período. Todos apresentavam escurecimento interno no estômago e no intestino, e a hipótese de envenenamento foi oficialmente descartada. Esses episódios seguem sendo apontados por pesquisadores como possíveis desdobramentos indiretos de um dos casos mais controversos da ufologia mundial.

Três décadas depois, o Caso do ET de Varginha permanece como um mosaico incompleto, marcado por depoimentos conflitantes, evidências desaparecidas e pela morte de personagens centrais que poderiam esclarecer definitivamente o que ocorreu em janeiro de 1996. A ausência dessas vozes não apenas amplia as lacunas investigativas, como também reforça a sensação de que partes essenciais da história se perderam no tempo — ou foram deliberadamente silenciadas.

Entre relatos reafirmados e desmentidos, diagnósticos oficiais e hipóteses que desafiam os limites da ciência convencional, o caso resiste a explicações simples. As mortes humanas, somadas aos episódios inexplicáveis envolvendo animais, compõem um quadro inquietante que ultrapassa o campo do folclore ou do erro de percepção coletiva. Mesmo após inúmeras investigações, o que resta é um conjunto de perguntas que seguem sem respostas conclusivas.
Assim, o Caso Varginha não se encerra como um evento do passado, mas como um enigma ainda em aberto. Enquanto documentos permanecem inacessíveis, testemunhos se contradizem e possíveis provas se perdem, a história continua a desafiar autoridades, pesquisadores e a própria sociedade. Talvez o maior mistério não seja apenas o que caiu em Varginha, mas porque, tantos anos depois, a verdade completa ainda parece tão distante.





