Fomos surpreendidos hoje com a notícia do falecimento de Erich von Däniken no dia 10 de janeiro de 2026. Esta não é apenas a despedida de um escritor suíço de sucesso — será o encerramento simbólico de uma das mais influentes e controversas revoluções intelectuais do século XX: a popularização da ideia de que a humanidade pode não ter estado sozinha em seu próprio passado.

Nascido em 14 de abril de 1935, na Suíça, von Däniken tornou-se uma figura incontornável da cultura contemporânea ao lançar, em 1968, Eram os Deuses Astronautas? (Chariots of the Gods?). A obra não apenas alcançou milhões de leitores ao redor do mundo, como também rompeu um tabu intelectual: questionar se monumentos, mitos e conhecimentos ancestrais poderiam ter origem em contatos com inteligências não humanas.
A partir daquele momento, o céu deixou de ser apenas um domínio dos deuses simbólicos e passou a ser encarado, por milhões de pessoas, como um possível palco de visitas reais.

Eu tive o prazer e a honra de estar com ele em alguns eventos, o último em 2018 em Brasília, o UFO Summit. Na oportunidade estivemos com o Giorgio Tsokaulos, Fernando Ramalho e o eterno Gevaerd. Meu filho também o conheceu naquela noite.




Há poucos anos, fui convidado a enviar um vídeo a ele em celebração ao aniversário de criação da A.A.S. R.A. – Archaeology, Astronautics and SETI Research Association.
O primeiro livro que eu li sobre o fenômeno ufológico – e sobre a Teoria dos Antigos Astronautas – foi “Eram os Deuses Astronautas”, que era do meu pai. Foi a segunda edição lançada no Brasil. Em 2011, em uma palestra na Legião da Boa Vontade (LBV) em Brasília, tive a oportunidade de pegar um autógrafo do Erich no livro.
O Autor que Dividiu o Mundo
Von Däniken nunca foi um acadêmico tradicional, tampouco pretendeu sê-lo. Seu papel foi outro — e talvez mais poderoso: o de provocador cultural. Ao conectar textos antigos, artefatos arqueológicos, lendas religiosas e engenharia megalítica sob uma hipótese ousada, ele abriu espaço para um debate que a academia preferia evitar ou ridicularizar.
Críticos o acusaram de especulação excessiva, erros metodológicos e interpretações seletivas. Defensores, por outro lado, destacaram algo inegável: antes de refutar, o mundo precisou discutir. E foi justamente essa discussão que mudou para sempre a forma como o grande público olha para o passado humano.
Mesmo sob ataques constantes de arqueólogos, historiadores e cientistas céticos, von Däniken jamais recuou completamente. Ajustou argumentos, reformulou hipóteses, reconheceu equívocos pontuais — mas manteve firme a ideia central: a história humana contém lacunas profundas demais para serem ignoradas.

Entre a Ufologia e a Cultura Pop
Poucos autores influenciaram tanto a ufologia indireta quanto Erich von Däniken. Embora não fosse um investigador clássico de casos ufológicos modernos, seu trabalho lançou as bases conceituais para gerações inteiras de pesquisadores interessados na origem e no propósito dos fenômenos ufológicos.
Seu impacto foi além dos livros. Séries, documentários, filmes e produções televisivas beberam diretamente de suas ideias — de Indiana Jones a Stargate, de Ancient Aliens a incontáveis produções independentes. Para o bem ou para o mal, von Däniken moldou o imaginário coletivo de forma profunda e duradoura.
Um Legado que Sobrevive às Críticas
O verdadeiro legado de Erich von Däniken talvez não esteja na literalidade de suas conclusões, mas na pergunta que ele obrigou a humanidade a fazer novamente: “E se não soubéssemos tudo?”
Num mundo que hoje assiste a audiências parlamentares sobre UFOs, a revelações oficiais antes impensáveis e a um debate cada vez mais sério sobre inteligências não humanas, sua obra ganha uma nova camada de relevância histórica. Muitas de suas hipóteses permanecem controversas — algumas provavelmente incorretas —, mas o impulso investigativo que ele despertou continua vivo.
Von Däniken ensinou que questionar narrativas estabelecidas não é heresia intelectual, mas parte essencial do avanço do conhecimento.
Quando o Céu se Fecha, as Perguntas Permanecem
Erich von Däniken nos deixou muito mais do que livros e polêmicas. Deixará uma herança de inquietação. Um convite permanente à curiosidade. Um lembrete de que a história humana pode ser mais estranha, mais complexa — e talvez mais cósmica — do que ousamos admitir.
Independentemente do julgamento final da ciência, seu nome já está inscrito na história das ideias. E, como todo verdadeiro provocador do pensamento, continuará a incomodar — mesmo em silêncio.
Danke Erich.

