ARTIGO

Os agroglifos estão de volta

Por A. J. Gevaerd | Edição 206 | 01 de Dezembro de 2013


Créditos: ARQUIVO UFO

Os agroglifos estão de volta

Há exatamente seis anos, sempre na mesma localidade do país e praticamente na mesma época, eles voltam a surgir nos campos de trigo de Santa Catarina causando surpresa, espanto e muita curiosidade. Desta vez não foi diferente. Em 02 de novembro passado, a pacata Ipuaçu recebeu novamente duas figuras de grandes dimensões em campos de trigo ao redor da cidade de pouco mais de 5 mil habitantes e a 520 km de Florianópolis. O ponto central da questão dos agroglifos brasileiros, que mais perplexidade causa na Comunidade Ufológica Nacional, está em tentar entender porque somente Ipuaçu, entre milhares de municípios do país — dos quais centenas também têm grandes lavouras de trigo —, é premiada com o fenômeno. E outra indagação, não menos importante, é qual é a razão que os leva a se manifestarem sempre na mesma época do ano, ou seja, nos últimos dias de outubro até os primeiros de novembro. Essas parecem, pelo menos até o momento, serem incógnitas indecifráveis.

Apesar de os agroglifos já serem conhecidos da Ufologia Mundial há mais de três décadas, 80% deles concentrando-se na Inglaterra e quase todo o restante em países do Hemisfério Norte, o Brasil só teve suas primeiras formações em 2008, quando duas delas surgiram em Ipuaçu, nas lavouras de trigo e triticale de Inézio Trentin e Nilson Biazzotto. Os campos de plantio amanheceram com enormes círculos com anéis ao redor, formados por plantas dobradas — ainda vivas — e somando mais de 25 m de diâmetro cada. De lá pra cá, sem que haja uma só falha, o fenômeno vem se repetindo de forma constante e crescente, mas somente naquela cidade catarinense e na época mencionada. A Revista UFO vem acompanhando a evolução do fenômeno todos estes anos, tendo publicado artigos e relatórios em diversas de suas edições, sempre chamando a atenção da sociedade para algo tão intrigante e conclamando a comunidade científica a engajar-se na investigação do tema — neste caso, sem sucesso [Veja edições UFO 149, 161, 185, 186 e 195, todas agora disponíveis na íntegra em ufo.com.br].

crédito: Fotos ARQUIVO UFO. Diagramas de Inajar Antonio Kurowski
O agroglifo em formato de espiral com 13 voltas, que termina em um círculo menor com uma espécie de ampulheta em seu interior
O agroglifo em formato de espiral com 13 voltas, que termina em um círculo menor com uma espécie de ampulheta em seu interior

Ao todo, nesta mais de meia década, já foram cerca de 40 agroglifos descobertos, geralmente circulares, mas também em outros formatos — como uma formação de triângulos sobrepostos ocorrida em 2009. No ano seguinte e em 2012, apesar de também termos a manifestação do fenômeno, eles não puderam ser estudados a fundo porque, no primeiro caso, a comunicação de seu registro aos ufólogos se deu tardiamente, impedindo a análise metodológica da figura. E, em 2012, apesar de ser a imagem mais complexa já surgida até então, os pesquisadores não contaram com receptividade por parte da proprietária das terras onde ela se manifestou, a senhora Liana Faccio, que impediu sua entrada e, irritada com o assédio de curiosos e da imprensa, assim como em função de sua condição religiosa, procedeu à colheita do trigo ainda verde de sua fazenda, destruindo qualquer possibilidade de investigação da intrincada formação.

Figura belíssima e exótica

Felizmente, antes que isso ocorresse, algumas imagens daquele agroglifo puderam ser feitas, mostrando que tinha tamanho significantemente maior do que os dos anos anteriores. Esta formação foi registrada na manhã de 13 de outubro por moradores da área rural de Ipuaçu. Era uma figura belíssima e exótica que apareceu bem na entrada da pequena cidade, ao lado da rodovia de acesso e a não mais do que um quilômetro do centro do município. O agroglifo era uma composição geométrica em formato de halter formada por dois conjuntos ligados entre si por um “corredor” de cerca de 10 m de comprimento por 2 m de largura, onde as plantas estavam dobradas linearmente. “Nunca se viu algo assim aqui. Estávamos acostumados a figuras mais simples, porém esta nos surpreendeu”, disse o prefeito de Ipuaçu, Denilso Casal. “Foi um absurdo as plantas terem sido colhidas sem que pudéssemos pesquisar a figura”, disse o ufólogo catarinense Ivo Luis Dohl, um dos poucos do país a pesquisar o fenômeno em seu estado desde o começo.

Em uma extremidade da figura de 2012 estava um conjunto constituído por um círculo de cerca de 40 m de diâmetro com as plantas dobradas em sentido horário, em volta do qual, dele separados por cerca de 2 m de plantas intactas, havia nada menos do que 30 círculos menores dispostos como satélites, com as plantas em seu interior dobradas alternadamente em sentido horário e anti-horário. Mostrando enorme evolução do fenômeno em relação aos anos anteriores, as poucas fotos disponibilizadas da formação impressionaram. O primeiro conjunto de elementos que a compunha se ligava por meio do citado corredor a outro de dois anéis concêntricos ao redor de um novo círculo, menor do que o anterior, com cerca de 3 m de diâmetro. Afastado dele cerca de 2 m estava o primeiro anel, com 9 m de diâmetro. E afastado deste por outros 2 m estava o segundo anel, com cerca de 15 m de diâmetro — os anéis tinham uma largura de aproximadamente 1 m de plantas amassadas em seu interior.

crédito: FOTOS ARQUIVO UFO
O agricultor Valdemar Visoli concorda que os agroglifos de novembro não podem ser obra de seres humanos
O agricultor Valdemar Visoli concorda que os agroglifos de novembro não podem ser obra de seres humanos

Como não poderia deixar de ser, uma corrente de céticos completamente desinformados quanto à natureza geral do fenômeno e às características dos agroglifos de Santa Catarina em particular, logo partiu para a defesa de teses esdrúxulas para “explicar” a formação de 13 de outubro de 2012. Entre elas estava a que se apresentou desastrosamente na edição de 16 de outubro do jornal Diário Catarinense, de Florianópolis. Fazendo uma cobertura lamentável do fato e dando exemplo acabado de mau jornalismo, os repórteres do veículo consultaram quem nunca se deu o trabalho de investigar o mistério e saiu-se com a teoria de que a formação havia sido produzida com tábuas e cordas por arruaceiros — aliás, a mesma e batida tentativa de reduzir o fenômeno à ação de delinquentes que foi aventada nos anos anteriores e igualmente nunca comprovada.

Em 2013 não foi diferente e as tentativas de “explicação” por parte dos céticos não tardaram a surgir, logo no começo da semana seguinte ao aparecimento dos agroglifos de novembro, isso apesar de eles serem ainda mais complexos que todos os anteriores somados e por ter a investigação dos fenômenos contado com uma ajuda providencial: o uso de um helicóptero para análise e filmagens em alta definição das formações a partir do ar, quando se tem uma visão privilegiada de suas características. O veículo foi cedido para esta pesquisa pelo casal Denyse e Décio Silva, leitores da UFO em Jaraguá do Sul (SC). Ele foi deslocado por 440 km para atender ao esforço investigativo de apurar as formações em Ipuaçu. As fotos e vídeos feitos a partir da aeronave, postados no site da publicação e também no Youtube, mostram com clareza cristaliza que ambas as figuras são perfeitamente simétricas — e têm o mesmo diâmetro de 54,6 m. Coincidência?

Aliás, esta condição de simetria e de extrema harmonia entre os elementos que compõem cada uma das figuras já havia sido detectada a partir da análise que se fez delas no solo, que contou, entre outras providências, com medições meticulosas das dimensões dos dois agroglifos pelo especialista em análises de imagens e coordenador do grupo que faz estes estudos na revista, o perito criminal da Polícia Civil do Paraná Inajar Antonio Kurowski [Veja box]. A Equipe UFO esteve na localidade nos dias 02 e 03 de novembro e também entrevistou moradores, dos quais se pôde apurar que pelo menos o primeiro agroglifo descoberto, o que estava mais perto da cidade, havia sido produzido entre 06h00 e 07h00 da manhã, ou seja, em plena luz do dia e não na calada da noite, como geralmente ocorre.

Depoimentos valiosos

Dois testemunhos foram fundamentais para essa determinação, o do antigo morador da cidade e conhecido agricultor de Ipuaçu Valdemar Visoli e o da chefe de cozinha Tatiane Pedroso, que está apenas há alguns meses residindo em Ipuaçu. Tatiane disse que, por sofrer de insônia, não consegue dormir antes das 06h00 e que tem o hábito de caminhar antes desse horário com seus animais e observar a plantação de trigo bem à frente de sua casa, a não mais de 300 m dela, justamente onde surgiu o primeiro agroglifo. “Olhei o trigo dourado ao lado de um campo de eucaliptos e não havia nada ali pelo menos até as 06h00”, disse a moradora. E o senhor Visoli, que reside justamente na beirada da área plantada, a não mais de 100 m dela e com visão privilegiada do trigal, disse que sua atenção foi despertada para algo estranho na plantação às 07h00, quando descobriu a imagem. Então, este agroglifo, e talvez o outro também, surgiu neste curtíssimo intervalo de tempo.

crédito: Mírian Cruz
A pesquisa dos agroglifos de Santa Catarina agora ganhou um instrumento imprescindível, um helicóptero para sobrevoar as plantações
A pesquisa dos agroglifos de Santa Catarina agora ganhou um instrumento imprescindível, um helicóptero para sobrevoar as plantações

As duas figuras eram totalmente distintas entre si. A que foi descoberta pelo senhor Visoli, que em questão de horas tornou-se alvo de visitações constantes — especialmente por ser feriado de Finados e estar próxima ao cemitério da cidade —, era uma espiral com 13 voltas engenhosamente produzida na plantação de trigo em um aclive de uns 10 graus, a não mais de 600 m do centro de Ipuaçu, plenamente visível de várias de suas ruas, entre elas a Alberto Sudatti, onde reside Tatiane. A espiral tinha seus “canais” com plantas dobradas em sentido horário durante toda sua extensão. Em sua extremidade norte havia uma figura curiosa, que lembrava uma ampulheta desenhada no cereal também com plantas dobradas, rodeada por um círculo que estava ao final da espiral ao seu lado — tal círculo tinha os pés de trigo vergados em sentido anti-horário. Enfim, uma obra de grande complexidade. Desde que a figura foi descoberta até o momento em que a Equipe UFO chegou ao local, menos de oito horas depois, ela já havia sido bastante pisoteada por curiosos, mas ainda estava relativamente intacta, com as plantas viçosas e douradas, prontas para a colheita.

Composição complexa

Já a segunda formação, que estava distante uns 300 m de uma rodovia vicinal da localidade de Toldo Velho, a 3 km de Ipuaçu, mas dentro de sua área, era um desenho também produzido em um aclive de uns 10 graus. Tratava-se de um anel com plantas dobradas e espessura de 2,8 m, tendo em seu interior um hexágono perfeito e de grandes proporções formado por “corredores” de 2 m de espessura. Dentro de ambas as figuras havia um eixo que cortava toda a imagem ao longo do qual estavam alinhados três círculos de plantas dobradas em sentido anti-horário, também inscritos dentro da composição. Um círculo era maior e central, com cerca de 15,4 m, e os outros dois tinham exatamente a metade de seu tamanho, 7,7 m cada. Mas, infelizmente, desde sua descoberta, na manhã de 02 de novembro, até o momento em que a Equipe UFO chegou ao local, perto das 17h00, o proprietário já havia colhido parte do trigo, destruindo as beiradas da figura. Mas mesmo seu intento de destruir a imagem acabou nos dando interessantes subsídios sobre a mesma, como a descoberta de que a colheitadeira ceifou as plantas intactas preservando as dobradas, ainda que estivessem lado a lado. Até o fechamento desta edição ainda não haviam surgido notícias de novos agroglifos, mas essa é uma possibilidade que já se revelou comprovada em anos anteriores, quando formações apareceram durante semanas seguidas. As investigações continuam e agora uma nova etapa dos esforços em desvendar o mistério das formações ganhou importante incremento.

Relatório resumido das características dos agroglifos

Ao chegar a Ipuaçu para proceder à perícia dos agroglifos informados, confirmou-se a existência de duas imagens distantes aproximadamente 2,6 km entre si em linha reta, segundo medição pelo Google Earth, sendo uma localizada 1 km a oeste do ponto central da cidade da cidade e o outro a 3,1 km a sudoeste do mesmo ponto considerado. Constatou-se em uma área de cultivo de trigo já maduro a presença de um desenho de grandes dimensões formado pelo contraste entre o cereal intacto e as hastes das plantas deitadas e paralelas ao solo. Tratou-se de uma espiral circular que se desenvolveu em sentido horário a partir de seu centro e conteve 13 faixas, com um diâmetro médio de 54,6 m. A figura culminava em uma circunferência de 10,2 m de diâmetro que se desenvolvia no sentido anti-horário, contendo uma formação que lembra uma ampulheta em seu interior. As faixas espirais formadas mantinham a mesma largura de 0,85 m até o final da imagem, em todas as suas 13 voltas.

Constatou-se ainda em outra área de cultivo de trigo, igualmente maduro e parcialmente colhido, situada a aproximadamente 3,1 km do ponto central da cidade, a presença de outro desenho de grandes dimensões formando uma circunferência que continha em seu interior um hexágono regular. Ambas as figuras estavam cortadas diagonalmente de baixo para cima e da esquerda para a direita, considerando-se a inclinação do terreno, por uma estreita faixa em linha reta, havendo no centro da formação, por sobre esta faixa diagonal, três círculos, sendo o do centro maior que os dois laterais. A circunferência externa apresentou diâmetro aproximado de 54,6 m — coincidindo com o constatado no agroglifo anterior — e na faixa com a qual estava formada as hastes do trigo se orientavam em sentido horário, com 2,8 m de largura.

Alta complexidade

No interior desta circunferência, o hexágono regular tinha vértices que tocavam a linha interna da faixa da circunferência, medindo a linha mais externa de cada um de seus lados aproximadamente 23 m e a faixa que lhe dá forma cerca de 2 m de largura, com a inclinação das hastes do trigo neste hexágono em sentido horário. A figura estava cortada de cima para baixo e da esquerda para a direita por uma faixa em diagonal com aproximadamente 0,6 m de largura e alinhada no sentido leste-oeste. Sobre esta faixa existiam três círculos, sendo o central com cerca de 15,4m de diâmetro e os outros dois, os quais eram tangentes ao anterior, com cerca de 7,7m cada e as plantas em seu interior dobradas em sentido horário, ou seja, tinham metade do diâmetro do círculo central.

Confirmou-se ainda nas extremidades da faixa diagonal e do lado de fora da circunferência externa a presença de outra faixa também com 0,6 m de largura, a qual se desenvolveu de forma senoidal ou sinuosa, com 10 m de comprimento. Por fim, descobriu-se também que todo o trigo na área adjacente e ao redor desta formação fora recém-colhido — entretanto, tal ação não impediu de se constatar perfeitamente os limites do agroglifo. Assim, pelas características verificadas em ambas as formações examinadas, tudo leva a concluir que são perfeitamente autênticas.

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Sobre o Autor

A. J. Gevaerd

A. J. Gevaerd nasceu em Maringá (PR), em 1962, e foi professor de química até 1986, quando abandonou a profissão para se dedicar exclusivamente à Ufologia. Em 1983, fundou o Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), a maior entidade do gênero em todo o mundo, com mais de 3.000 associados. Em 1985, Gevaerd fundou a Revista UFO, única publicação sobre Ufologia no país, com 25 anos de existência, e a mais antiga em circulação em todo o mundo. O editor interessou-se por Ufologia ainda muito jovem, com 11 anos, ouvindo histórias de observação de naves e contatos com seres extraterrestres, e começou suas atividades na Ufologia imediatamente, fazendo suas primeiras investigações e vigílias. Fez sua primeira palestra sobre UFOs no colégio em que estudava, aos 15 anos, e de lá para cá realizou mais de 2.000 em todo o Brasil. A partir de 1989, começou a se apresentar também no exterior, tendo realizado pesquisas e mais de 600 palestras em 54 países. É diretor no país, desde 1986, da Mutual UFO Network (MUFON), e, desde 1991, do Annual International UFO Congress, um dos eventos de Ufologia mais concorridos da atualidade. Foi um dos idealizadores da campanha pioneira UFOs: Liberdade de Informação Já, lançada em 2004 pela Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), da qual é coordenador. O pesquisador tem participação ativa em praticamente todos os círculos mundiais onde o Fenômeno UFO é tratado com seriedade, participando de eventos, debates, programas, campanhas etc.

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