Edição 155
DESTAQUE

Novos países aderem à abertura

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01 de Jul de 2009
Militares e técnicos da OIFAA, da Força Aérea Peruana, analisam casos ufológicos registrados por controladores de vôo
Créditos: ANTHONY CHOY

Há décadas a Argentina tornou-se terra fértil em questões relacionadas com o Fenômeno UFO, e as fotografias, vídeos e relatos sobre avistamentos, encontros do terceiro grau e casos de contato direto com alienígenas multiplicam-se praticamente em todo seu território, sob constantes ondas ufológicas. O país é, sem dúvida, uma referência na casuística mundial. Obviamente, assim como em inumeráveis nações, existem documentos oficiais que seguem classificados como sigilosos e confidenciais, longe do alcance dos pesquisadores civis. Para modificar esta situação, um verdadeiro dream team de ufólogos decidiu criar uma associação que já deu início a uma campanha para juntar milhares de assinaturas e solicitar à presidente Cristina Kirchner e ao Congresso argentino que se elabore uma lei para que todos tenham acesso aos expedientes secretos ufológicos.

A destacada investigadora Silvia Simondini, do grupo Visión OVNI, coordenou uma reunião realizada em meados de abril, no Museu OVNI da cidade de Vitória, na província de Entre Rios. Pesquisadores e representantes de grupos ufológicos de todo o país chegaram a um acordo para que a Argentina siga os passos de muitas nações nas quais os governos desclassificaram e liberaram os arquivos confidenciais, para estudo e análise por parte de civis. “Não houve discórdia entre os presentes, todos apoiaram a iniciativa e votaram positivamente. Foi uma experiência fascinante, com profissionais de primeiro nível e de todos os pontos do país reunidos com a intenção de nos unirmos, trocarmos idéias e criarmos algo novo”, disse Silvia sobre a assembléia, que seguramente ficará na história da Ufologia Argentina.

Exemplo brasileiro

Está criada, então, a Comisión de Estudios del Fenómeno OVNI da República Argentina (Cefora), formada por dezenas de ufólogos de primeira linha. “O objetivo da iniciativa é de que os episódios relacionados à Ufologia possam chegar até nós, que a realidade do Fenômeno UFO esteja ao alcance de todos os argentinos e colegas internacionais”, sustentou Silvia. Ela completou que decidiu formar o Cefora para que a Argentina abra seus arquivos em torno do tema, a exemplo do que vem ocorrendo no Brasil, com a campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU). “Até o momento, são mais de 20 países que tratam deste assunto com seriedade, desclassificando documentos oficiais sobre UFOs e apresentando evidências da presença extraterrestre”.

A intenção da Cefora agora é produzir um abaixo-assinado apoiando o projeto, permitindo, em uma primeira etapa, arregimentar legisladores, entidades oficiais interessadas na causa e, posteriormente, tratar do tema no Congresso. Haverá solicitações aos responsáveis pelo Ministério da Defesa, à Presidência da República e à Câmara de Deputados, independentemente das gestões que se realizem em nível regional, para desclassificação de informações sobre o Fenômeno UFO no país. Como parte da estratégia para atingir seus objetivos, cada grupo continuará com seus trabalhos de investigação independente, mas todos farão circular uma planilha na qual solicitam a adesão a uma petição para a abertura ufológica. A ficha de adesão para desclassificação dos documentos relativos ao Fenômeno UFO na Argentina está disponível na página do grupo Visión OVNI, no endereço www.visionovni.com.ar.

O Chile, país que já reconheceu anteriormente a gravidade e importância da problemática ufológica, assumindo sua realidade incontestável, surpreendeu a Comunidade Ufológica Mundial em 20 de abril, quando entrou em vigor no país a Lei de Transparência da Função Pública e Acesso à Informação, número 20.285. De acordo com a norma, os órgãos públicos se tornam responsáveis por responderem solicitações de informação de cidadãos – transparência passiva – e manterem dados de interesse geral nos sites do governo – transparência ativa. A lei também cria uma instituição independente, o Conselho para a Transparência, com o objetivo de resolver os conflitos entre solicitantes e órgãos da administração central ou municipal. Um dos grandes desafios do novo regulamento é a definição dos critérios de reserva da informação, que serão estabelecidos pelo conselho a partir de resoluções a serem tomadas.

Para o diretor executivo da Fundación Pro Acceso, o juiz Moisés Sánchez, ela representa um passo significativo para o reconhecimento dos direitos dos cidadãos e para a modernização do Estado. Trata-se de um novo e importante passo, de interesse direto dos ufólogos e da população em geral, para a busca de liberdade de informações oficiais e sigilosas sobre UFOs. Sorte, perspicácia e dinamismo aos ufólogos chilenos, que estão com as ferramentas em mãos e iniciam o processo de união e reuniões, a fim de também formarem uma comissão específica.

Desclassificação também no Peru

Conhecidos ufólogos peruanos, os doutores Mario Zegarra Torres e Anthony Choy [Correspondente internacional da Revista UFO] estão à frente de uma solicitação formal ao Ministério da Defesa do Peru para que se inicie o processo de desclassificação de novos arquivos secretos relacionados com fenômenos aéreos anômalos. O Peru é rico em avistamentos e casos ufológicos, tendo admitido oficialmente, em 2001, a presença alienígena na Terra, quando criou o Escritório de Investigação de Fenômenos Aéreos Anômalos [Oficina de Investigación de Fenómenos Aéreos Anómalos, OIFAA] dentro de sua Força Aérea e fez uma desclassificação parcial. A OIFAA tem no comandante Chamorro Flores seu diretor [Veja edição UFO 136]. Segundo Choy, “É hora de confirmar os fatos que foram registrados por entidades militares e policiais, os quais já estão sendo apresentados à opinião pública em diversos países do mundo”.

O movimento batizado de Ciudadanos Peruanos Contra el Secreto a los OVNI [Cidadãos Peruanos Contra o Segredo aos OVNI], iniciativa que nasceu em outubro de 2008 e é apoiada por ufólogos e grupos de todo o país, criou uma petição e um abaixo-assinado em que solicita às autoridades governamentais a desclassificação imediata de documentos ufológicos. O requerimento é baseado na Lei de Transparência Informativa e de Acesso à Informação Pública, de 13 de junho de 2002, modificada em 13 de janeiro de 2003. A Constituição Federal do país dá direitos à população e pesquisadores civis. Diversos casos ufológicos específicos, ocorridos em solo peruano, foram requisitados às autoridades, muitos com mais de 30 anos. Leia a petição e mais detalhes no endereço http://peruanoscontraelsecretoovni.blogspot.com.

crédito: ARQUIVO UFO
Choy e Zegarra Torres pedem desclassificação ao governo peruano
Choy e Zegarra Torres pedem desclassificação ao governo peruano

Prosseguindo com o processo de desclassificação global, intensificado principalmente nos últimos meses, agora foi a vez da Suécia escancarar seus calhamaços. O diretor da entidade UFO Sweden, Clas Svahn, informou que era a hora de se colocar à disposição pública as informações governamentais. O grupo organizou em 10 de maio uma exposição em Norrköping, no sul do país, que mostrou o que já se tem liberado. Além de documentação oficial e material audiovisual, foram expostos também relatórios oficiais da Dinamarca e Noruega. Svahn faz referência a um caso em particular, ocorrido na cidade de Norrboten, quando testemunhas observaram um UFO em forma de charuto pousar sobre o Lago Nammajaure. O objeto teria ingressado no lago e militares teriam realizado atividades submarinas de reconhecimento na região.

Também citou outro fato, de um piloto sueco em um avião Draken que estava sobre Smäland em um vôo de exercício na década de 70. Ele recebeu ordem de parar as manobras e voar em torno de um objeto não identificado que estava sobre a água. Quando se aproximava do UFO, este partiu de repente e o piloto começou a persegui-lo. Apesar de estar a toda a velocidade, perdeu-o de vista e o artefato nunca foi identificado. “São mais de 1.000 casos que merecem um olhar mais detalhado”, de acordo com Svahn. Já considerado “o maior arquivo ufológico do mundo”, com mais de 18 mil relatos, fotos e casos internacionais sobre acontecimentos ufológicos, a Suécia desponta na liderança da abertura ufológica.

Talvez alguns leitores se perguntem sobre a real utilidade de tanta papelada, espalhada pelo mundo afora, ou ufófilos aflitos estejam esperando surgir nos documentos liberados uma frase do tipo: “A força aérea chegou à conclusão de que os discos voadores existem e os ETs vêm da área X do universo”. Esta afirmação oficial, mesmo que exista em algum local específico, não virá à tona de maneira tão prosaica. O que precisamos é compreender que documentos oficiais que são liberados servem como prova de que UFOs circulam pelos céus e não são ignorados por nossas autoridades. Muitos outros lotes e calhamaços surgirão, com o esforço e disposição efetiva dos ufólogos, além de boa vontade das autoridades.

Mesmo países menores e de economia restrita aderem à abertura

O simples fato destes arquivos, antes confidenciais, serem liberados e confirmarem de maneira inequívoca que algo acontece alheio ao conhecimento científico e existe de forma irrefutável, já abre espaço, por exemplo, para se introduzir debates populares e incluir a matéria na grade curricular de instituições de ensino. Abre-se um enorme leque de possibilidades para conhecimento da presença alienígena na Terra.

Engenharia e ferramentas

Enfim, a Ufologia sai ganhando de maneira inestimável a cada nova folha de papel liberada, com os devidos carimbos e autenticação oficial. São documentos extraordinários e de imensa valia. Mas deve-se avaliar as conseqüências dos mesmos, e não somente o conteúdo, que pode não ser tão arrebatador como se imagina. Na verdade, as autoridades estão nos dando as ferramentas. A engenharia para aproveitá-las tem que vir de nós mesmos, do esforço da Comunidade Ufológica Mundial, como também da capacidade de percepção e assimilação do possível significado destas aberturas em nível planetário.

Uma resposta implacável ao pessimismo

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Jul de 2009

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