Edição 165
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Encontro de Ufologia em Ipuaçu debate os agroglifos

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01 de May de 2010
A partir da esquerda: A. J. Gevaerd, Rafael Amorim, Marco A. Petit, Toni Inajar Kurowski, Rafael Cury, Fernando A. Ramalho, Anna Sharp e o brigadeiro Pereira
Créditos: Leonardo Prudêncio

Nas últimas décadas, como a Revista UFO tem noticiado em profundidade, estranhos desenhos geométricos começaram a surgir em plantações de grãos da Inglaterra, logo se espalhando para os países vizinhos e, depois, para outras nações, geralmente do Hemisfério Norte. Eram inicialmente circulares, mas passaram por sucessivas metamorfoses e agora são intrincados conjuntos de figuras, às vezes com centenas de objetos e vasta extensão [Veja edições UFO 081 e 146]. Desde os anos 80, milhares de casos foram registrados, catalogados e estudados em todo o globo, mas com duas peculiaridades. A primeira é o fato de que mais de 90% deles se concentram na Inglaterra, principalmente nas regiões vizinhas ao monumento megalítico de Stonehenge, sendo por isso inicialmente chamados de “círculos ingleses”.

A segunda peculiaridade é ainda mais intrigante: até 2008, nenhum caso havia ocorrido no Brasil, país que reconhecidamente contribuiu, e com grande intensidade, com praticamente tudo o que se viu na Ufologia Mundial até aqui. Com o aparecimento das formas geométricas mais complexas e o aumento gradual de ocorrências ao redor do globo, uma nova terminologia foi adotada para designar os estranhos sinais: agroglifos, ou seja, desenhos feitos em plantações. Após muitos estudos e intensas pesquisas do fenômeno, ainda não se determinou sua causa exata, nem tampouco se chegou a uma explicação natural para o mesmo, que desafia a ciência e, notadamente, sua respectiva vertente agrária, como a botânica, a física, a química e a genética.

Mas, como em muitos casos as testemunhas relataram o avistamento de objetos estranhos sobre os campos ou em suas imediações, antes ou depois do surgimento das formas, naturalmente os pesquisadores do Fenômeno UFO passaram a trabalhar com a hipótese de que tenham natureza ou motivação alienígena — e muitos hoje afirmam abertamente que os agroglifos são criados por formas de vida inteligentes, extraterrestres.

Agora também no Brasil

A razão de o Brasil, um país de riquíssima e diversificada casuística ufológica, nunca ter registrado um único caso de agroglifo sempre intrigou os pesquisadores. Mas a situação mudou quando, entre 10 e 18 de novembro de 2008, na cidade de Ipuaçu, no oeste de Santa Catarina, cerca de uma dúzia de marcas espantosamente similares aos círculos da Inglaterra e de tantos outros países surgiram no meio de plantações de trigo e triticale. O fato chamou a atenção de estudiosos de todo o Brasil e colocou a população da pacata Ipuaçu em alerta [Veja edição UFO 149]. Ninguém tinha idéia da razão de a cidade ter sido “escolhida” para ser a primeira a receber sinais do fenômeno, e todos pensavam que seria algo aleatório. Porém, a sensação se desfez rapidamente quando, quase um ano depois, em 30 de outubro de 2009, um novo sinal surgiu no mesmo município, desta vez com uma forma ainda mais complexa, composta por vários triângulos [Veja edição UFO 161].

Este último agroglifo de Ipuaçu acabou causando uma reação inesperada e muito saudável para a Ufologia. Para esclarecer a comunidade local, o prefeito Denilso Casal, reconhecendo a seriedade do que se passava na área, convocou a Revista UFO para realizar um congresso sobre o tema. A idéia era tratar de Ufologia em geral e dos agroglifos em particular, para oferecer não somente aos ipuaçuenses e catarinenses, mas também a todo o Brasil, uma visão abrangente do fenômeno. E assim, com o apoio do poder público municipal, foi realizado, em 27 de março, o Iº Encontro Nacional de Ufologia em Ipuaçu, que contou com a presença de especialistas de todo o país.

crédito: Leonardo Prudêncio
Cerca de 600 pessoal de todo o oeste de Santa Catarina e de outros estados compareceram ao Iº Encontro Nacional de Ufologia em Ipuaçu, o maior evento na área já realizado no estado
Cerca de 600 pessoal de todo o oeste de Santa Catarina e de outros estados compareceram ao Iº Encontro Nacional de Ufologia em Ipuaçu, o maior evento na área já realizado no estado

O evento teve o apoio do Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), do Instituto Galileo Galilei de Pesquisas sobre Vida Extraterrestre (IGG), do Núcleo de Pesquisas Ufológicas (NPU) e do Sistema Princesa de Comunicações. Sua realização se deu no Clube Lageadense, na cidade, tendo início às 09h00 e sendo concluído às 19h00. Aproximadamente 600 pessoas compareceram ao ginásio de esportes, entre moradores, agricultores, jovens, convidados e imprensa local e estadual, para informarem-se sobre os agroglifos.

Iniciativa e coragem raras

O Iº Encontro Nacional de Ufologia em Ipuaçu foi aberto pelo prefeito Casal, cuja iniciativa e coragem devem ser destacadas, uma vez que a abordagem pública da presença alienígena na Terra geralmente causa constrangimento ao meio político, mas não o intimidou nem a sua equipe. “Temos que ir a fundo nesta questão e o faremos com o apoio de especialistas como os que se apresentarão neste evento e de outros que oferecerem seus esforços para a compreensão deste mistério”, declarou ao dar por abertos os trabalhos. Ele admitiu que sua decisão de tratar da questão em acontecimento desta envergadura partiu de um apelo de sua municipalidade. “Ouvi os relatos dos moradores e saí em busca de respostas para o fenômeno”. Hoje, após o ceticismo inicial que se espalhou pela região, principalmente entre políticos de cidades vizinhas, os agroglifos de Ipuaçu são vistos com seriedade e credibilidade.

crédito: Arquivo UFO
Denilso Casal, prefeito de Ipuaçu
Denilso Casal, prefeito de Ipuaçu

Após a cerimônia de abertura e a composição da mesa por autoridades locais, regionais e estaduais, assim como pelos conferencistas, teve início a primeira palestra, proferida pelo ufólogo carioca Marco Antonio Petit, co-editor da Revista UFO e autor, entre outros livros de UFOs: Arquivo Confidencial [Código LIV-019 da coleção Biblioteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br]. O estudioso abordou casos ufológicos clássicos, demonstrando às pessoas leigas no assunto que o Fenômeno UFO acontece há muito tempo e que sua fase moderna se iniciou em 1947, com o avistamento do piloto Kenneth Arnold — quando o termo disco voador foi criado — e a queda de dois UFOs na região de Roswell, Novo México, Estados Unidos. Petit também falou sobre o acobertamento da fenomenologia ufológica por parte das autoridades e forças militares.

Quando os círculos voltarem, em 2010, estaremos ainda mais preparados para darmos uma resposta ao Brasil
— Denilso Casal, prefeito de Ipuaçu (SC)

Em seguida foi a vez do gaúcho Rafael Amorim, consultor da Revista UFO e coordenador do Núcleo de Estudos Ufológicos de Santa Cruz do Sul (NEUS), que levou à Ipuaçu uma interessante palestra sobre avistamentos no interior do Rio Grande do Sul, falando da presença de UFOs nas lendas indígenas e apresentando casos como o de Olmiro Rosa, de 1954, que encontrou um ser recolhendo amostras de feijão e milho em sua propriedade. Amorim também tratou do episódio envolvendo o contatado Arthur Berlet, de Sarandi (RS), que teve uma experiência direta com extraterrestres. Outro caso apresentado pelo estudioso ocorreu em General Câmara (RS), onde a população viu um objeto em forma de nuvem com um furo no meio deslocando-se pela região. “Mas, de todos, o caso do piloto Haroldo Westendorff, acontecido em 1996, na Lagoa dos Patos, deve ser o mais espantoso de toda a casuística gaúcha”, disse. Westendorff voou ao lado de um objeto de forma piramidal com o tamanho de um campo de futebol. A apresentação destes episódios demonstrou aos ipuaçuenses e participantes de outros municípios que pessoas como eles, até em regiões distantes, também testemunharam objetos estranhos ao longo das últimas décadas, provando que o fenômeno é muito comum.

Implantes, fotos e documentos

A terceira apresentação foi do ufólogo Rafael Cury, co-editor da Revista UFO e presidente do Núcleo de Pesquisas Ufológicas (NPU). Cury falou das evidências da Ufologia e mostrou fotografias, filmagens e sinais físicos que denunciam a presença e a materialidade dos discos voadores, como os próprios agroglifos, a detecção por radares aeronáuticos, as interferências eletromagnéticas, os avistamentos e abduções — além da descoberta de implantes sob a pele de contatados, que também demonstram que o fenômeno é real, material e de gravidade. Após o almoço, o perito criminal Toni Inajar Kurowski, também consultor da UFO, apresentou sua palestra mostrando como se analisam fotos e filmes de UFOs para autenticar a veracidade de um avistamento ou para desmascarar uma fraude. Em sua conferência, Kurowski exibiu fotos consideradas autênticas e outras que foram desmistificadas, assim como os procedimentos técnicos que levaram a estas conclusões. “É de suma importância um trabalho pericial sobre as imagens, pois são elas que podem nos mostrar a materialidade do fenômeno e suas características”, disse.

Em seguida, o ufólogo brasiliense Fernando de Aragão Ramalho, conselheiro especial da UFO e vice-presidente da Entidade Brasileira de Estudos Extraterrestres (EBE-ET), apresentou sua palestra sobre o fim do segredo aos UFOs no Brasil, através da campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, lançada pela Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), da qual é atual coordenador. Ramalho é um dos responsáveis pela abertura de documentos oficiais das forças armadas brasileiras, e em sua conferência explicou como funciona o processo também em outros países, a exemplo dos Estados Unidos, e como a França e a Inglaterra liberaram seus arquivos oficiais recentemente.

O estudioso discorreu longamente sobre os procedimentos da campanha pela liberdade de informações no Brasil e descreveu a visita dos ufólogos brasileiros ao Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta), em 2005, onde lhes foram apresentadas pastas com documentos oficiais da Aeronáutica sobre avistamentos de UFOs. “Devemos usar as leis que tratam da liberação de documentos ultra-secretos, secretos e confidenciais através de instrumentos como o Dossiê UFO Brasil, de 2007, que busca liquidar o segredo aos UFOs no país”, disse [Veja edições UFO 156 e 160].

O desafio dos círculos ingleses

A próxima conferencista foi a pesquisadora e terapeuta holística carioca Anna Sharp, escalada para o encontro de Ufologia na última hora. Ela falou de suas experiências e observações sobre os círculos ingleses, que visitou há pouco, assim como a pesquisa que fez dos agroglifos em Ipuaçu, com o apoio do seu filho, o documentarista Norman Sharp. Anna corroborou pesquisa anterior e declarou que, dentro da marca circular de 2008, conseguiu encontrar sinal de operação de telefones celulares, e que o seu aparelho funcionou com máxima potencial, ao passo que em toda a região a recepção é quase inexistente. Ela esteve em 2009 na Inglaterra entrevistando pesquisadores e testemunhos dos agroglifos.

O jornalista Ivo Luis Dohl, profissional da Rede Princesa de Comunicação que acompanhou pessoalmente a descoberta dos agroglifos de Ipuaçu, fez palestra em seguida mostrando como tudo aconteceu em 2008 e 2009, e apresentou à platéia o proprietário de uma das plantações em que os fenômenos surgiram, Nilson Biazzotto, que ofereceu seu depoimento à platéia. “Nenhum homem ou máquina poderia ter feito aquela ‘coisa’ no campo”, disse o agricultor emocionado. Dohl também apresentou a todos o vereador Paulo Boita, da vizinha Xanxerê (SC), que falou sobre os estranhos efeitos que testemunhou dentro dos círculos, como o caso do funcionamento dos telefones celulares descrito por Anna. O jornalista, que é também consultor da Revista UFO, recebeu total apoio do Sistema Princesa para a cobertura dos fatos, que percebeu a importância e a seriedade dos agroglifos que aconteceram na região. “Aqui em Santa Catarina todo mundo tinha interesse em saber de onde vieram estas marcas e muita gente achava que era brincadeira. Mas isso até mostrarmos que eram algo muito sério”, declarou.

crédito: Arquivo UFO
O repórter Ivo Luis Dohl apresentou evidências físicas e testemunhas dos agroglifos: ”Eles não podem ser feitos por seres humanos”
O repórter Ivo Luis Dohl apresentou evidências físicas e testemunhas dos agroglifos: ”Eles não podem ser feitos por seres humanos”

Encerrando as palestras do evento, o ufólogo e editor da Revista UFO A. J. Gevaerd apresentou sua pesquisa sobre os círculos ingleses e sobre os agroglifos de Ipuaçu, destacando que a explicação mais plausível para o fenômeno é a de que os desenhos são mensagens de algum tipo enviadas por inteligências superiores, por razões ainda desconhecidas. Ele repudiou a atitude dos grupos céticos, que afirmam que os agroglifos são fraudes. “Se eles são fraudes, onde estão os fraudadores? E qual é sua motivação, já que nunca se manifestaram?”, questionou, completando que a atitude de rejeição ao fenômeno, por parte de quem nem sequer o investigou, se divide entre ignorância e preconceito. Gevaerd informou ainda que até um prêmio em dinheiro foi oferecido em 2008 para que pessoas fossem às plantações tentarem repetir os fenômenos com exatidão, mas ninguém até agora aceitou o desafio, pois os agroglifos são complexos e sua reprodução, com nossas técnicas, é impossível.

Formação de uma defesa planetária

Finalizando o evento, foi a vez da manifestação especial do brigadeiro José Carlos Pereira, da Reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) e ex-presidente da Infraero, que abordou a visão do meio militar quanto ao Fenômeno UFO. Ele também revelou, de forma preocupante, que um asteróide passou perto da Terra em março de 2009, e que sua existência só foi descoberta dois dias antes. Com isso, demonstrou a necessidade urgente de todos os países monitorarem o espaço em busca de ameaças iminentes. “Para tanto, seria importante uma redução nas intrigas internacionais e a união das nações para formarem uma defesa planetária”, disse. Quanto aos agroglifos, Pereira, hoje membro da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), falou que são uma verdadeira “obra de arte”, e concluiu sua aplaudida palestra dizendo que, quando investigamos algo, temos que formular e responder cinco perguntas antes: o quê, quem, quando, onde e como? “Somente após solucionarmos cada uma destas interrogações é que devemos nos perguntar: por quê? Pois, se indagarmos isso em primeiro lugar, estaremos fadados a perpetuar o mistério que está sendo investigado”.

Temos que formular cinco perguntas antes: o quê, quem, quando, onde e como? Somente após isso é que devemos nos perguntar: por quê?
— brigadeiro José Carlos Pereira

Como era de se esperar, o evento mobilizou boa parte da população local, além da Prefeitura Municipal de Ipuaçu e do Sistema Princesa de Comunicações, assim como um grupo de artistas e empresários. “Muita gente ficou animada e quis tratar os conferencistas com carinho, visto seu esforço para virem ao oeste do estado trazer sua mensagem”, disse Ivo Luis Dohl, o responsável por recolher presentes aos ufólogos, oferecidos, entre outros, pela Gráfica News Print, Alambique Refazenda, Chás Nobel, Cestas Daliz e até pelos internos do Presídio Regional de Xanxerê. Especial agradecimento foi feito, no evento, à diretoria da Princesa, que disponibilizou suas rádios AM e FM, além dos jornais A Gazeta e Folha Regional, para anunciar e cobrir o evento.

crédito: Arquivo UFO
Pereira em seu pronunciamento
Pereira em seu pronunciamento

Assim, após um debate com perguntas da platéia e respostas firmes dos conferencistas, que mostraram mais uma vez a gravidade da manifestação ufológica no planeta, Iº Encontro Nacional de Ufologia em Ipuaçu foi encerrado, com a esperança que, em 2010, os agroglifos possam surgir novamente — e com o acompanhamento imediato das autoridades e pesquisadores. “Quando eles voltarem, estaremos mais preparados para dar uma resposta ao Brasil”, declarou o prefeito Denilso Casal. Até lá, o mistério continua!

O lado sinistro da presença extraterrestre no planeta

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May de 2010

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