ARTIGO

Após décadas, o mistério das luzes de Hessdalen segue sem solução

Por Thiago Luiz Ticchetti | Edição 207 | 01 de Janeiro de 2014

A Estação de Medição Automática de Hessdalen, que capta as manifestações e registra em vídeo
Créditos: Projeto Hessdalen

Após décadas, o mistério das luzes de Hessdalen segue sem solução

Hessdalen é o nome de um pequeno vale localizado a 40 km da cidade de Roros, na Noruega. Tem 15 km de extensão e é cercado pelas montanhas Ratvollfjellet, Rognefjell e Stordalshogda, que estão entre 900 e 1.000 m acima do nível do mar. Existem dois lagos ao sul de Hessdalen, Hersjoen e Oyungen, e a maioria de seus cerca de 200 habitantes vivem próximos à rodovia que passa pela região. O lugar não seria nada além de uma bucólica vila na área dos fiordes noruegueses se não fosse um fenômeno que há décadas vem se manifestando intensamente ali, atraindo a atenção de estudiosos de todo o mundo — incluindo cientistas — e a curiosidade de todos nos países escandinavos.

O fato teve início em dezembro de 1981, quando moradores do vilarejo começaram a assistir estranhas luzes manobrando frequentemente no vale à frente, chegando a aparecer entre 20 e 30 vezes por semana. Este número de avistamentos durou até o verão de 1984, dando origem ao programa científico Projeto Hessdalen, que existiu naquele e no seguinte, restando hoje apenas pequenas ações isoladas de pesquisas de seus antigos membros. Atualmente, o número de ocorrências é bem reduzido, chegando a 20 por ano, e são monitoradas pela Estação de Medição Automática de Hessdalen [Hessdalen Automatic Measurement Station, HAMS]. Embora a maioria dos avistamentos se deem no vale, algumas cidades vizinhas também registraram o estranho fenômeno.

As luzes aparecem em todos os lugares — algumas vezes são vistas rentes aos telhados das casas, sobre o chão ou suspensas no ar. Entretanto, geralmente são relatadas próximas dos cumes das montanhas ao redor e ninguém jamais conseguiu explicar o que seriam, pois suas cores e comportamento são muito diferentes entre si. Tanto que foram classificadas em três grupos, de acordo com suas características. No grupo um estão os flashes brancos e azuis, pequenos e fortes, que aparecem em qualquer lugar do céu. Já o grupo dois é o de luzes brancas ou amarelas com diferentes formas, variando entre circulares, ovais e cilíndricas — os fenômenos deste grupo são frequentemente vistos no vale, podendo ficar parados no mesmo lugar por quase uma hora e movimentar-se lentamente, acelerando repentinamente.

Expedições e constatações

No grupo três foram colocadas manifestações envolvendo várias luzes vistas ao mesmo tempo, com distância fixa entre elas — parecem pertencer a um mesmo objeto e na maioria das vezes são dois focos amarelos, um branco e um vermelho à frente. Muitas pessoas chamam estas luzes de “objeto” e elas se movem lentamente sobre as montanhas, sendo mais vistas durante o outono, inverno e a primavera. Com tantos registros e pouco conhecimento a respeito do fenômeno, o Projeto Hessdalen, criado em 03 de junho de 1983, tinha entre seus objetivos desvendar a origem dessas ocorrências, além de tentar envolver cientistas de universidades locais nas pesquisas.

crédito: Foto Projeto Hessdalen
As luzes são registradas cientificamente desde os anos 80, mas, apesar das intensas pesquisas, ainda não tiveram uma explicação
As luzes são registradas cientificamente desde os anos 80, mas, apesar das intensas pesquisas, ainda não tiveram uma explicação

A primeira expedição oficial do projeto ocorreu de 21 de janeiro a 26 de fevereiro de 1984 com um grupo de 40 pessoas e obteve resultados que deixaram todos perplexos, pois foram registrados 53 fenômenos luminosos. Um radar que media a distância e a velocidade das luzes mostrou que uma delas chegou a incríveis 30 mil km/h. Descobriu-se também que em muitos casos os focos eram tão rápidos que a olho humano não era possível percebê-los, somente por meio do radar. Para descartar a possibilidade de as luzes seres provocadas por abalos sísmicos, um sismógrafo foi utilizado nas investigações e não registrou qualquer anomalia naquele local, assim como um medidor de campo magnético mostrou que aconteciam alterações no magnetismo quando o fenômeno se manifestava.

Outros aspectos do fenômeno que deixaram o grupo intrigado foram os indicadores do aparelho que mede ondas de rádio, usado para ver se sinais de rádio e TV seriam afetados por ele — o resultado foi de que não houve interferência neste campo, mas foi registrado um som harmônico e sem explicação na faixa de 80 MHz. Também foi utilizada uma câmera que mostrava a propagação das ondas das luzes e sua conclusão mostrou um espectro contínuo, o que não seria possível se fossem bolas de gás, naturais ou artificiais. Mas o que foi mais intrigante foi o teste com laser. Muitas testemunhas afirmaram que, quando se disparava um forte feixe de laser na direção das luzes, elas reagiam de forma inesperada. Por isso, o teste foi feito com um laser à base de hélio e neon (He-Ne). A oportunidade surgiu em uma noite fria quando uma luz piscando voava na direção norte. Ao se disparar o laser sobre ele, o foco se dividiu em dois com as mesmas características. E quando se desligava o aparelho, eles voltavam a ser um só objeto — este procedimento foi feito por quatro vezes, dando o mesmo resultado.

Uma semana após o teste com o He-Ne, uma luz vermelha apareceu aos pés dos observadores e se parecia com o laser utilizado por eles. Mas desapareceu em poucos segundos, impossibilitando qualquer tentativa de análise. Algumas pessoas do grupo disseram terem tido uma percepção de movimento naquele instante, como se estivessem em um barco, sendo que a sensação, segundo as testemunhas, vinha do interior de suas cabeças. Enfim, com todos esses dados, uma segunda pesquisa de campo foi feita com aparelhagem apropriada entre 12 e 28 de janeiro de 1985, e um terceiro grupo, este sem instrumentos, ficou no local de 29 de janeiro a 11 de fevereiro — a intenção dessa nova investigação era testar se aconteceriam mais avistamentos sem o emprego de equipamentos. E foi exatamente isso que foi constatado, pois as luzes apareciam quando não havia câmeras ligadas, dando a sensação de que não queriam ser filmadas ou fotografadas.

Imensa luz cilíndrica

Um avistamento, ocorrido em 21 de janeiro, também marcou este período de pesquisas. Na ocasião, um grupo de seis pessoas foi acordado à noite no acampamento por uma luz muito forte que vinha do vale. Ao saírem de suas barracas, todos puderam observar um imenso artefato luminoso de formato cilíndrico pairando no ar, com dezenas de esferas nas cores branca, azul e amarela entrando e saindo dele. Ao pegarem seus instrumentos para fotografar e filmar aquilo, no entanto, eles simplesmente não funcionaram. O avistamento não durou mais do que 10 segundos, mas foi o suficiente para que todos acreditassem que algo não terrestre ocorreu ali.

Devido à intensidade das atividades ufológicas da região, surgiu a teoria de que lá estaria localizada uma base alienígena secreta. Pelo menos, isso é o que pensa o ufólogo veterano Scott Waring, que acredita que ETs tenham um esconderijo subterrâneo em Hessdalen, e ela não seria pequena. “Para que tenhamos tantos avistamentos assim, por todo esse tempo, tem que existir uma grande população alienígena vivendo debaixo de nossos pés. Cavem entre 30 e 50 m e garanto que encontrarão a base”, afirma. Ainda segundo Waring, seriam quatro as bases alienígenas na Noruega, nas localidades de Finmark, Troms e Storsteinsfjellet, além de Hessdalen. Elas serviriam de abrigo para os ETs enquanto fariam suas pesquisas no planeta.

Devido à intensidade das atividades ufológicas, surgiu a teoria de que lá estaria localizada uma base alienígena secreta. Pelo menos, isso é o que pensa o ufólogo veterano Scott Waring, que acredita que ETs tenham um esconderijo em Hessdalen

Claro que se trata de uma hipótese mirabolante, mas, para Scott, basta verificar os fatos. “Um fenômeno que ocorre há pelo menos 30 anos, ininterruptamente, não pode estar associado a algo natural. Como alguma coisa desse porte se mantém em segredo? Só havendo uma inteligência por trás disso”, diz. Verdade ou não, o que se sabe é que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) construiu uma estação de radar subterrânea nos arredores de Hessdalen para, segundo afirmam seus porta-vozes, controlar o tráfego aéreo naquela região do Hemisfério Norte. Muitos pesquisadores não acreditam nisso e o fenômeno ganhou o mundo, chegando a ser citado no relatório secreto inglês Sturrock.

Ainda na década de 80, o famoso pesquisador e ex-colaborador do Projeto Livro Azul J. Allen Hynek esteve fazendo suas investigações no local, e há quem diga que ele chegou a ver e filmar um ser alienígena lá. A informação surgiu em meados dos anos 90, quando a suposta filmagem que mostraria a imagem do alien foi publicada na internet — nela é possível ver o que parece um ser vestindo uma roupa branca brilhante. Apesar de pouca gente dar credibilidade a esta gravação, o fato é que, durante a visita de Hynek a Hessdalen, ele e mais um pequeno grupo de cientistas do projeto teriam tido várias experiências.

Hynek registra um alien?

Conta-se que um dia, quando saíram logo ao amanhecer para o campo, antes mesmo de os demais terem acordado, e ao chegarem próximos a uma clareira rodeada por grandes árvores, viram o suposto alienígena parado. Imediatamente pegaram sua câmera de vídeo e começaram a filmá-lo. A história até foi confirmada por alguns, mas o que se segue após isso é algo que beira à fantasia. Diz-se que, ao notar a presença dos humanos, o ser teria levantado os braços, a clareira se iluminado e uma bola de luz surgira. Neste momento a câmera de vídeo teria parado de funcionar. O brilho do objeto foi descrito como tão intenso que chegava a cegar os pesquisadores e, quando tudo voltou ao normal, a entidade e a bola de luz haviam sumido. Este fato incrível nunca foi comprovado, mas uma declaração de Hynek não deixa dúvidas sobre o que pensava: “Estou impressionado com o que acontece em Hessdalen, porque ali há um verdadeiro laboratório ufológico. É um lugar onde as coisas estão acontecendo e onde devem ser estudadas”.

Em 1993 foi feita uma apresentação dos resultados da pesquisa para os moradores do vale, e também se realizou um workshop para atrair a atenção da comunidade científica para debater as hipóteses e explicar o fenômeno. Foi então, no inverno de 1994, que 28 cientistas de várias partes do mundo se encontraram ali para o 1º Congresso Científico sobre o Fenômeno de Hessdalen. O professor russo Boris Smirnov, concorrente ao Prêmio Nobel, e David Fryberger, do Centro de Aceleração Linear da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, deram sua opinião dizendo que o fenômeno não poderia ser explicado com base nas teorias físicas daquela época e que uma investigação ainda mais profunda deveria ser feita. “Isso pode levar a novos conceitos de física”, disse Fryberger.


Atraindo cientistas

Várias palestras foram feitas e relatórios foram apresentados durante o congresso, mas nenhum conseguiu explicar a origem dos artefatos aéreos. Dentre as teorias mais interessantes discutidas estavam algumas com nomes técnicos, como Hipótese do Autocampo Eletromagnético, Tese do Modelo da Bola de Luz e Estrutura Fractal e Teoria do Plasma Rotatório. O encontro teve grande cobertura da mídia e foi focado no aspecto científico da investigação, mas nenhum dos conferencistas arriscou sua carreira afirmando que seres e naves extraterrestres seriam os responsáveis pelos acontecimentos — a conclusão foi apenas que as manifestações não eram do fenômeno meteorológico conhecido como bolas de luz, nada mais.

crédito: Arne Allufson
Erling Strand: “Tentamos unir Ufologia, ciência e educação em um só conjunto”
Erling Strand: “Tentamos unir Ufologia, ciência e educação em um só conjunto”

Foi em 1998 que o projeto recebeu sua Estação de Medição Automática de Hessdalen, localizada nas montanhas Rognefjell, na área nordeste do vale. A unidade é composta por diversos computadores, câmeras de vídeo e aparelhos de medições diversas, todos voltados para a detecção e registro dos fenômenos luminosos. Como tudo é automatizado na estação, os aparelhos começam a registrar quando algo fora do normal é detectado. Mas, para disparar o sistema, as luzes têm que ser mais velozes, maiores e mais fortes do que qualquer tipo de fenômeno atmosférico conhecido. Assim, no período de 1998 a 2001 foram registradas 271 interessantes imagens, sendo que 148 delas foram minuciosamente analisadas. Do total, em 79 imagens foram mostradas luzes desconhecidas [As imagens podem ser vistas no site do projeto: www.hessdalen.org].

Investigações científicas

Há três anos, a Revista UFO lançou um documentário que trata minuciosamente do Projeto Hessdalen e seus resultados, com abundância de imagens. O programa foi produzido por um dos pesquisadores noruegueses, Terje Toftenes, e recebeu no Brasil o nome de Portal [Código DVD- 032 da coleção Videoteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br]. Em todos esses anos de investigações, inúmeras hipóteses foram levantadas para se tentar descobrir a origem das esferas de luz. Uma das mais recentes sugeriu que eram formadas por cristais coulomb macroscópicos em plasma, produzidos pela ionização do ar e poeira durante a decantação do pó da atmosfera. Muitas das propriedades físicas — tais como oscilação, estrutura geométrica e luz espectral — observadas nos fenômenos de Hessdalen podem sim ser explicadas pela proposta, mas o fato de as luzes se dividirem em duas quando atingidas por laser e suas altas velocidades permanecem inexplicadas.

As luzes norueguesas são tão complexas e intrigantes que, em 2012, a União Europeia de Geociências (EGU) incluiu tais manifestações em sua pauta de discussões. As respostas surgidas podem não ser as que os ufólogos pretendiam, ou seja, que as luzes eram objetos extraterrestres ou controlados por inteligências alienígenas, mas os cientistas chegaram a discutir a existência de um fenômeno aéreo de origem desconhecida e até então inexplicada, o que já um grande progresso. “Falta pouco para se admitir que não são deste planeta”, disse Henry Schultz, um dos membros da EGU. Para os cientistas, embora não haja razão para se crer que o fenômeno seja extraterrestre, o fenômeno de Hessdalen está confirmado cientificamente, o que sugere interessantes possibilidades.

crédito: Projeto Hessdalen
As luzes de Hessdalen desafiam ufólogos e cientistas, e parecem estar longe de receberem uma explicação definitiva
As luzes de Hessdalen desafiam ufólogos e cientistas, e parecem estar longe de receberem uma explicação definitiva

O pesquisador norueguês Bjorn Hauge, professor do Departamento de Engenharia da Universidade de Ostfold, e a doutora Simone Montebugnoli, do Instituto de Radioastronomia de Bologna, na Itália, apresentaram suas pesquisas em um encontro da EGU revelando que há testemunhos das luzes aéreas de Hessdalen que datam de 1811 — segundo os estudiosos, elas podem aparecer à baixa altitude na atmosfera, permanecendo estagnadas até que de repente acelerem em direção ao espaço, em velocidades espantosas. Para Erling Strand, professor do Departamento de Informação Tecnológica da Universidade de Ostfold, na Noruega, e um dos fundadores do Projeto Hessdalen, “muitos cientistas e céticos ainda duvidam da existência das luzes e eu lhes respondo com documentação, provas e registros, todos cientificamente comprovados”.

O Projeto Hessdalen hoje

Os avistamentos não pararam até hoje e o projeto também continua, mas agora com propostas também em outras frentes, como ensinar jovens estudantes que, em vez de em salas de aula ou em laboratórios, eles devem estudar ciência no campo, sugerindo uma expedição até a estação implantada no vale, onde podem realizar experimentos e comprovar os fatos. Para alguns destes jovens a empreitada tem um pouco de Indiana Jones e eles ficam ansiosos por testemunharem um fenômeno desconhecido com seus computadores e instrumentos. “Eles buscam conhecimento, mas é claro que querem mesmo é ver as famosas luzes. Praticamente todos os que foram lá já viram algum fato anômalo. Tentamos unir Ufologia, ciência e educação em um só conjunto”, afirmou Strand. Ele diz que ainda ocorrem em Hessdalen expedições científicas vindas de vários países.

As luzes às vezes causam problemas. Em 01 de agosto de 2011 um grupo de policiais fazia treinamento de resgate no vale quando foi surpreendido pela manifestação de uma esfera de luz com mais de 3 m de diâmetro. Enquanto alguns desciam de rapel, outros aguardavam no pé da montanha, mas todos viram o foco luminoso. “Corremos um grande risco, pois aquela esfera nos tirou a concentração. Eu estava pendurado a mais de 20 m de altura e, se despencasse lá de cima, não sobreviveria”, relatou o oficial Törn Effsberg. O episódio desencadeou uma série de ações militares, como uma investigação secreta que teria sido conduzida e cujo resultado jamais fora conhecido. De acordo com os moradores da região, nunca se tinha visto atividade militar tão grande como aquela que se seguiu alguns dias após o caso envolvendo os policiais — foram utilizados aviões, helicópteros e até mesmo tropas, o que levantou a possibilidade de que as Forças Armadas Norueguesas estariam procurando “alguma coisa”, mas concretamente nada vazou.

Em 23 de março de 2013 as câmeras da Estação de Medição Automática de Hessdalen flagraram dois artefatos muito luminosos cruzando o vale a partir de Holtalen. No momento do evento, cerca de cinco pessoas, entre elas dois cientistas da Universidade de Oslo, estavam presentes e puderam atestar a veracidade do avistamento. Ao contrário do que ocorreu em outras ocasiões, os aparelhos não sofreram problemas técnicos para filmar os UFOs. Já em agosto de 2013 houve um aumento nos casos de avistamentos na área, o que levou o governo do país a investigar cinco ocorrências. A primeira delas foi a registrada no dia 16, por volta das 22h30, em Battjonndalen, quando Sven Unset observou uma luz indo na direção sudoeste, logo acima do cume das montanhas. Segundos depois a luz se dividiu em três outras, que passaram a zigue-zaguear no céu. Em seguida, para surpresa da testemunha, uma luz muito maior surgiu e as três entraram dentro desta, que acelerou e desapareceu no espaço. O relato foi amplamente divulgado pela imprensa.

As luzes também causam pânico

Com o objetivo de também investigar o caso, membros do Projeto Hessdalen montaram uma base de apoio em Slettaelet, e não demorou muito para que eles também testemunhassem fatos inusitados. Em 17 de agosto, Thomas Dahl e um grupo composto por mais quatro pessoas avistaram, às 23h55, flashes de luz nas cores branca e azul passando velozmente sobre o vale. À 00h50, outros raios nas mesmas cores voltaram em sentido oposto. Já em 18 de agosto, às 02h05, o grupo viu três luzes emitindo flashes sobre o topo das árvores — mas, desta vez, o avistamento tornou-se mais assustador quando as luzes se aproximaram deles causando pânico. Segundo Dahl, os focos ficaram a no máximo 100 m de onde estavam. Eram esféricos, perfeitamente delineados e apresentavam movimento interno, apesar de terem aproximadamente um metro de diâmetro.

crédito: Foto Projeto Hessdalen

O último avistamento registrado ocorreu em 24 de agosto de 2013, às 10h01, também em Slettaelet, tendo várias pessoas como testemunhas. Segundo Stein Arne Johannessen, um dos presentes, a ocorrência começou com algumas luzes surgindo próximas das copas das árvores, depois subindo para uns 70 m de altitude e acelerando. Segundos depois retornaram e então desapareceram atrás das montanhas.

Assim, enquanto relatos de abduções alienígenas e acobertamento governamental estão na frente das discussões ufológicas, pouco se ouve sobre a mais comum das atividades nesta área, as luzes e sondas. É verdade que a maioria delas podem ser facilmente explicada como sendo aviões ou estrelas, por exemplo, mas há uma pequena porcentagem que permanece sem resposta. As luzes de Hessdalen são o melhor exemplo. O mistério dura três décadas e conta com centenas de relatos, fotos e filmes. O que acontece naquele vale é tão extraordinário que diversos cientistas já tentaram decifrá-lo, sem sucesso. Só o que sabemos é que Hessdalen é literalmente... um laboratório ufológico.

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Sobre o Autor

Thiago Luiz Ticchetti

Thiago Luiz Ticchetti nasceu no Rio de Janeiro. Filho de um oficial aviador da Aeronáutica, morou em Natal, Santa Maria e na capital carioca. Após o falecimento de seus pais, viveu pelo período de seis meses na cidade de Addlestone, na Inglaterra. Ao retornar ao Brasil, mudou-se para Brasília onde vive até hoje. Em 1997 assistiu ao I Fórum Mundial de Ufologia, realizado pela Revista UFO na Capital Federal, e foi convidado pelo pioneiro ufólogo Roberto Affonso Beck, ali presente, a ingressar na Entidade Brasileira de Estudos Extraterrestres (EBE-ET). Por mais de 10 anos participou ativamente do grupo, chegando a ser vice-presidente da entidade. É articulista da Revista UFO desde 1997, exercendo hoje a função de coeditor, após ter iniciado na publicação como seu tradutor e depois passado a consultor e atuado também como coordenador internacional. É responsável pela coluna mensal Mundo Ufológico e já escreveu dezenas de artigos para o veículo. Em especial, entrevistou para a revista inúmeros ufólogos nacionais e internacionais, alguns deles os maiores pesquisadores da Casuística Ufológica Mundial, como Phillip Mantle, David Jacobs, Kevin Randle, Nick Redfern, Steven Bassett, Carlos Ferguson, Stanton Friedman, Nick Pope, Jerome Clark, Graham Birdsall e Wendelle Stevens, para citar alguns. É autor dos livros Quedas de UFOs: Casos Confirmados de Acidentes com Discos Voadores e Resgates de Seus Tripulantes em Todo o Mundo[Coleção Biblioteca UFO, 2002], Guia da Tipologia Extraterrestre [Coleção Biblioteca UFO, 2014], Quedas de UFOs II [Coleção Biblioteca UFO, 2015] Guia da Tipologia dos UFOs [Coleção Biblioteca UFO, 2017], Arquivos UFO: casos ufológicos – Volume I, 2ª edição, Editora Conhecimento, 2017], Arquivos UFO: casos ufológicos – Volume II, 2ª edição, Editora Conhecimento, 2017], Arquivos UFO: casos ufológicos – Volume III, 1ª edição, Editora Conhecimento, 2018], Universo Insólito: Livro de Bordo, Parte 1 [Clube de Autores, 2015] e Universo Insólito: Livro de Bordo, Parte 2 [Clube de Autores, 2015]. É o único pesquisador brasileiro a ter artigos publicados pela revista inglesa UFO Matrix e foi pioneiro na publicação de um artigo sobre contatos de pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) com UFOs, ocorrido na revista inglesa UFO Truth Magazine, da qual também é colunista. Ticchetti é coordenador da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), assistente do diretor nacional da MUFON no Brasil e pesquisador de campo certificado pela MUFON. Formado em administração de empresas pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (AEUDF), Thiago Luiz Ticchetti é casado e pai de um casal de filhos. .

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