ARTIGO

A cronologia dos fatos na Noite Oficial dos UFOs no Brasil

Por Wallacy Albino | Edição 160 | 01 de Dezembro de 2009

O então ministro Moreira Lima [E] confirmou os UFOs e Ozires Silva os observou de seu Xingu
Créditos: ARQUIVO UFO

A cronologia dos fatos na Noite Oficial dos UFOs no Brasil

Um dos casos de maior credibilidade do repertório ufológico nacional é, sem dúvida, a “invasão” de uma frota de objetos voadores não identificados ocorrida na noite do dia 19 de maio de 1986. Não foi por acaso que o evento foi batizado pela Comunidade Ufológica Brasileira como Noite Oficial dos UFOs no Brasil, pois logo após os acontecimentos tivemos do então ministro da Aeronáutica, brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima, uma declaração inédita sobre os fatos [Veja artigo nesta edição]. Moreira Lima, juntamente com os pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) que perseguiram os artefatos, compareceu a uma entrevista coletiva com os principais órgãos da imprensa nacional, confirmando sem sombra de dúvidas a invasão de nosso espaço aéreo por UFOs.

Na ocasião, para espanto de todos, o militar confirmou à imprensa que foram nada menos do que 21 alvos detectados pelos radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta), e chegou a prometer publicamente a liberação, dentro de 30 dias, de um relatório completo sobre o episódio. Porém, em 19 de junho, data em que o documento deveria ser conhecido, nada ocorreu. E nos meses e anos seguintes, Moreira Lima se “esqueceu” de voltar ao assunto e nunca deu uma informação convincente da razão pela qual o relatório não foi tornado público, uma vez que, como sabemos agora, ele foi de fato produzido e está datado de 02 de junho de 1986 — bem antes do prazo de 30 dias. Trata-se do Relatório de Ocorrências que foi preparado pelo Comando Aéreo de Defesa Aérea (COMDA) e encaminhado ao ministro, tendo como base os depoimentos dos pilotos militares e civis, operadores de radar e relatórios preliminares.

Uma nova informação

Por mérito dos próprios ufólogos — a imprensa, de modo geral, silenciou e não cobrou efetivamente os relatórios da Aeronáutica –, os fatos nunca caíram em esquecimento, e agora, 23 anos depois, através do esforço e empenho da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), que idealizou a campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, o Governo Brasileiro liberou o documento oficial sobre o assunto. A peça finalmente comprova a autenticidade e a importância daquela marcante ocorrência ufológica da década de 80, tornando unânime a opinião de que se trata de uma das principais provas da Ufologia de que naves com tecnologia desconhecida e inteligentemente tripuladas estiveram presentes naquela noite sobre o país, colocando nosso sistema de defesa aérea em alerta máximo.

Mas este não foi o único documento gerado a respeito da Noite Oficial dos UFOs no Brasil. Há pelo menos mais um relatório, este ainda não liberado — se é que um dia o será –, sobre aquele fantástico episódio. O material já é de conhecimento da Ufologia Brasileira desde alguns meses após os fatos, e confirma que eram mesmo 21 os objetos voadores não identificados, vistos, detectados por radar e perseguidos pelos caças da FAB. Mais alarmante ainda é que tal relatório daria a medida dos artefatos em cerca de 100 m de diâmetro, ou seja, eram colossos voadores do tamanho de uma quadra urbana. Imagine o leitor 21 aparelhos como este sobre os principais aeroportos do país.

A confirmação da existência deste relatório, no entanto, é que nunca ficou clara aos ufólogos brasileiros. A informação de que se tratavam de 21 esferas de 100 m de diâmetro é repetida em artigos e sites há muitos anos, mas de onde vem ela? Segundo o editor da Revista UFO A. J. Gevaerd, ela teria sido passada na época ao então ufólogo Luiz Gonzaga de Paula por um dos comandantes do avião presidencial, na ocasião já aposentado, que teria servido, entre outros, ao presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo, falecido em 1999. O piloto, um experiente veterano da aviação brasileira, que voou aeronaves da FAB, depois comerciais e então finalizou sua carreira a serviço da Presidência da República, teria visto o relatório sobre os 21 artefatos — os quais Moreira Lima confirmou à imprensa — na sala de coordenação de vôo do Palácio do Planalto e lido seu conteúdo, e assim confidenciado seus detalhes. Agora se sabe mais sobre esta informação.

Cronologia dos acontecimentos

20h50 O primeiro UFO é detectado pela torre de controle de São José dos Campos, que solicita ao comandante Alcir Pereira da Silva, piloto da Embraer que estava com Ozires Silva a bordo de uma aeronave Xingu, próxima do local da detecção, que fizesse o reconhecimento visual daquele objeto.

21h10 Vários sinais luminosos finalmente são observados pelo comandante e Ozires Silva, a bordo da aeronave Xingu.

21h14 Controladores de vôo de São Paulo também registram sinais sem identificação em seus radares — chamados de plots e, mais atualizados, como “tráfego hotel”.

21h15 O controle de radar de São Paulo informa ao Cindacta a detecção e verificação dos estranhos objetos voadores.

21h20 O controle de tráfego aéreo em Brasília também confirma a presença de sinais sem identificação nos radares.

22h23 Decola da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, o primeiro caça F-5 para tentar identificar e interceptar os objetos não identificados.

22h45 O radar da Base Aérea de Anápolis (GO) aponta mais sinais sem identificação e manda um caça Mirage decolar em busca dos UFOs.

23h15 O piloto do primeiro caça F-5 a entrar em ação avista os objetos não identificados pela primeira vez e começa a persegui-los.

23h17 Mais um caça Mirage decola da Base de Anápolis, aumentando a perseguição aos UFOs.

23h20 O caça F-5 detecta pela primeira vez os objetos em seu radar de bordo. Minutos depois, um terceiro Mirage decola da Base Aérea de Anápolis, em Goiás, atrás dos intrusos.

Os avistamentos e perseguições continuaram durante as primeiras horas do dia 20 até que a esquadrilha de UFOs desaparecesse em direção ao Oceano Atlântico. Importante testemunha deste caso foi Ozires Silva. Na sua última entrevista sobre os fatos, concedida em 2008 para órgãos de imprensa da Baixada Santista, quando a região passava por uma onda muito forte de ocorrências ufológicas, sob investigação do Grupo de Estudos Ufológicos da Baixada Santista (GEUBS), Silva disse que o caso de 19 de maio 1986 ainda é “um enorme mistério para mim”. Na oportunidade, Silva relatou que, por volta de 21h30, quando estava perto de Poços de Caldas, o operador do controle de tráfego aéreo lhe perguntou se eu estava vendo alguma coisa estranha no ar, pois o radar havia detectado pontos não identificados. “Olhei e não vi nada. Continuei voando em direção a São José dos Campos e perguntei ao controlador onde estavam os objetos. Olhando para a direção que me foi indicada, vi algo que parecia um astro luminoso, avermelhado, de forma alongada”, declarou. Tinha início ali sua tentativa de se aproximar do fenômeno para vê-lo melhor.

crédito: ARQUIVO UFO
Segundo Silva um astro não aparece no radar. Dentro da escala humana, aqueles objetos não têm explicação. A diferença deste caso dos outros é que estes objetos foram detectados pelo radar. Houve uma constatação física o que dá mais credibilidade ao fato"

Ozires Silva então pediu autorização da torre de controle e seguiu na direção do UFO, mas quando tentava maior aproximação, o objeto desapareceu. Isso também foi constatado por um piloto da Varig. Inquirido, forneceu sua opinião de maneira conscienciosa: “Um astro não aparece no radar. Dentro da escala humana, aqueles objetos não têm explicação. A diferença deste caso para outros é que estes objetos foram detectados pelo radar. Houve uma constatação física, o que dá maior credibilidade ao fato”. Nesta entrevista, Silva ainda viu e deu sua opinião sobre as imagens de um UFO que foi fotografado na Rodovia Imigrantes, há poucos meses [Veja edição UFO 151] e comentou sobre as mesmas: “É interessante, esse objeto que tem luz própria, diferente daquele que vi em 1986, que parecia mais ter uma luminosidade refletida. É algo diferente e bem interessante”.

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Sobre o Autor

Wallacy Albino

Wallacy Albino nasceu na cidade de Santos (SP). Seu interesse por Ufologia começou com dois avistamentos no início da década de 80. Em 1985, fundou o Grupo de Estudos Ufológicos de Santos (GEUFOS), que manteve intensas pesquisas no litoral paulista e no Vale do Paraíba. Em 1994, foi diretor-geral do Grupo Ufológico do Guarujá (GUG), exercendo o cargo até 1999. Dois anos depois, participou das investigações do Caso Varginha, no sul de Minas Gerais, ocorrido em 1996 e considerado uma das principais ocorrências ufológicas do Brasil. Em 1997, realizou diversas pesquisas no Caribe, considerado um local de intensa atividade ufológica. Em seguida, foi o principal pesquisador dos casos relacionados com os ataques do Chupacabras no litoral paulista. Foi também o primeiro ufólogo brasileiro a pesquisar a intensa casuística no arquipélago de Fernando de Noronha (PE). Já em 1999, integrou o Instituto Nacional de Investigação de Fenômenos Aeroespaciais (INFA), exercendo o cargo de diretor de pesquisas. Wallacy faz parte do grupo de consultores da Revista UFO e é presidente do Grupo de Estudos Ufológicos da Baixada Santista (GEUBS), fundado em 2000, hoje uma das entidades do gênero mais atuantes no Brasil. Desde 1998, é o diretor regional da entidade norte-americana Mutual UFO Network (MUFON) em toda a extensão do litoral do Estado de São Paulo. Wallacy desenvolve um importante trabalho sobre o misterioso fenômeno dos círculos ingleses, tema escolhido para este livro e para as palestras que vem ministrando em diversos congressos brasileiros.

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