A controvérsia sobre a água em Marte: rios e mares ou uma grossa capa de gelo?

A. J. Gevaerd
5 minutos de leitura

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Cratera Korolev, em Marte
Créditos: NASA/ESO

Marte é o planeta da vez, não há dúvida sobre isso. Conforme mais dados sobre nosso vizinho são coletados, mais estudos surgem e com eles novas teorias para explicar o passado do Planeta Vermelho.

 O ser humano é fascinado por Marte há milênios. Seu brilho vermelho intenso no céu noturno acabou lhe valendo o nome de Marte, o deus romano da Guerra, uma adaptação do deus Ares, dos gregos. Os romanos glorificavam as guerras, os gregos as temiam.

Esse fascínio pelo Planeta Vermelho e por seus supostos, mas não existentes, habitantes, foi sofrendo modificações ao longo das eras até chegarmos aos dias atuais, onde a discussão se ampliou muito e há um grande investimento para se decifrar os segredos de Marte.

O mais recente deles é sobre a questão de ter havido água corrente no planeta, com rios e até mares fluindo normalmente, o que abria um enorme leque de possibilidades sobre a existência de vida no passado de nosso vizinho.

 

Água corrente ou apenas uma grande capa de gelo?

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Imagem de alta definição mostrando o polo norte de Marte Crédito: NASA

Mas segundo um estudo recente pulicado na revista Nature Geoscience, o grande número de redes de vales que marca a superfície de Marte foi esculpido pelo derretimento da água sob o gelo glacial, não por rios de fluxo livre como se pensava anteriormente.

As descobertas efetivamente jogam água fria na hipótese dominante de um ‘Marte antigo quente e úmido’, que postula que rios, chuvas e oceanos já existiram no Planeta Vermelho.

Para chegar a essa conclusão, a autora principal Anna Grau Galofre, ex-aluna de doutorado no departamento de ciências terrestres, oceânicas e atmosféricas da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no Canadá, desenvolveu e usou novas técnicas para examinar milhares de vales marcianos. 

Ela e seus coautores também compararam os vales marcianos aos canais subglaciais no arquipélago ártico canadense e descobriram semelhanças impressionantes.

 

Água e gelo, sob um Sol mais frio

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Os pesquisadores da UBC concluíram que a paisagem marciana inicial provavelmente
se parecia com esta imagem da calota de gelo de Devon. Crédito: Anna Grau Galofre

“Existem centenas de vales em Marte, e eles parecem muito diferentes uns dos outros. Se você olhar para a Terra de um satélite, verá muitos vales: alguns deles feitos por rios, alguns feitos por geleiras, alguns feitos por outros processos, e cada tipo tem uma forma distinta. Marte é semelhante, em que os vales parecem muito diferentes uns dos outros, sugerindo que muitos processos estavam em jogo para esculpi-los”, disse a doutora.

No total, os pesquisadores analisaram mais de 10.000 vales marcianos, usando um novo algoritmo para inferir seus processos de erosão subjacentes. 

“Esses resultados são a primeira evidência de extensa erosão subglacial impulsionada pela drenagem de água derretida canalizada sob um antigo manto de gelo em Marte”, disse o coautor Mark Jellinek, professor do departamento de ciências terrestres, oceânicas e atmosféricas da UBC. 

“As descobertas demonstram que apenas uma fração das redes de vales correspondem aos padrões típicos da erosão hídrica superficial, o que contrasta fortemente com a visão convencional”, explicou o professor.

“Usar a geomorfologia da superfície de Marte para reconstruir rigorosamente o caráter e a evolução do planeta de uma forma estatisticamente significativa é, francamente, revolucionário“, completou Jellinek.

A teoria de Grau Galofre também ajuda a explicar como os vales teriam se formado 3,8 bilhões de anos atrás em um planeta mais distante do Sol do que a Terra, em uma época em que o Sol era menos intenso. 

Para ler a matéria original publicada pelo site Science Daily, em inglês, por favor clique aqui

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Ademar José Gevaerd (Maringá, 19 de março de 1962 – Curitiba, 9 de dezembro de 2022) foi um ufólogo brasileiro, editor da Revista UFO, publicação do Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), entidade do qual também foi fundador e presidente. Também é director brasileiro da Mutual UFO Network (MUFON). Ele representou o Brasil no Center for UFO Studies e foi diretor para a América Latina do Annual International UFO Congress. Esteve em diversas redes brasileiras de TV, além do Discovery Channel, National Geographic Channel e no History Channel, tendo discursado em muitas cidades do Brasil e em outros 50 países, além de ter realizado mais de 700 investigações de campo dos casos de Ovnis no Brasil. Era considerado um dos maiores ufólogos do mundo, uma das personalidades máximas do Brasil nesse assunto, membro de várias associações internacionais de ufologia. Considerado um dos mais respeitados ufólogos, é conhecido por seu empenho em tentar amparar todo fenômeno ufológico com o maior número possível de provas e testes. Ainda na década de 1980, foi convidado pelo Dr. J. Allen Hynek para representar no Brasil o Center for UFO Studies (CUFOS). Gevaerd sofreu uma queda em casa, no dia 30 de novembro de 2022, vindo a morrer no dia 9 de dezembro de 2022 no Hospital Pilar em Curitiba.