Essa versão, incorporada ao discurso oficial por meio do IPM do Exército e posteriormente reforçada por alguns pesquisadores céticos, tornou-se o principal argumento para negar a natureza extraordinária do episódio. No entanto, quando analisada com atenção, essa hipótese entra em colapso diante dos próprios fatos.
Descrições incompatíveis com um ser humano
O primeiro e mais evidente problema da tese do “mudinho” está na descrição física detalhada e consistente fornecida pelas testemunhas. As jovens relataram um ser de baixa estatura, corpo frágil, pele marrom-escura com aspecto oleoso, olhos grandes, salientes e avermelhados, ausência de pelos visíveis e três protuberâncias na região craniana. Em nenhum momento foi descrito um ser humano comum, muito menos alguém com traços reconhecíveis da população local.

O morador citado pelo Exército não possuía qualquer característica física compatível com esses relatos. Ele era conhecido na cidade, circulava livremente e jamais foi descrito por moradores como alguém de aparência assustadora ou fora do padrão humano. A tentativa de associá-lo a uma criatura descrita como biologicamente distinta revela uma forçação interpretativa que ignora dados básicos de observação.
Reconhecimento posterior descarta a confusão
Outro ponto decisivo é que as próprias testemunhas afirmaram conhecer o “mudinho” antes dos acontecimentos. Em entrevistas posteriores, deixaram claro que sabiam quem ele era, já o haviam visto outras vezes e jamais o confundiriam com aquilo que presenciaram naquela tarde. A hipótese de confusão, portanto, não se sustenta nem mesmo sob o argumento do medo ou do choque momentâneo.
Mais ainda: quando apresentadas à explicação oficial, as jovens rejeitaram imediatamente a versão, reafirmando que o ser visto não era humano. Esse reconhecimento posterior elimina a possibilidade de erro perceptivo simples, algo comum em investigações sérias e que, aqui, foi convenientemente ignorado.
Comparativo entre a descrição da critura pelas testemunhas e a tese do IPM (Inquérito Policial Militar)
| Critério | Criatura descrita pelas testemunhas | Tese do “mudinho” (explicação oficial/IPM) |
| Estatura | Baixa estatura, corpo frágil e desproporcional | Estatura humana normal |
| Constituição física | Corpo fino, aspecto não humano, movimentos estranhos | Corpo humano comum |
| Pele | Marrom-escura, oleosa, brilhante | Pele humana normal, sem aspecto oleoso |
| Pelos | Ausência total de pelos visíveis | Presença normal de cabelos e pelos |
| Cabeça | Grande em relação ao corpo | Proporção humana |
| Protuberâncias cranianas | Três protuberâncias visíveis na cabeça | Inexistentes |
| Olhos | Grandes, salientes, avermelhados, sem pupila aparente | Olhos humanos normais |
| Nariz | Pequeno ou quase inexistente | Nariz humano comum |
| Boca | Pequena, discreta, sem movimentação clara | Boca humana funcional |
| Expressão facial | Estranha, imóvel, não humana | Expressões humanas normais |
| Odor | Cheiro forte, semelhante a amônia ou enxofre | Nenhum odor incomum registrado |
| Comportamento | Agachado, imóvel, emitindo sons baixos | Comportamento humano reconhecível |
| Comunicação | Sons incomuns, não verbais | Comunicação humana limitada, porém reconhecível |
| Reconhecimento pelas testemunhas | Nunca visto antes, descrito como algo “não humano” | Já conhecido pelas testemunhas e pela população |
| Confusão possível? | Não — descrição detalhada e consistente | Improvável — testemunhas afirmam conhecê-lo |
| Número de relatos compatíveis | Vários relatos independentes em locais distintos | Não explica múltiplos locais e horários |
| Envolvimento militar | Relatos de captura, transporte e isolamento de áreas | Ignorado ou negado pelo IPM |
| Contexto hospitalar | Relatos de atendimento médico incomum | Não explicado |
| Coerência com outros casos ufológicos | Alta — padrões semelhantes a casos internacionais | Nenhuma correlação |
| Função da explicação | Descrever o fenômeno observado | Encerrar o caso administrativamente |
Fotos do Mudinho que constam no IMP






Cheiro forte e comportamento incomum
As testemunhas também relataram um cheiro forte e estranho, frequentemente comparado ao de amônia ou enxofre, emanando da criatura. Esse detalhe aparece de forma recorrente em diversos casos ufológicos internacionais envolvendo supostas entidades biológicas não humanas. Um ser humano não exala esse tipo de odor de forma contínua e intensa, especialmente a ponto de causar náusea e mal-estar imediato.
Além disso, o comportamento da criatura descrita não corresponde ao de uma pessoa assustada ou desorientada. O ser estaria agachado, imóvel, emitindo sons baixos e demonstrando reação mínima ao ambiente, algo incompatível com um indivíduo humano circulando livremente pela cidade.
Múltiplas testemunhas, múltiplos locais
A explicação do “mudinho” também falha ao tentar explicar outros relatos ocorridos em locais diferentes, envolvendo descrições semelhantes da criatura. Houve testemunhos de bombeiros, policiais militares e civis que relataram a captura de um ser estranho, além de relatos envolvendo atendimento médico hospitalar sob circunstâncias anômalas.
Esses episódios ocorreram em dias distintos e em pontos diferentes da cidade, o que inviabiliza a hipótese de que um único morador, conhecido da população, estivesse simultaneamente envolvido em todos eles. O IPM, no entanto, optou por ignorar essas conexões, tratando cada relato de forma isolada ou simplesmente descartando-os.
Uma explicação conveniente, não investigativa
A tese do “mudinho” revela mais sobre a estratégia institucional de contenção do caso do que sobre os fatos em si. Ao apresentar uma explicação socialmente sensível — envolvendo uma pessoa vulnerável — o discurso oficial cria uma barreira moral contra questionamentos mais profundos. Criticar essa versão passa a ser interpretado, injustamente, como falta de empatia, quando, na verdade, trata-se de uma análise objetiva dos dados disponíveis.

Transformar um cidadão comum em bode expiatório para encerrar um dos casos ufológicos mais complexos do mundo não é apenas intelectualmente desonesto, mas também eticamente questionável.
Um dos maiores pesquisadores do Caso Varginha, Marco Antônio Petit, revelou um documento onde o Exército Brasileiro, estaria tentando manipular as imagens do Mudinho para que ele ficasse o mais parecido possível com o ser visto pelas meninas.

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Por que essa versão não encerra o caso
Passadas quase três décadas, a explicação do “mudinho” não convenceu pesquisadores independentes, não resistiu ao escrutínio técnico e tampouco foi aceita pelas principais testemunhas. Ela falha em explicar as descrições físicas, o odor, o comportamento, a multiplicidade de relatos e, principalmente, o envolvimento de forças militares e médicas.
Longe de esclarecer o Caso Varginha, essa tese tornou-se um símbolo da fragilidade das explicações oficiais. Um recurso narrativo simples, porém, insuficiente, diante de um conjunto robusto de evidências e testemunhos que apontam para algo muito além de um equívoco de identificação.
Por que nem os militares na época ou a Globo para seu documentário, procuraram a família do Mudinho?





