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Vídeos do Pentágono, a polêmica continua. Por que não liberaram os dados de radar?

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09 de Maio de 2020
UFO filmado por piloto da Marinha dos Estados Unidos
Créditos: History Channel

Mesmo não sendo novidade, os vídeos que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos liberou oficialmente na semana passada continuam dando o que falar e levantando mais dúvidas do que respostas. Muitas análises mostram que os objetos filmados podem ser racionalmente explicados, e eles não têm nada a ver com discos voadores.

 

Em plena pandemia, quando o número de mortos nos Estados Unidos beirava a casa de 70.000 pessoas, o Pentágono houve por bem divulgar oficialmente três vídeos feitos por pilotos da Marinha dos Estados Unidos, supostamente “para que não pairassem dúvidas sobre sua autenticidade”, conforme diz o comunicado.

Os vídeos, que já haviam sido reconhecidos como autênticos pela Marinha do país, foram feitos durante exercícios com caças de guerra nos anos de 2004 e 2015. E aí vem a primeira questão: se a Marinha já havia autenticado as imagens e se elas já eram públicas desde 2017, por que requentar o assunto?

Muitos acreditam que a resposta esteja na pandemia e na consequentemente intensa cobertura da mídia dos Estados Unidos sobre a enormidade de mortos no país, em um ano de eleição presidencial em que Trump, acusado de demorar para tomar medidas protetivas, é candidato à reeleição.

Também há quem afirme que o fato de o Pentágono liberar os vídeos mantendo os objetos filmados como sendo “não identificados” signifique que estamos em plena abertura ufológica e que justamente porque todos estão preocupados com a pandemia, ninguém vai prestar muita atenção nos UFOs. Essa é a opinião do editor da UFO.

E há, também, uma série de outras razão possíveis, incluindo algum tipo de guerra de informação sobre tecnologia. Muitos recados são passados por meio de gestos governamentais, sobre os quais nada sabemos. Lembrando que , durante uma coletiva em que se queixava de que a China quer impedí-lo de se reeleger, Trump achou tempo para comentar sobre as imagens, que chamou de incríveis.

Dados incompletos


Luis Elizondo, o homem responsavel pela liberação dos vídeos em 2017
Crédito: Mystery Wire

Seja como for, há algo muito estranho no ar em relação ao momento escolhido para essa divulgação e principalmente em relação aos dados das filmagens, que vieram incompletos. As imagens que vemos foram feitas por um equipamento chamado FLIR, que fica acoplado normalmente na barriga das aeronaves e que produz imagens também em infravermelho.

Acontece que apenas imagens não revelam muita coisa, e podem ser interpretadas de formas as mais variadas possíveis. E segundo muitos especialistas, o que os vídeos mostram nada têm de extraterreste, conforme publicamos aqui

Uma maneira fácil de ajudar a resolver a questão seria a liberação dos dados de radar, informação que nenhum pesquisador civil tem e que, incrivelmente, a mídia não se interessou em pedir ou pesquisar. E isso também é algo que chama a atenção. São imagens que poder mostrar UFOs reais, naves de outro planeta, e ninguém vai buscar mais dados sobre isso? Bem a MUFON parece ter ido.


Robert Powell Crédito: MUFON

Antes de a To To Stars Academy se formar em 2017 e ajudar a estimular a liberação de dois desses vídeos da Marinha no jornal The New York Times, Robert Powell, diretor de pesquisas da MUFON, já estava tentando colocar as mãos nos dados de radar e na comunicação do encontro naval de 2004.

Ele pediu esses dados à Frota do Pacífico dos Estados Unidos, ao Escritório de Inteligência Naval, ao Chefe de Operações Naval, ao Escritório de Pesquisa Naval, ao Corpo de Fuzileiros Navais, ao Centro de Guerra Aérea Naval, ao Comando de Sistemas Marítimos, ao Comando de Engenharia de Instalações Navais e ao Comando Histórico e de Patrimônio da Marinha.

Quando tudo foi dito e feito, em 2016, nenhuma dessas fontes apresentou dados de radar. Mas os vídeos eram evidentemente importantes o suficiente para os militares os manterem em arquivo. E nem assim a mídia quis saber mais.

 

Caso Ubatuba

 
Foto antigo de um disco voador

Powell, para aqueles que não o conhecem, publicou uma análise de 270 páginas feita com seus colegas do grupo Coalização Científica para o Estudo de UFOs (SCU) sobre Incidente Tic Tac e analisou, também, o Caso do UFO de Ubatuba, ocorrido no Brasil em 1957, cujos fragmentos, após uma longa história, teriam ido parar nos Estados Unidos.

Mas Ubatuba é apenas um dos vários projetos que a SCU vem trabalhando ultimamente. E também vale a pena notar que, em 2015, dois anos antes de os vídeos da Marinha serem conhecidos, a SCU divulgou sua análise de surpreendentes imagens de OVNIs do governo, adquiridas em 2013, pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP).

Lembrando aqui que o Pentágono, por meio da contratação da Bigelow Airspace (BAASS), uma emresa civil e portanto fora do alcance da Lei de Liberdade de Informação (FOIA), rodou o mundo embusca de fragmentos de UFOs e informação sobre o meio de propulsão dos objetos, conforme publicmos em uma série de matérias que podem ser lidsa em nosso site.

 

Caso Aguadilla

 
Video do Caso Aguadilla

Conhecido como o vídeo de Aguadilla, a sequência noturna gravada com imagens térmicas não contém conversas de comunicação como os vídeos da Marinha, e nenhuma testemunha ocular se adiantou para explicar no registro o que viu, como alguns pilotos da Marinha fizeram com seus próprios encontros.

Por outro lado, ao contrário das imagens do F-18, Aguadilla mostra o objeto interagindo com o ambiente, atravessando a água e se dividindo em dois sobre ela. Também diferente das imagens da Marinha, Powell conseguiu obter registros de radar da FAA.

Assim, a pergunta permanece: onde estão esses dados e por que eles não foram também liberados? Eles existem, é claro, e podem ajudar se não a desvendar de uma vez por todas o que as imagens mostram, ao menos a dirimir muitas dúvidas. Mas enquanto eles não são liberados, a polêmica continua.

 Fonte: Herald Tribune 

Assista, abaixo, todas as explicações sobre a investigação da SCU sobre o Caso Ubatuba:

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