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Ufólogo investiga fenômeno chupa-chupa no Pará

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06 de Junho de 2010
Colares, Pará, local de estranhos eventos ufológicos pesquisados pela FAB
Créditos: Arquivo

Um dos maiores ufólogos do Brasil, o biólogo paulista Paulo Aníbal G. Mesquita, decidiu pesquisar no Pará fenômenos que envolvem aparições de estranhas luzes que, segundo ele, não ocorreram somente entre 1977 e 1978, com o conhecido “chupa-chupa”, mas ainda hoje continuam a provocar medo e pânico entre moradores de vilarejos, principalmente na região do Marajó. Com a missão de pesquisar esses fatos e também ouvir relatos de habitantes dessas localidades, ele desembarca em Belém nesta quarta-feira (11). “Há novos fatos que precisam ser investigados. Por exemplo, já tive a oportunidade de coletar relatos na ilha de Marajó. São informações sobre estranhas luzes que ainda aparecem na região, mas com uma outra forma de atuação. Alguns moradores dão o nome de ‘luz d\'água\' ou ‘chupa-chão\', devido ao fato de pequenas bolas de luz que emitem um feixe luminoso sobre à superfície da água ou sobre o solo. Inclusive essas luzes também são designadas como “mães de ouro”, disse Paulo Aníbal Mesquita em entrevista a O Liberal.

Bolas luminosas. Ele prefere ir pessoalmente aos locais dos acontecimentos ufológicos para fazer a coleta de evidências e ouvir depoimentos de testemunhas, além da apuração das alterações físicas e biológicas nas áreas. Haveria, diante de seu interesse pela pesquisa no Pará, alguma peculiaridade a ser explorada? Paulo Mesquita responde que sim. Os relatos que coletou preliminarmente, segundo ele, citam que tais bolas luminosas voavam numa altitude muito baixa e sempre durante à noite. Numa localidade ribeirinha distante aproximadamente duas horas do município de Soure, uma senhora chamada Josefina Silva – 30 anos, de voz macia – disse que presenciou o “sumiço” de um homem, em meados de 2001. O desaparecimento teria ocorrido durante suposta aparição de um objeto alongado muito luminoso e com intenso brilho alaranjado que teria pairado sobre o tal homem. A mulher contou que o objeto “jogou” um feixe de luz esbranquiçada sobre o homem que, logo em seguida, sumiu. Depois disso, nunca mais o viu. Josefina entregou ao ufólogo um pedaço de papel com o desenho do objeto que teria sido feito por uma outra pessoa com base no seu relato. “Fizemos uma pesquisa de campo na área indicada por ela, mas não conseguimos achar qualquer evidência no local e outras testemunhas que poderiam corroborar o testemunho dela. Pessoalmente acho esse fato inusitado, muito preocupante, pois de certa forma evidencia uma ação criminosa ligada ao estranho objeto”.

Seria isso um fato real? Qual seria a estatística de desaparecimentos de seres humanos que poderiam ser atribuídas aos extraterrestres? Será que o fenômeno chupa-chupa realmente desapareceu do Pará? Ou evoluiu para outro tipo de atuação, como agora levanta Paulo Mesquita? Até que ponto todos esses fatos se confundem com lendas regionais, como a Matinta Perera, uma suposta bruxa que voa e persegue pessoas, emitindo sons estranhos que assustam moradores de pequenos povoados? Para estas questões, afirma o ufólogo, ainda não há respostas. E quanto mais ele mergulha na pesquisa mais incertezas vão surgindo.

Luzes não são alucinação coletiva. Mas não é somente sobre luzes misteriosas e seres espaciais que Paulo Mesquita se debruça em seus estudos. Como biólogo, ele também pretende pesquisar no Pará um ser que teria por aqui vivido há milhares de anos, o mapinguari – espécie de preguiça gigante –, supostamente visto em regiões remotas do estado há poucos anos. “Vou atrás do mapinguari”, garante o pesquisador. Apaixonado por insetos, ele também terá a oportunidade de conhecer nas matas do Pará o maior inseto do mundo, o Titanus giganteus, um besouro que mede mais de 22 cm de comprimento. Além disso, estudará os morcegos amazônicos e tentará descobrir por que eles estão atacando cada vez mais moradores de cidades da região, transmitindo-lhes a raiva humana. As estranhas luzes que vinham do céu e atacavam moradores de Colares, Vigia e Santo Antonio do Tauá no final dos anos 70 não foram invenções da imprensa e nem alucinação coletiva dos habitantes desses municípios, aposta o ufólogo Mesquita. “Sabemos que a Força Aérea Brasileira (FAB) na época fez centenas de imagens, mas nada disso foi revelado ao povo, a não ser algumas poucas fotos enviadas a alguns ufólogos”, observa. Com sua vinda ao Pará, ele promete dar um novo rumo às investigações de campo, afirmando que muita coisa ainda precisa ser apurada. Por exemplo, os fatos que citou sobre a ilha do Marajó. Também há alguns casos que ocorreram há poucos anos que ele gostaria de ir mais a fundo. “Em Belém também encontramos muitos relatos sobre avistamento de UFOs, até com filmagens, como a que foi feita por Silvio Dourado”.

Paulo Mesquita conta ter tomado conhecimento desse caso por intermédio de um jornalista paraense. A filmagem foi feita em março de 1996. O objeto parecia ter aspecto prateado com seu brilho muito intenso. Também há o relato do senhor Alfredo Mendes, de 31 anos, que testemunhou um interessante fato no bairro do Guamá, em abril de 1996. Documentos militares comprovam os fatos ocorridos Um pequeno objeto de pouco mais de dois metros de diâmetro, de formato ovalado, com cores branca e avermelhada na parte central, pairava acima de uma mangueira, cerca de 30 m do chão. “Na parte inferior do objeto saía um foco muito forte de luz semelhante a uma potente lâmpada fluorescente, iluminando como um farol de carro os fundos da igreja de São Pedro e da casa ao lado”. Ainda em Belém, outro relato interessante, segundo o ufólogo, que esteve no local, foi o de dona Maria José, 22 anos, em julho ou agosto de 2001. Ela alega ter visto uma enorme bola de luz prateada de forte brilho parada sobre um terreno abandonado por quase 20 minutos. Passado esse tempo, o objeto movimentou-se velozmente para cima e sumiu. Como vê o envolvimento de militares na chamada Operação Prato? Foi para desqualificar as visões das luzes misteriosas narradas pelos moradores ou esses militares desconfiavam de novas armas de guerra testadas por países comunistas, como se chegou a dizer na época? Para Paulo Aníbal Mesquita, a postura dos militares brasileiros foi “totalmente condizente com as condições da época”. E explica: “O Comando Aéreo Regional I (I COMAR) deu uma resposta aos anseios das pessoas. Muitas já estavam se evadindo das regiões de atuação do chupa-chupa, fato que estava criando situação de pânico e boatos generalizados. Então, os militares, em resposta, enviaram um pequeno grupo para investigar os fatos do período de outubro à dezembro de 1977 - pelo menos oficialmente”.

Em suas pesquisas, diz ter certeza que tanto o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA) quanto o Sistema de Controle do Espaço Aéreo (Sisceab) mantêm constante vigilância do nosso espaço aéreo. “Eles têm consciência das atividades de UFOs, mas isso não significa que a nossa força aérea vá interceptar todos que são detectados nos radares, só aqueles que realmente oferecerem risco ao tráfego aéreo e em situações referentes ao contexto da segurança nacional, como uma suposta queda de um desses objetos”. Mas será que nossas aeronaves de guerra têm condições tecnológicas de interceptar um UFO? Muitas aeronaves não possuem nem sequer condições de vôo por falta de manutenção e de peças, inclusive até pedem que aeronaves civis façam reconhecimento visual de UFOs quando estão na região deles (um exemplo é o vôo 573 da TAM, em 1989).

Mendes — Em relação ao chupa-chupa, qual o fato que mais despertou sua atenção? Mesquita — Um ótimo exemplo, é o fato ocorrido em 18 de outubro de 1977, por volta das 23h00, com a senhora Claudiomira Rodrigues da Paixão, 35 anos na época. O documento da Operação Prato diz o seguinte: “ouvida pelo senhor chefe da 2ª seção - disse que estava acordada, deitada em uma rede, e em sua companhia estava uma senhora e seus filhos, que pressentiu uma luminosidade – a luz da cidade havia apagado às 22h00 – que percorreu todo o seu corpo, como uma lanterna, fixando-se no seio esquerdo. Sugando-o, desceu após para sua mão direita, ocasião em que sentiu como se fosse picada por agulha. Ela gritou por socorro, sem ser atendida. Sua voz ficou presa na garganta e seu corpo ficou semi-paralisado. O ambiente ficou totalmente iluminado por luz esverdeada. Ela sentiu estranho torpor, sendo despertada pela voz de sua acompanhante que chamava atenção de uma das crianças dizendo na ocasião: eu já estou estragada, o bicho me chupou. Disse ter sentido grande calor localizado no seio esquerdo e dor aguda no dorso da mão direita, dor de cabeça, amortecimento no lado esquerdo do tórax – como se comprimido internamente. Foi atendida pela doutora Wellaide Cecim Carvalho, que a acompanhou ao IML. Ali foi examinada por uma doutora e informada que deveria voltar a fazer um novo exame. Sobre a incisão (feita no IML) no seio esquerdo, durante o exame a que foi submetida, nota-se uma área circundante levemente queimada, bem como um leve e quase imperceptível sinal em sua mão direita, exatamente nos locais que diz ter sido atingida”.

Mendes — No caso do estudo sobre o mapinguari, o que pretende investigar? Mesquita — No Estado do Pará é comum a lenda do mapinguari, porém, acreditamos que ainda possa existir um tipo de bicho-preguiça por volta de 2 m na postura bípede. Sei de alguns relatos em vilarejos isolados, onde alguns de seus moradores já se depararam com esta fera durante à noite. Relatam que o mapinguari não gosta da presença de estranhos, emitindo um forte som e um cheiro muito fétido. Mas interpreto isso com um mecanismo de defesa territorial ou ameaça iminente. Também são comuns relatos de que a tal fera fica na posição bípede, ou seja, de pé, mostrando suas grandes garras. Em alguns casos, o animal investe contra o ser humano. Vou apenas tentar ir atrás destes relatos in loco. Mendes — Tempos atrás, um pesquisador do Museu Goeldi chegou a investigar o assunto, mas parou depois que surgiram dúvidas sobre a existência do mapinguari. O bicho teria existido a milhares de anos, mas não há prova de que ainda esteja escondido em algum ponto remoto da Amazônia. O senhor irá atrás do mapinguari? Mesquita — Com certeza, principalmente se eu conseguir um rastro recente de atuação do mapinguari, onde possamos investigá-lo. Muitas espécies novas são descritas anualmente na Amazônia, então, por que não existir uma nova espécie de mamífero? Há poucos anos foram descritas novas espécies de primatas. Na realidade, elas sempre existiram, porém os biólogos ainda não os tinham estudado. Certamente na Amazônia há muito que ser estudado, pois se trata do maior banco genético do mundo.