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TESS detecta o primeiro planeta do tamanho da Terra orbitando a zona habitável de sua estrela

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28 de Outubro de 2020
Planetas localizados na zona habitável de suas estrelas são os mais prováveis para abrigar vida
Créditos: Phys.org

Uma descoberta incrível foi confirmada este mês: a 102 anos-luz de nós há um planeta que pode ter água líquida e abrigar vida. Encontramos um irmão?

 O Telescópio de Trânsito (TESS), foi lançado em 2018 com o objetivo de descobrir pequenos planetas ao redor dos vizinhos mais próximos do Sol, estrelas brilhantes o suficiente para permitir caracterizações de acompanhamento das massas e atmosferas de seus planetas. 

TESS descobriu, até agora, 17 pequenos planetas em torno de 11 estrelas próximas que são anãs M, ou seja, são menores e mais frias do que o Sol. Eles têm cerca de 60% da massa do Sol e temperaturas de superfície menores, de aproximadamente 3.600 °C. 

Porém, em uma série de três artigos publicados este mês, os astrônomos relatam que um desses planetas, batizado de TOI-700d, tem o tamanho da Terra e também está localizado na zona habitável de sua estrela. Os cientistas ainda discutem seu possível clima.

 

Potencialmente capaz de abrigar vida


Concepção de paisagem em planeta alienígena Crédito: Kaspersky

Os astrônomos do Centro de Astrofísica Joseph Rodriguez, Laura Kreidberg, Karen Collins, Samuel Quinn, Dave Latham, Ryan Cloutier, Jennifer Winters, Jason Eastman e David Charbonneau estavam nas equipes que estudaram TOI-700d, um dos três pequenos planetas orbitando uma estrela anã M estrela localizada a 102 anos-luz da Terra. 

A análise de dados do TESS encontrou os tamanhos provisórios dos planetas como sendo aproximadamente 1,04, 2,65 e 1,14 raios da Terra, respectivamente, e seus períodos orbitais como 9,98, 16,05 e 37,42 dias, respectivamente. 

Em nosso Sistema Solar, Mercúrio orbita o Sol em cerca de 88 dias. Está tão perto do Sol que sua temperatura pode chegar a mais de 400 Celsius. Porém, aqui, é preciso entender a diferença.

A estrela anã M em estudo é comparativamente mais fria na órbita de seu terceiro planeta, e mesmo que ele esteja muito mais perto da estrela do que Mercúrio está do Sol, ainda assim está na zona habitável de sua estrela.

Isso torna TOI-700d particularmente interessante como um possível planeta com capacidade de abrigar vida.

As detecções do TESS foram animadoras, mas incertas: os sinais eram fracos e restava uma pequena possibilidade de que a detecção do TOI-700d estivesse errada. Porém, devido à importância potencial da descoberta, os cientistas do TESS se voltaram para a câmera IRAC no Observatório Espacial Spitzer para confirmação. 

 

Água e nuvens


Esquema da órbita do planeta TOI-700 em torno de sua estrela. Crédito: Rodriguez e equipe

Antes de ser desligada pela NASA em fevereiro de 2020, a câmera IRAC era de longe a câmera infravermelha mais sensível do espaço. 

A equipe TESS observou TOI-700 com IRAC em outubro de 2019 e janeiro de 2020, adquirindo detecções claras dos planetas com cerca de duas vezes a relação sinal-ruído do TESS, o suficiente para dar uma melhoria de 61% na órbita do planeta e refinar de forma significativa nosso conhecimento de outras características, como seus raio e massa. 

Os resultados, especialmente quando comparados com as propriedades de outros planetas, sugerem que TOI-700d pode ser rochoso e provavelmente "travado pelas marés", com um lado do planeta sempre voltado para a estrela.

Se houver água líquida na superfície do TOI-700d, argumentam os astrônomos, também haverá nuvens com água na atmosfera, e a equipe usa modelos de sistemas climáticos para estimar suas possíveis propriedades e quais medições mais sensíveis podem encontrar. 

Eles concluem, no entanto, que as missões espaciais pendentes, incluindo o Telescópio Espacial James Webb (JWST) ainda não lançado, provavelmente não terão a sensibilidade para detectar características atmosféricas por um fator de 10 ou mais. 

Seus estudos climáticos detalhados, no entanto, ajudarão os astrônomos a restringir os tipos de telescópios e instrumentos que serão necessários para investigar este novo e excitante vizinho.

 

Fonte: Phys.org

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