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Teóricos da conspiração já sugerem que baleia no Marajó seja ação extraterrestre

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25 de Fevereiro de 2019
Baleia Jubarte encalhada na mata de Marajó
Créditos: SEMA/Prefeitura de Soure

Uma baleia jubarte foi encontrada morta nessa sexta-feira (22), na Praia do Araruna, na Cidade de Soure, litoral da Ilha de Marajó. Segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SEMMA), o animal teria aproximadamente 8 metros de comprimento e não apresentava ferimentos visíveis. Uma das possibilidades levantadas pela secretária de meio ambiente do município, Dirlene Silva, é de que o animal teria morrido no mar e o corpo, levado até a margem da praia pela ressaca. 

Ressaltou a ONG Bicho D'àgua que participa da análise do caso: "a baleia jubarte encalhada em Soure, ilha de Marajó, era um filhote de cerca de um ano de idade e 8 m de comprimento. A carcaça foi encontrada a cerca de 15 m da praia e, devido às macromarés comuns na Costa Norte do Brasil, é totalmente compreensível que uma carcaça vá parar dentro do manguezal. Não é um animal adulto, nem tão grande como aparece nas imagens".

 

Aves de rapina na carniça

A mídia sensacionalista aproveitou o caso inusitado para sugerir que o ocorrido fosse obra de extraterrestres. Não demorou muitas horas para as redes sociais restarem tomadas por teorias conspiratórias de que algo sobrenatural fosse responsável pela localização estranha da baleia. Se, antigamente, para um bom entendedor pingo era letra, hoje, alguns pingos falsos e replicados se tornam rapidamente um oceano de ilusões a afogar os que não sabem surfar nas redes.

Nas mídias virtuais, a baleia filhote de 8 metros já estava com mais de 11 metros de comprimento. E a distância de 15 metros que se encontrava realmente da praia também foi alterada para 800 metros do mar, o que apesar de não ter ocorrrido, seria possível, como já foi constatado em um caso inglês, na região de Yorkshire, em 2011.

O perito da Revista UFO Toni Kurowski explica que macromarés acontecem frequentemente na região. Não se confundem com tsunamis, mas são somente elevação do nível d'água. "Naquela região, a amplitude da maré, quando de sizígia, pode ser muito grande mesmo. O deslocamento do animal um pouco mais afastado da margem se dá somente pelas condições da maré local, que além de ter grande amplitude, ainda se observam pororocas. Os próprios pesquisadores que estão fazendo a análise no local não demonstram nenhuma admiração pela localização, mas somente pelo tamanho da baleia", ressaltou Toni.

 

Pesquisa de campo e necropsia

O corpo do animal, por se encontrar em uma área de difícil acesso, não terá como ser removido. “É muito complicado chegar até lá e não há como enviarmos uma escavadeira, porque ela não passaria pelo caminho. Não tem como remover. Para chegar até lá, precisamos atravessar um igarapé”, explica Dirlene. Portanto, os técnicos da ONG Bicho D'água começaram, ainda neste sábado (23), a necrópsia e estudos devidos no próprio local.

Biólogos da ONG Bicho D'água e do Museu Emílio Goeldi, de Belém, estão investigando e tentando encontrar a possível causa da morte da grande baleia. Para isso, uma equipe de 13 profissionais a mediu, colhendo partes do mamífero para realizar a necropsia, já que essas partes serão enviadas para laboratórios de Belém e do Rio de Janeiro, onde a provável causa deve ser descoberta.

"Eles estão fazendo a necropsia. A olho nu, não há ferimentos. Então, precisamos entender a causa da morte da baleia", afirmou Dirlene, ressaltando que o animal provavelmente estava morto há 3 ou 4 dias e, devido a isso, já estava em estado de decomposição. Dirlene complementou dizendo que a equipe pretende utilizar a estrutura óssea do animal para estudos, mantendo essa estrutura em um museu da região.

Animal terá a pele e a carne removidos para a preservação da estrutura óssea, que deve ser levada até um museu para estudos — Foto: Ascom/Semma

"A maré alta deste domingo (24) inviabilizou a continuidade da pesquisa de campo. Mas iremos retomá-la. Como trata-se de um animal muito grande, é possível que a gente tenha que enterrar parte da carcaça. Vamos tirar a carne, a pele e queremos preservar a estrutura óssea para estudos. Devemos trazer essa estrutura, que deve ficar em um museu, de preferência em Soure mesmo”, completou a secretária. O mais intrigante para os pesquisadores ambientais é descobrir agora o motivo de uma baleia jubarte filhote ter morrido nesta região e nesta época, que não é comum dessa espécie aparecer. 

 

Relembrando fraude de baleias em terra

Em 2017, uma notícia tomou conta das redes sociais: um fazendeiro teria encontrado uma baleia de 12 metros no meio da sua fazenda em Farmington, pequena cidade de Great Salt Lake, em Utah. A notícia foi publicada em blogs nos Estados Unidos e no Brasil, dizendo que o fazendeiro havia feito uma descoberta incrível enquanto procurava por uma de suas vacas que não havia retornado do campo.

"Michael Woodson, de 69 anos, encontrou a baleia jubarte já sem vida no meio de um de seus campos, a centenas de quilômetros de seu habitat natural. A polícia da cidade foi chamada no local para investigar, uma vez que o fazendeiro pensou que o cetáceo poderia ter sido deixado lá como uma brincadeira assustadora por alguns jovens do bairro. Os investigadores rapidamente descartaram a possibilidade, no entanto, nenhum vestígio de veículos ou maquinaria grande o suficiente para transportá-lo foi encontrado em qualquer lugar perto do animal", dizia a notícia.

A história é uma lorota das grandes. Mas para solucionar o caso, nem é preciso ir muito longe. Ao procurar pela fonte da informação, descobrimos que a notícia surgiu em um blog inglês chamado World News Daily Report em 2014, especialista em notícias falsas e sensacionalistas. Mas e a foto? Por incrível que pareça, ela é real. Trata-se de uma baleia encontrada a 800 metros do mar em Yorkshire, no Reino Unido, em 2011. De acordo com especialistas, o motivo do corpo do animal parar a essa distância da costa foi também uma macromaré.

 

Conspirações, fraudes e seus efeitos

Para o editor da Revista UFO A. J. Geaverd "as redes sociais, que podem ser uma excepcional ferramenta para ampliar a divulgação da presença e ação alienígena na Terra, infelizmente são usadas com pouca responsabilidade por elementos que propagam sandices. As fraudes são notoriamente maioria do conteúdo que se acha hoje na internet". 

O ufólogo e coeditor da UFO Thiago Thichetti ressaltou que "a notícia da baleia encontrada em Marajó mostra mais uma vez que a internet é um campo amplo para bobagens e proliferação de teorias conspiratórias sem pé nem cabeça que culpam os extraterrestres. Por isso é importante se valorizar e divulgar sites e ufólogos sérios e honestos. A Revista UFO e seus colaboradores fazem esse trabalho de maneira responsável e, acima de tudo, cientificamente".

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