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Sonda da NASA pousa com segurança em Marte

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19 de Fevereiro de 2021
Ilustração do rover Perseverance descendo em Marte.
Créditos: NASA

O rover Perseverance, da missão Mars 2020, pousou com sucesso na superfície de Marte. O processo todo foi finalizado ontem, 18 de fevereiro, às 17h56 (horário de Brasília), quase sete meses após a nave deixar a Terra, em julho do ano passado. O momento mais tenso foram os “sete minutos de terror”, tempo entre a entrada na atmosfera do planeta em altíssima velocidade e o pouso em si. Agora, Marte conta com três missões espaciais acontecendo ao mesmo tempo. China e Emirados Árabes Unidos chegaram antes no planeta vermelho.

O pouso da missão norte-americana à Marte foi um sucesso. Primeiro, cerca de dez minutos antes da chegada, o conjunto se livrou da nave em si — a parte que o guiou até lá —, virando uma espécie de disco voador. Então, atingiu o topo da atmosfera de Marte a uma velocidade absurda de mais de 20.000 Km/h. Um escudo térmico protegeu tudo das altíssimas temperaturas causadas pelo atrito, que libera muita energia. Ao chegar às camadas mais baixas, o veículo foi se guiando e estabilizando, com ajuda de propulsores. Quando estava lento o suficiente, foi lançado um enorme paraquedas supersônico, para frear a descida. O escudo, não mais necessário, foi solto, para liberar a visão do solo. Isso expôs o rover, preso embaixo de um foguete circular.

Os propulsores funcionaram com mais força, para reduzir a velocidade até míseros dois quilômetros por hora. Então, o veículo foi colocado delicadamente em solo, pendurado por três cabos, em uma espécie de guindaste aéreo. Ele pousou na cratera Jezero, de 40km de diâmetro e 500m de profundidade, que há mais de três bilhões de anos foi um lago marciano. Se já existiu vida no planeta, mesmo que apenas atividade microbiana, este é o local com mais chances de guardar evidências.

O rover já iniciou suas pesquisas geológicas e a busca por sinais de vida em solo marciano. Este é o quinto rover da NASA a pousar no planeta vermelho. Antes, vieram o Sojourner (1997), Spirit (2004), Opportunity (2004) e Curiosity (2012). Todos ainda estão por lá, mas apenas o último ainda “vive” — os outros pararam de operar ou perderam comunicações após algum incidente, como falta de bateria ou atolamento.


Primeira foto tirada pelo rover Perseverance logo após pousar em Marte. Sua missão tem enorme potencial para grandes descobertas sobre vida no planeta vermelho, seja no passado ou atualmente.
Fonte: @NASAPersevere/Twitter

O Perseverance, um moderno rover de 2.4 bilhões de dólares, é diferente de qualquer outra missão que já foi a Marte. Do tamanho de um carro SUV e pesando cerca de uma tonelada, sua aparência lembra muito o Curiosity, com pernas com seis grandes rodas, longo braço robótico para coletar amostras, e uma “cabeça” com câmeras e sensores. Mas o novo veículo abriga sete tecnologias muito mais avançadas, ou totalmente inovadoras. Além de realizar experimentos in loco, o Perseverance vai coletar e embalar amostras do solo marciano, que serão trazidas para a Terra. Na “mão” dele há uma broca especialmente desenvolvida para a missão, capaz de extrair núcleos de rochas intactos — e não pulverizados, como seria o normal.

Pelo menos 40 rochas inteiras, de diferentes locais da cratera Jezero, serão colocadas dentro de tubos, em um complexo sistema de armazenamento. Esses tubos serão deixados na superfície de Marte, para serem coletados por missões futuras. Este deve ser o maior desafio da NASA nos próximos anos — as amostras devem chegar aqui só depois de 2030. Diferentemente dos rovers anteriores, que buscaram água ou exploraram a química da atmosfera e do solo, o Perseverance é equipado para detectar vida diretamente — seja atual ou fossilizada. E suas 23 câmeras e microfones de alta definição prometem capturar detalhes nunca vistos do planeta vermelho.

Ele deve realizar seus experimentos em Marte por pelo menos 687 dias terrestres (um ano marciano). Ele é movido por um reator com núcleo de plutônio, capaz de produzir energia elétrica por até 14 anos. Energia solar foi descartada após o incidente com o Oportunity, que ficou inoperante após 16 anos em Marte — uma tempestade de areia cobriu seus painéis solares. Outra novidade é um mini helicóptero, chamado Ingenuity. A aeronave de 1.8 kg vai ser liberada da “barriga” do rover, assim que um local ideal para isso for encontrado. É uma demonstração de tecnologia, para ver se um helicóptero consegue voar fora da Terra, no ar rarefeito de Marte. Se bem-sucedido, abrirá portas para a exploração aérea dos planetas em futuras missões.

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