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Professor de Harvard: "O Oumuamua é prova de que a ciência não quer encontrar vida extraterrestre"

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29 de Janeiro de 2021
O astrofísico de Harvard, doutor Abraham Loeb, não descarta a possibilidade alienígena do ‘Oumuamua.
Créditos: Arquivo pessoal de Loeb.

Estamos sozinhos no Universo? Olhando para a vastidão de estrelas, a humanidade pondera esta questão desde que sabemos que é o espaço sideral, e não os próprios céus, que compõem a esfera celestial. Teólogos, filósofos e cientistas concluíram quase unanimemente: Não!

Na imensidão insondável do espaço, muitas das nossas mentes mais brilhantes e sábias acreditam que é simplesmente inconcebível que a Terra seja o único lugar onde a vida floresceu durante os quase 14 bilhões de anos desde o nascimento do universo. Apesar dos esforços hercúleos em múltiplas disciplinas, entretanto, a ideia de que deva existir vida fora do “pálido ponto azul” que chamamos de lar permaneceu apenas uma crença. Uma teoria plausível baseada no raciocínio abdutivo, mas positivamente inverificável.

Ainda assim, um distinto astrofísico diz que a resposta a essa velha questão pode já ter passado por nós e, surpreendentemente, ninguém parece se importar. Desde o outono de 2017, o doutor Abraham “Avi” Loeb, o mais antigo presidente do Departamento de Astronomia de Harvard e autor de Extraterrestrial: The First Sign of Intelligent Life Beyond Earth, se encontrou na posição interessante de enfrentar não apenas a difícil questão de saber se estamos sozinhos no universo, mas a questão ainda mais complicada e inquietante que se segue: Será que queremos saber?

Examinando os julgamentos feitos a Loeb em meio à mera sugestão de que ‘Oumuamua pudesse ter sido alienígena, muitas das críticas mais severas parecem mais dogmáticas do que verdadeiramente científicas. Por sua vez, seus críticos argumentam que as postulações de Loeb são filosóficas, em vez de representativas da ciência pura. Depois que o artigo de Loeb e do coautor Shmuel Bialy foi publicado no The Astrophysical Journal Letters, em 2018, sugerindo que 'Oumuamua pudesse ter uma origem alienígena, uma resposta bastante típica veio de Paul M. Sutter, professor pesquisador do Instituto de Ciência Computacional Avançada da Universidade de Stony Brook e autor de How to Die in Space: A Journey Through Dangerous Astrophysical Phenomena. Ele declarou em sua conta no Twitter: “Não, o 'Oumuamua não é uma nave alienígena, e os autores do artigo insultam a investigação científica honesta só de sugerir isso!”

Uma entrevista posterior com o The Dispatch pode oferecer algumas dicas sobre a resposta emotiva do doutor Sutter. Quando perguntado: “Você acha que existe vida alienígena lá fora?”, Sutter disse: “Acho que existem alienígenas por aí, mas acho que estamos efetivamente sozinhos em nosso universo. Provavelmente existe vida lá fora, mas eles estão tão distantes de nosso lugar e tempo que acho que não vamos conseguir falar com eles”. Simplesmente por terem apresentado seu caso a todos, e ainda por cima revisado por outros cientistas, teriam o doutor Loeb e seu coautor ofendido o senso de propriedade científica do doutor Sutter, ou sua crença peremptória de que a humanidade estaria fadada a conhecer apenas uma existência solitária?


Conceito artístico do objeto interestelar 1I/2017 U1 (‘Oumuamua) conforme ele passava pelo sistema solar. A proporção de aspecto de até 10:1 é diferente de qualquer objeto visto anteriormente em nosso próprio sistema solar.
Fonte: European Southern Observatory/M. Kornmesser

A opinião do doutor Sutter não mudou ao longo dos anos: “Nenhuma mudança. O doutor Loeb está fazendo uma afirmação gigantesca sem nenhuma evidência. Só porque não entendemos algo não significa que podemos declarar que são alienígenas. A falta de evidências não lhe dá licença para fazer valer o que quiser. Não é assim que a ciência funciona”, respondeu. Ele negou que sua alegação tenha algo a ver com suas próprias crenças pessoais sobre a existência de vida extraterrestre. “Rejeito sua interpretação dos dados, sua falta de rigor e seu desprezo pela ciência. O que o doutor Loeb está fazendo parece mais com pseudociência”.

O doutor Loeb fica animado quando comenta ser visto como um herege. “Devemos ser humildes. Devemos ser modestos. Não podemos presumir que sabemos tudo com antecedência. Não podemos dizer, ‘nunca são alienígenas’. Como alguém pode dizer isso? Como alguém pode dizer que nunca é alguma coisa?”, Loeb ergue os braços em exasperação. “Para mim, isso me lembra de como a Igreja estava agindo em relação a Galileu Galilei. Quando ele disse que a Terra girava em torno do Sol, eles o colocaram em prisão domiciliar. Mas isso não mudou a forma como a Terra gira. Você não pode mudar sua realidade se você a ignorar. Você apenas mantém sua ignorância.”

Muito do interesse público no ‘Oumuamua vem da sua semelhança com discos voadores ou naves em formato de cápsula, invariavelmente evocados pelas alegações de Loeb. E a conexão reflexiva feita entre qualquer coisa de fora do sistema solar e a questão altamente estigmatizada dos UFOs é provavelmente um fator considerável por trás da antipatia da comunidade acadêmica em relação ao trabalho de Loeb nesta área.

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