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Se a mecânica quântica soa complexa, veja o entrelaçamento do tempo

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10 de Julho de 2019
Ilustração de fótons emaranhados
Créditos: Mark Garlick

O entrelaçamento quântico é um fenômeno que permite que dois ou mais objetos estejam de alguma forma ligados ao ponto que um objeto precisa necessariamente da sua contra-parte para ser descrito corretamente. Isso pode acontecer mesmo quando esses dois objetos estão longe um do outro, mesmo separados por anos-luz.

Isso tudo já é estranho o suficiente para Einstein ter chamado o entrelaçamento de “ação fantasmagórica à distância”. Ele achava que isso era um evento impossível pelas leis da mecânica quântica ortodoxa.

Para tornar tudo ainda mais estranho, um grupo de físicos da Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel) afirmou em 2013 que eles conseguiram entrelaçar fótons que nem sequer existiram ao mesmo tempo. Assim, eles propõem que além de ser possível entrelaçar objetos separados por enormes distâncias, também é possível entrelaçar objetos separados pelo tempo.

Alguns experimentos anteriores tinham usado uma técnica que atrasava a medição de uma das partículas entrelaçadas, mas elas coexistiam no mesmo tempo. Já o experimento liderado por Eli Megidish demonstra entrelaçamento entre fótons que não coexistiram ao mesmo tempo.

O experimento

O experimento foi da seguinte forma: primeiro eles criaram um par de fótons entrelaçados, chamados de “1-2”. Logo depois, eles mediram a polarizaçãoo do fóton 1 e o “mataram”. Enquanto isso o fóton 2 ficou passeando enquanto um novo par de fótons foi criado, os “3-4”. O fóton 3 foi medido junto com o fóton 2 de forma que a relação de entrelaçamento foi trocada dos pares 1-2 e 3-4 para o par 2-3.

Algum tempo depois, a polarização do fóton solitário 4 foi medida, e os resultados foram comparados com aqueles do fóton 1. O resultado foi que existem correlações quânticas entre o fóton 1 e 4, que nunca existiram ao mesmo tempo. Ou seja, o entrelaçamento pode ocorrer entre dois sistemas quânticos que nunca coexistiram.

Os pesquisadores fizeram algumas especulações sobre esses resultados. Uma delas é que talvez a medição da polarização do fóton 1 acabou guiando a polarização futura do fóton 4, ou a medição do fóton 4 tenha reescrito a polarização passada do fóton 1.

Mas é importante lembrar que não há um marcador de tempo no universo. O momento em que algo ocorre depende da localização relativa ao que você está observando. Isso é conhecido como moldura de referência.

Este artigo foi originalmente publicado no Aeon e foi republicado por Creative Commons.

Fonte: Science Alert

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