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Organograma do Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (Sioani)

Por
25 de Julho de 2012
Recorte do Jornal do Brasil, em sua edição de 11 de maio de 1969, com alguns dos croquis coloridos desenhados por militares
Créditos: CBU/Arquivo Revista UFO

Ele era conhecido como Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (Sioani), o órgão oficial criado pela Aeronáutica Brasileira em 1969 para pesquisar a presença alienígena em nosso país - algo inédito no mundo naquela época -, sob a inspiração e orientação do major brigadeiro do ar José Vaz da Silva, começando pelos esforços do então coronel e depois major brigadeiro João Adil Oliveira, chefe da primeira Comissão de Investigação Sobre Discos Voadores. Quando foi elaborado, o órgão tinha propostas arrojadas e funcionamento exemplar.

Sua conceituação assim demonstra: "O Sioani é o conjunto de recursos de pessoal e de material destinado à investigação e pesquisa do fenômeno Objeto Aéreo Não Identificado (OANI)", relembra o coronel da reserva da Aeronáutica e membro da Escola Superior de Guerra (ESG), Antonio Celente Videira [Conselheiro especial da Revista UFO e membro da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU)]. "O final do projeto Blue Book da Força Aérea Norte-Americana (USAF), em 1969, pode ter contribuído para o encerramento do Sioani em 1972, e mais de 90% dos membros da Força Aérea Brasileira (FAB), hoje em dia, desconhecem por completo essa impressionante trajetória, infelizmente", discorreu.

Entretanto, através de análise detida da documentação obtida pela campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, graças à Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), é possível detalharmos em linguagem popular e de forma simples seu funcionamento específico, auxiliando para que a percentagem de leigos no assunto se modifique rapidamente.

O Sioani, organicamente, era constituído de:

Central de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (Cioani) Órgão central do Sioani, o centro nevrálgico

Zona de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (Zioani) – Área geográfica onde estavam contidos os Núcleos de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (Nioani)

crédito: CBU/Arquivos Revista UFO
Organograma da Central de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (Cioani)
Organograma da Central de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (Cioani). Acesse-o em melhor resolução clicando aqui

Existiam seis Zioanis:

Núcleo de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (Nioani) – Órgão executor de observações, investigações e coleta de materiais para pesquisas de OANIs. Sua função podia ser executada por órgão militar, instituição pública ou por pessoa física. O Nioani era vinculado ao seu respectivo Zioani

Laboratórios de Pesquisas e Análises (Lioani) – Órgãos auxiliares, para o cumprimento da missão de pesquisas e análises de materiais referentes a Objetos Aéreos Não Identificados (OANIs)

Transporte de Pessoal e Material (Tioani) – Meios de transporte, em princípio, fornecido por órgãos oficiais, militares ou civis, por solicitação da Cioani, da Zioani ou do Nioani. Na falta de transporte oficial, podia ser utilizado o comercial. O meio de transporte tinha que ser adequado, eficiente e rápido. A rapidez na chegada ao local, onde ocorria o fenômeno ufológico era básico, para que não houvesse alteração de vestígio ou deturpação do fato. Por isso, existiam cinco aeronaves de pequeno porte, dois bimotores e três monomotores, sediadas no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo e administradas pela 4ª Zona Aérea. Essas aeronaves atendiam aos serviços normais da Organização, como, também, àqueles demandados pelo Sioani.

Rede de Comunicação (Rioani) – consistia em uma teia envolvendo as já existentes redes de comunicação da FAB, das demais Forças Singulares (Exército e Marinha), Forças Policiais e ainda a rede radioamador, visando à rápida transmissão das ocorrências fenomenológica ou mesmo o fluxo de informações entre os elos do sistema.

O Sioani subordinava-se ao Ministro da Aeronáutica, porém os resultados dos trabalhos destinavam-se ao Estado-Maior da Aeronáutica. Dentro da 4ª Zona Aérea, estava fora da estrutura do seu Estado-Maior, mas o seu chefe respondia, também, pela 2ª Seção (Informação) acumulando com a da Cioani, confirmando, assim, que o assunto era tratado por um oficial de Informações, atualmente "de Inteligência". O seu pessoal exercia a atividade sem prejuízo das funções, para as quais foram designados nas Organizações Militares.

crédito: CBU/Arquivos Revista UFO
Maior detalhamento e ramificação da Central
Maior detalhamento e ramificação da Central. Acesse em maior resolução clicando aqui

A Central ainda credenciava instituições e pessoas, civis e militares de todo o território nacional, para a função de observadores da manifestação do Fenômeno UFO. Os indivíduos cadastrados eram chamados de Vigilantes de Objetos Aéreos Não Identificados (Vioanis), quando relatavam fatos ocorridos ao órgão, ou de Pesquisadores de Objetos Aéreos Não Identificados (Pioanis), quando os investigavam (Ioani). Na seleção do pessoal ou mesmo na análise dos depoimentos, levava-se em consideração requisitos de ordem profissional, moral e cultural. O perfil das testemunhas também influía em sua análise, para que seus relatórios fossem isentos de fatos considerados pouco consistentes ou de devaneios psicóticos.

Organização impecável

A própria criação do Sioani tinha como um dos objetivos averiguar os riscos, se existissem, que os discos voadores ofereciam à segurança da Nação. Assim, por tudo o que se sabe da atuação do órgão, hoje, conclui-se que sua postura séria é exemplo de como deve ser encarado o Fenômeno UFO e a presença alienígena na Terra. A entidade era firme protagonista deste posicionamento, que atualmente não se vê mais acontecer no Brasil, uma vez que, pelo que se sabe, nenhuma outra entidade do gênero tomou seu lugar, quando foram encerradas suas atividades, ainda na década de 60.

Notamos que o Sioani obedecia a uma estrutura organizacional horizontal planificada, muito usada no mundo corporativo empresarial contemporâneo. Não havia remuneração especial para esse tipo de trabalho, sendo um sistema de voluntariado, principalmente quando se tratava de pessoal não vinculado à FAB e demais Forças Armadas, bem como dos órgãos de Segurança Pública.

crédito: Arquivos do jornal o Cruzeiro
Os militares que participaram, em 1954, do primeiro colóquio brasileiro sobre discos voadores, na Escola Superior de Guerra, onde discursou o coronel Adil de Oliveira
Os militares que participaram, em 1954, do Primeiro Colóquio Brasileiro Sobre Discos Voadores, na Escola Superior de Guerra (ESG), onde discursou o coronel Adil de Oliveira

A grande diferença

Podemos afirmar, após a análise referente e esses papéis, que, em 1969, enquanto os norte-americanos gastavam muito dinheiro com o Blue Book - para negar os UFOs - , no Brasil eles (UFOs) eram levados a sério numa complexa e muito bem organizada entidade oficial da FAB. O funcionamento do Sioani deixava qualquer um de "boca aberta", com a infraestrutura que possuía, além da seriedade e da compostura dos militares e civis que o compunham, na condução de investigações ufológicas.

E durante os anos 70, enquanto os EUA tentavam derrubar UFOs, a Operação Prato buscava contatar seus tripulantes...
Veja mais minúcias do funcionamento do Sioani na edição UFO 156, no artigo Sinais Inteligentes no Céu.

Baixe os documentos do Sioani no endereço http://ufo.com.br/documentos/Documentos_revelados_do_Sioani/

E os demais calhamaços no endereço http://ufo.com.br/documentos/

Atenção: Pedimos aos internautas que baixem, imprimam, divulguem e compartilhem à vontade tais documentos, mas que não se esqueçam de citar a fonte, a Revista UFO, e que tais materiais estão sendo disponibilizados por iniciativa da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU).
Leia também:

O que revelam os arquivos do Sioani

Brasil já teve um órgão oficial para pesquisar OVNIs

Já está no ar a Edição 190 da Revista UFO. Aproveite!

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