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O enfraquecimento na luz de Betelgeuse foi finalmente explicado

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21 de Junho de 2021
Betelgeuse está localizada na constelação de Órion. Em breve, se tornará uma supernova.
Créditos: James Stone/GettyImages

A estrela de Betelgeuse perdeu boa parte de seu brilho em 2019 sem uma explicação aparente, voltando, em meados de 2020, a reluzir como antes. Sendo visível a olho nu e observada por amadores e astrônomos durante séculos, o escurecimento era um motivo de preocupação. Agora, cientistas descobriram o motivo.

“De novembro de 2019 a março de 2020, Betelgeuse - a segunda supergigante vermelha mais próxima da Terra (a cerca de 220 parsecs, ou 724 anos-luz de distância) - experimentou um escurecimento histórico de seu brilho visível. Normalmente tendo uma magnitude aparente entre 0.1 e 1.0, seu brilho visual diminuiu para magnitudes de 1.614 ± 0.008 por volta de 07 a 13 de fevereiro de 2020 - um evento conhecido como ‘Grande Escurecimento de Betelgeuse’”, disse o astrônomo Miguel Montargès, do Observatório de Paris.

Isso levou Montargès e uma equipe de astrônomos a apontar o Very Large Telescope, do European Southern Observatory, para Betelgeuse em janeiro e dezembro de 2019 e novamente em janeiro e março de 2020. As fotos mostravam claramente o escurecimento de Betelgeuse, especialmente em sua metade sul.

Eles então compararam essas imagens com as tiradas pelo telescópio Hubble, por Andrea Dupree, astrônoma do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics e coautora do novo artigo publicado na revista Nature, e reuniram uma visão do antes e do depois do escurecimento e foram capazes de determinar sua causa provável. “Testemunhamos diretamente a formação da chamada poeira estelar.”


A progressiva perda de brilho de Betelgeuse, de janeiro a dezembro de 2019. O fenômeno, antes cogitado como um sinal de sua morte por expansão e contração, era na verdade a formação de poeira estelar.
Fonte: Hubble/NASA

Em um comunicado à imprensa, Montargès descreveu como Betelgeuse ejetou uma grande bolha de gás antes do Grande Escurecimento. Dupree mostra como a bolha se moveu a cerca de 320.000Km/h da superfície da estrela para sua atmosfera externa. Uma vez que estava a milhões de quilômetros da estrela, ela esfriou e formou uma nuvem de poeira estelar, que ofuscou Betelgeuse de novembro de 2019 a abril de 2020, quando começou a brilhar novamente.

Betelgeuse vai escurecer novamente? Isso é desconhecido por causa desta nova análise. Os astrônomos pensavam que o escurecimento de Betelgeuse, conhecida por ser uma estrela envelhecida, era devido aos estágios posteriores de sua progressão para supernova e morte de estrela. Isso pode não ser mais o caso, o que significa que Betelgeuse poderia permanecer visível em nosso céu por um longo tempo - ou pelo menos até que nós, humanos, o bloqueemos com nossa própria poeira.

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