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Novo colaborador da UFO, Jorge Vercillo, revela sua visão holista sobre a importância da ficção

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18 de Junho de 2010
Jorge Vercillo é um dos mais renomados e consagrados cantores e compositores brasileiros
Créditos: Edgard de Souza

Não é à toa que os dois filmes, Avatar e Guerra ao Terror, protagonizaram a disputa final nessa premiação importantíssima ao imaginário humano, na virada da Era de Peixes para Aquário. Independente de quem merecia ou não ter levado a estatueta, venho afirmar minha opinião, de que Avatar acrescenta, neste momento, muito mais à humanidade do que Guerra ao Terror. Enquanto a competente cineasta evidencia a problemática - tão batida e rebatida - dos terrores da guerra, o outro aponta para o novo, mostra uma "solucionática" de entendimento que vai muito além dos efeitos 3D de James Cameron. É impressionante como não se fala sobre isso, aliás, é abalante a nossa falta de visão sobre as questões mais profundas e tão claras da nossa existência.

As pessoas pensam que se emocionaram em Avatar pela tecnologia, efeitos em 3D e tudo mais, no entanto, podemos afirmar que não foi este o principal motivo de toda essa comoção, levando a saga a bater todos os recordes de bilheteria no mundo inteiro. Infelizmente, muitos de nós não tiveram acesso (ainda) às informações necessárias para o entendimento do que realmente se esconde em nosso subconsciente e mexe com a gente, quando escutamos uma música que nos pega de surpresa ou um filme que suscita toda uma nova compreensão sobre o plano físico. A grande genialidade de Cameron foi usar a liberdade da ficção científica para escancarar ao mundo que a essência do ser pode não estar dentro de nosso corpo. Avatar mostra que a consciência não está no interior de nossa caixa craniana, exprime o que é o software e o que é o hardware, pois não somos quem pensamos que ser.

Entendo perfeitamente que minhas palavras encontrarão muita resistência e dificuldade de compreensão por parte do momento, onde todos os olhos estão voltados para fora, para o externo, o corpo, o material, o plano físico. Mas faço uma sugestão e um pedido, para que antes de simplesmente ignorarem ou criticarem, se informem do que a vanguarda da ciência e da medicina já andam dizendo sobre, por exemplo, a glândula pineal e sua função - até pouco tempo desconhecida.

Nosso ser não está limitado neste invólucro que chamamos de organismo, pois toda vida é energia. Passamos ordens e mensagens, através da glândula pineal (cristais de captação e codificação), para nosso corpo "orgânico-robótico", que obedece quase todos comandos de movimentos, pensamentos, sensações, emoções etc. James Cameron evidencia isso claramente dentro da trama do “projeto Avatar” que, segundo a estória, clona artificialmente os corpos de nativos daquele planeta e ligando as mentes humanas naqueles corpos-roupa para desempenharem uma missão diplomática no meio daquela colonização norte-americana extrativista, que aqui no terceiro mundo conhecemos bem. Já estava na hora de nossas grandes inteligências, tão conhecedoras de arte, perceberem que ficção científica, muitas vezes, não é apenas imaginação, é percepção de uma realidade mais aprofundada ou captação de um futuro. s

É a antecipação de uma realidade, como foi o caso de Barack Obama. Ou vocês não lembram quantas vezes Morgan Freeman e outros astros negros interpretaram presidentes norte–americanos? Talvez não saibam que o desenvolvimento do primeiro aparelho celular foi inspirado naquele telecomunicador da Enterprise da saga Jornada nas Estrelas, que já trazia à tona tantas novas percepções de realidades distintas de nosso senso comum e até hoje é tão subestimada pela academia e parte da crítica especializada. Poderia enumerar centenas de conceitos e invenções que foram antecipadas pela ficção científica, ela precisa ser levada mais a sério, pois atua direta e indiretamente, ligada a criação de nossa realidade atual, influindo de duas maneiras:

1. Todo ser humano que se dedica ao ofício da criação e interpretação, como roteiristas, compositores, diretores de cinema, novelas, teatro, autores de livros, atores etc, se conecta involuntariamente com o tempo à uma faixa de vibração do inconsciente coletivo, que é um instrumento poderosíssimo de criar o que chamamos de realidade. Captando invariavelmente, como uma antena parabólica, algumas energias e tendências do que está por vir. Quem nunca teve uma idéia revolucionária e, logo depois, descobriu que aquilo tinha acabado de ser realizado no outro lado do mundo? Esse é o banco de informações e idéias do inconsciente coletivo.

2. O que é difundido como informação, arte, noticiários e manchetes, através dos jornais, filmes de ficção, romance ou guerra, enfim, tudo fica no inconsciente coletivo e, de acordo com a afinidade de sintonia da maioria das mentes, milhares de idéias e informações correm o risco de se manifestarem. De acordo, é claro, com as condições físicas de uma determinada realidade. Finalmente descobrimos que temos o poder de direcionar nosso futuro e materializar nossas escolhas. Isso quer dizer que, quanto mais positiva a carga de informação que assimilarmos, mais otimista será nossa perspectiva de realidade? Podemos ter nosso filtro do que entra de violência em nosso dia-a-dia através da informação que consumimos involuntariamente?

Adoro o José Wilker e acho que entende muito de cinema mesmo, artes cênicas em geral e, com certeza, o filme vencedor teve vários méritos para estar ali. No entanto, estamos sempre percebendo tardiamente nossa falta de entendimento mais aprofundado em alguns detalhes de filmes geniais, que criam todo um mundo paralelo, como Star Wars ou mesmo Avatar, quando os humanóides nativos conectam seu sistema neural com os dos animais que co-habitam “Pandora”, utilizando a ficção como metáfora para mostrar mais uma vez, de forma magistral, como literalmente acontece em nossa realidade terrestre. Estamos ligados a tudo e a todos (Vide a última crise financeira mundial). Mas não tem problema, o que não nos falta é tempo de existência para rodar, sofrer, guerrear e, só depois, perceber essas e muitas outras coisas.