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Nova teoria: pode não ter sido um asteroide que causou a extinção dos dinossauros

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23 de Fevereiro de 2021
Novo estudo apresenta teoria que, para os leigos, pode não fazer diferença. Mas no meio científico, um detalhe pode mudar tudo.
Créditos: Getty Images

Em uma nova teoria publicada no dia 15 de fevereiro, na revista Scientific Reports, pesquisadores de Harvard questionam que tenha sido um asteroide o corpo espacial envolvido na extinção dos dinossauros.

Os cientistas defendem que foi, sim, um pedaço de um cometa que caiu na Terra há mais de 66 milhões de anos para criar a cratera Chicxulub. Localizada na Península de Yucatán, no México, essa cratera se estende por cerca de 180Km. O impacto que criou o Chicxulub está ligado ao evento de extinção do Cretáceo-Paleógeno, que matou os dinossauros e muitas outras espécies, de acordo com o estudo.

“Deve ter sido uma bela visão (a queda do cometa), mas a diversão acabou quando o bólido atingiu o solo”, disse o coautor do estudo, Abraham Loeb, professor de ciências da Universidade de Harvard. Loeb teoriza que um pedaço de um cometa foi o culpado pelo evento de extinção em massa, não um asteroide como muitos cientistas defendem. Segundo ele, o cometa se originou da Nuvem de Oort, um grupo de objetos gelados localizados na borda do sistema solar.

“Um cometa é um pedaço de lixo espacial feito principalmente de gás congelado, enquanto um asteroide é um pedaço de rocha mais comumente encontrado no Cinturão de Asteroides, uma coleção de asteroides entre Marte e Júpiter”, de acordo com o correspondente meteorológico da CNN, Chad Myers. A probabilidade de um asteroide com um diâmetro de pelo menos 10Km causar um evento de impacto como o Chicxulub é de uma em cada 350 milhões de anos, de acordo com o estudo.


Apesar de amplamente estudado, o evento que causou a extinção dos dinossauros ainda apresenta muitos mistérios.
Divaneth-dias/Getty Images

Os cometas de longo período - cometas com uma órbita de mais de 200 anos - que são capazes de um evento como o Chicxulub são significativamente mais raros, com um ocorrendo a cada 3.8 a 11 bilhões de anos, indicam os cientistas de Harvard. Os pesquisadores oferecem um cenário de como o cometa poderia ter vencido essas probabilidades de longo prazo. Conforme o corpo espacial viajou da Nuvem de Oort para o centro do sistema solar, a força gravitacional de Júpiter poderia ter dado um impulso para que tivesse velocidade suficiente para chegar ao Sol, de acordo com Loeb.

“Júpiter age como uma máquina de pinball”, disse Loeb. “Quando algo chega perto, ele pode dar um ‘chute’.” Ao chegar ao Sol, a força gravitacional do astro poderia ter quebrado o cometa em vários pedaços. Dividido em várias partes, é 10 vezes mais provável que o cometa atingisse a Terra quando os pedaços se afastassem do Sol, de acordo com Loeb.

Mas há quem discorde. “Uma evidência é o Iridium - junto com um punhado de outros elementos químicos - encontrado espalhado ao redor do planeta após o impacto”, disse David Kring, principal cientista do Instituto Lunar e Planetário em Houston, que não esteve envolvido no estudo do cometa. “Não há absolutamente nenhuma evidência que prove que seu modelo está incorreto, mas por outro lado, há muitas evidências que ainda apontam para um asteroide como o causador de impacto mais provável”, disse Kring. Loeb disse que está interessado em procurar por pedaços de cometa remanescentes da separação para verificar sua teoria.

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