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NASA financia projeto para procurar assinaturas tecnológicas de civilizações alienígenas

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06 de Julho de 2020
Ilustração de um estudo feito pelo físico Adam Frank, que imaginou uma suposta população alienígena baseada na Ilha de Páscoa
Créditos: BBC

Com apoio financeiro da NASA, grupo de pesquisadores de diversas universidades dos Estados Unidos passarão os próximos três anos desenvolvendo um guia sobre como encontrar civilizações alienígenas por meio de seus rastros tecnológicos.

 Pela primeira vez em 30 anos, a NASA vai financiar um projeto que dá um passo adiante em relação ao SETI na busca por outras civilizações. Ao invés de procurar pela emissão inteligente de sinais de rádio, o nosso estudo se propõe a procurar indícios de uso de tecnologia por civilizações extraterrestres ou tecnoassinaturas.

O projeto pretende estabelecer a forma como determinadas tecnologias que conhecemos, também potencialmente usadas por raças alienígenas inteligentes, poderiam ser detectadas visualmente por meio de telescópios.

"Você pode pensar nas tecnoassinaturas como parte da SETI, mas na verdade elas representam uma expansão dessa busca. É uma nova direção, que só é possível graças à descoberta de outros planetas fora do Sistema Solar", explicou o físico e astrônomo que lidera a pesquisa Adam Frank, da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos.

"A dúvida sobre a existência de planetas orbitando outras estrelas remonta aos gregos, há cerca de 2.500 anos, mas só foi respondida 25 anos atrás. Depois de acharmos os primeiros, rapidamente percebemos que a galáxia estava repleta deles. E, quando você tem planetas, tem também um lugar para onde olhar na busca por civilizações extraterrestres", esclareceu Frank.

 

Poluição alienígena


O astrônomo Adam Frank

Apaixonado pelo espaço sideral e por ficção científica desde bem novo, Frank confessou que apesar de ter certa fascinação por formas de vida alienígena há décadas, só começou a se debruçar sobre o assunto há pouco tempo. Ele construiu sua carreira estudando o nascimento e a morte de estrelas.

A partir da publicação de seu último livro, Light of the Stars: Alien Worlds and the Fate of the Earth [Luz das Estrelas: Mundos Alienígenas e o Destino da Terra. W. W. Norton, 2018], no qual o cientista questiona como a descoberta de civilizações alienígenas poderia afetar nossa percepção sobre o futuro da humanidade, Frank mergulhou de fato nesse universo.

A proposta de pesquisa que recebeu apoio da Nasa nasceu há dois anos, durante uma oficina sobre tecnoassinaturas organizada pela agência, em Houston, no Texas. Hoje, o projeto também inclui os professores e pesquisadores Avi Loeb, da Universidade Harvard, Jacob-Haqq Misra, da organização Blue Marble Space, Manasvi Lingam, do Instituto de Tecnologia da Flórida, e Jason Wright, da Universidade do Estado da Pensilvânia.

Frank ressalta que a pesquisa, com duração máxima de três anos, marca o início de um projeto muito maior, que deve se estender por décadas, e que inicialmente vai englobar apenas dois tipos de tecnoassinaturas: a poluição e o uso de energia solar.

 

Desenvolvendo os equipamentos


Telescópio gigante ainda a ser construído Foto/Divulgação

Se tudo der certo, esses devem ser os primeiros tópicos a serem incluídos em um catálogo de tecnoassinaturas que será mais extensamente desenvolvido ao longo das próximas décadas e servirá como guia aos astrônomos que estiverem observando outros planetas em busca de indícios de vida inteligente.

O pesquisador acrescenta que os estudiosos deverão ter bastante tempo para preencher o catálogo até que os registros possam de fato ser colocados em prática, já que os instrumentos para captar essas informações com a eficácia necessária ainda estão para ser desenvolvidos.

Segundo Frank, somente as próximas gerações de telescópios ópticos, com diâmetros que "podem chegar ao tamanho de um campo de futebol americano", cerca de 110 m, terão um alcance que permitirá analisar as tecnoassinaturas. "Só assim poderemos observar se o espectro encontrado na luz emitida por eles corresponde às digitais que estamos prevendo", disse o astrônomo à BBC.

"As pessoas têm essa noção de que há cientistas procurando sinais de civilizações inteligentes todos os dias. Elas acham que estamos profundamente engajados nessa busca, que mapeamos todo o céu e não encontramos coisa alguma", explica Frank. "Isso não poderia estar mais distante da realidade".

 

Nosso futuro, lá fora


Outras civilizações podem espelhar nosso futuro Crédito: Revista UFO

Na verdade, segundo ele, a humanidade vem engatinhando cientificamente nessa área, que ainda sofre com a falta de financiamentos significativos e cujos principais avanços teriam acontecido "graças a um punhado de astrônomos dispostos a gastar seu tempo livre olhando pela lente do telescópio".

Para o astrônomo, a importância da empreitada é óbvia: aprender sobre outras civilizações nos ajudaria a entender melhor nosso futuro, especialmente em relação aos desafios que devemos enfrentar para a sobrevivência da humanidade. Entre eles, as mudanças climáticas.

"Nós nem sequer sabemos se a natureza do universo permite a criação de civilizações com longo prazo de duração. Talvez toda civilização, caso realmente exista outras, chegue ao ponto em que estamos, dê início a algo parecido com o aquecimento global e, então, seja extinta 200 anos depois", afirmou Frank.

"Sobre a vida extraterrestre, a única coisa que podemos dizer é que ainda não olhamos lá fora. Pode ser que descubramos novos indícios amanhã, mas o mais provável é que leve décadas. Estamos apenas no começo, colocando nossos barquinhos na água para dar início a uma jornada que promete ser longa, com um destino final valioso para a humanidade", declarou ele.

 

Fonte: BBC 

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