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NASA estuda como evitar contaminação no pouso em Europa

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27 de Dezembro de 2016
Concepção artística da superfície de Europa; primeira visita à lua de Júpiter poderá acontecer na próxima década
Créditos: NASA

Em meados de metade da década de 2020 a NASA deverá lançar sua próxima missão a Júpiter, até o momento apelidada de Europa Clipper, e que examinará a lua Europa com detalhes inéditos. A missão deverá entrar em órbita do gigantesco planeta e realizar diversos sobrevoos da lua, contudo o Congresso norte-americano determinou, no orçamento da agência, que a nave deverá também levar um módulo de pouso. Esse lander deverá pousar em Europa, procurando pelas evidências químicas de que a lua pode suportar vida.

Desde as missões Voyager, que visitaram o planeta em 1979, e principalmente após análises dos dados da missão Galileo, se suspeita que exista um oceano em Europa. Essa imensa camada de água líquida, que se calcula seja o dobro de todos os oceanos da Terra, se localiza abaixo da capa de gelo da superfície, estimada entre 15 a 25 quilômetros de espessura. Europa, com 3.100 km de diâmetro, é considerado um dos melhores locais do Sistema Solar para procurar vida extraterrestre.

Uma das grandes esperanças é analisar as plumas de vapor de água que o telescópio espacial Hubble localizou na região polar sul. Teoricamente amostras do oceano de Europa poderiam ser analisadas sem sequer a necessidade de pousar em sua superfície, somente realizando um voo razante como os que a Cassini fez em Enceladus, lua de Saturno, através de seus gêiseres. Entretanto, pousar um lander para procurar pelos elementos químicos necessários à vida torna-se complicado nessa lua, pois os jatos dos motores de descida inevitavelmente irão contaminar o gelo ao redor do local de pouso. E como os propelentes mais comuns contém amônia, formada em parte por nitrogênio, ficaria extremamente difícil então determinar se qualquer nitrogênio, outra molécula essencial à vida, é nativo de Europa ou veio da Terra.

BUSCANDO VIDA ALIENÍGENA NA LUA GELADA

A NASA está preocupada com os riscos inerentes de pousar em terreno totalmente desconhecido, comprometendo uma missão que poderá custar perto de 2 bilhões de dólares. E como a temperatura máxima na superfície de Europa é de somente - 160º C, a amônia resultado da exaustão dos motores de descida ficaria impregnada no local de pouso, comprometendo a qualidade das amostras. Uma ideia é instalar uma broca no módulo de pouso, a fim de pesquisar de 10 centímetros a um metro. A ideia mais promissora que a NASA está estudando é a tecnologia do guindaste aéreo, a mesma utilizada no pouso do rover Curiosity em Marte, em 2012. Baixando o módulo até a superfície com cabos, seria evitada a contaminação com os gases dos foguetes. A agência espacial espera assim ter mais chances de identificar a presença de elementos e compostos essenciais à vida em Europa. Futuramente outras missões, capazes de realizar prospecções indiretas do oceano no interior da lua, poderiam detectar evidências de vida.

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