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Missão da NASA irá coletar amostras de asteroide

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03 de Agosto de 2016
Em 2018 a nave Osiris-REx chegará ao asteroide Bennu
Créditos: NASA

Como sempre, a falta de informação mais a ingenuidade dos incautos são um terreno fértil para os mistificadores e falsários de sempre. O alvo da vez é o asteroide 101955 Bennu, descoberto pelo projeto Linear em 11 de setembro de 1999, e objetivo da nave Osiris-REx da NASA. A missão de 800 milhões de dólares tem em sua designação o significado Origens, Interpretação Espectral, Identificação de Recursos, Segurança, Explorador de Regolito, e será lançada por um foguete United Launch Alliance Atlas V da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, no próximo 8 de setembro.

Os mistificadores estão espalhando textos alarmantes de que Bennu pode destruir a Terra. A verdade é que a rocha espacial de 500 metros de extensão teve sua trajetória futura computada em 2010 por Andrea Milani, astrônoma e matemática da Universidade de Pisa, Itália, que determinou a possibilidade de um impacto do asteroide contra a Terra entre 2169 e 2199. A probabilidade de impacto depende das características físicas do objeto, que não eram conhecidas na época, mas em nenhuma das datas potenciais de impacto o risco foi maior que 0,071%, ou seja, praticamente irrisório. Evidentemente, essa informação os farsantes da internet não divulgam.

Após a publicação do estudo de Milani, observações por radar aconteceram em 1999, 2005 e 2011. Dessa forma, baseando-se em cálculos publicados em 2014 a possibilidade de impacto entre 2175 e 2196 é de 0,037%, ou seja, ainda menor. Esses números correspondem na escala de Palermo, que identifica asteroides potencialmente perigosos, na cifra de -1,70. O risco continua sendo baixíssimo e de qualquer forma há tempo de sobra para desenvolver técnicas seguras de desvio, a fim de mitigar qualquer perigo. Além disso, o asteroide nem de longe tem tamanho suficiente para ameaçar a vida na Terra de uma forma global. Bennu completa uma órbita ao redor do Sol a cada 436,6 dias, aproximando-se da Terra uma vez a cada seis anos em média. Um fator a ser levado em conta é o efeito de Yarkovsky, no qual a absorção de energia solar por um asteroide é convertida em calor em sua superfície, podendo alterar sua trajetória. E é precisamente por isso que uma missão espacial decola no próximo mês com o objetivo de estudar essa rocha espacial.

MISSÃO QUE PODE TRAZER PISTAS SOBRE A ORIGEM DA VIDA E COMO PROTEGER A TERRA

A missão Osiris-REx irá decolar no próximo dia 8 de setembro e será inserida em uma trajetória na qual irá perseguir Bennu por dois anos. Finalmente, em agosto de 2018, a nave entrará em órbita do asteroide, que o estudará também por dois anos. O ponto alto da missão será a coleta de amostras da superfície, estimadas 60 gramas, em julho de 2020. A missão deverá regressar à Terra em 2023, trazendo as amostras para serem estudadas em vários laboratórios ao redor do mundo. Dante Lauretta, do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona e principal cientista da missão, afirma que objetos como o Bennu, com alta concentração de carbono na superfície, podem ter sido essenciais no surgimento de vida na Terra e outros mundos.

crédito: NASA
Técnicos finalizam a montagem da Osiris-REx
Técnicos finalizam a montagem da Osiris-REx

Ele afirma: "Esse tipo de objeto tem material orgânico e água, na forma de minerais hidratados como argila, e podem tê-los trazido até nosso planeta auxiliando na criação da habitabilidade e dos ambientes propícios para a origem da vida". A missão também pretende determinar quais materiais valisos podem existir nesse tipo de corpo celeste e também medir sua composição a fim de obter parâmetros necessários para esforços de defesa, caso uma dessas rochas espaciais venha a ameaçar nosso planeta. Sobre isso, a órbita de Bennu é a mais bem conhecida de qualquer asteroide, sendo que atualmente os astrônomos são capazes de determinar sua trajetória com uma precisão de seis metros. A Osiris REx permitirá que os cientistas estejam mais bem preparados para proteger a Terra de um futuro impacto. E para um asteroide causar destruição global estima-se que seu tamanho tenha que ser ao menos de um quilômetro. Assim, mesmo que Bennu possa vir a atingir a Terra em algum ponto do século XXII, seus meros 500 metros de forma alguma são suficientes para provocar tragédias em uma escala global. A missão da NASA seguramente irá auxiliar a mitigar completamente qualquer perigo.


Visite o site da missão

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