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Meteorito vindo de um planeta destruído trouxe um mineral desconhecido à Terra

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04 de Setembro de 2019
Dr. Stuart Mills com o meteorito Wedderburn
Créditos: Justin MCManus

Em 1951, um pedaço de rocha de 210 gramas despencou do céu próximo a Wedderburn, na Austrália. O meteorito chamava a atenção por sua cor marrom-avermelhada, e logo foi batizado em homenagem à cidade onde aterrissou. Mas a coloração incomum estava longe de ser sua característica mais exótica. Quase 70 anos após a queda, cientistas descobriram que, dentro dele, existe um mineral inédito, jamais encontrado em qualquer lugar do planeta.

Quem primeiro identificou os resquícios do mineral alienígena foi um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos. A descoberta foi publicada na revista científica Journal of Earth and Planetary Materials, e se deu enquanto os cientistas estudavam a coleção dos Museus Victoria, na Austrália, onde a pedra fica exposta.

Outros pesquisadores já haviam encontrado no fragmento de rocha espacial traços de metais como ouro, ferro, kamacita, schreibersita, taenita e troilita. De tanto ser manipulado e examinado por cientistas, inclusive, estima-se que o material tenha apenas um terço da sua massa original – a versão que está exposta no museu, hoje, teria cerca de 71 gramas. Mas, pela primeira vez, uma análise acusou também a presença de um material diferente.

 

 
Meteorito de Wedderburn. [E 12197] de Rodney Start. (Museums Victoria / CC BY)

O novo mineral é uma variação de carbeto de ferro, nome que se dá a minerais que combinam átomos de ferro e carbono. Tão peculiar quanto sua origem foi o nome escolhido: edscottita. Estranhou o apelido? É nada menos que uma adaptação do nome de Edward Scott, renomado especialista em meteoritos e cosmoquímico da Universidade do Havaí. Até então, não se tinha provas de que essa configuração mineral existia na natureza.

Não se sabe ao certo a origem do fragmento especial que chegou à Terra. Uma hipótese, segundo disse ao site The Age Geoffrey Bonning, cosmoquímico da Universidade Nacional da Austrália, é que a edscottita tenha se formado no núcleo de um planeta antigo. Uma colisão com outro corpo celeste, que destruiu o depósito natural de edscottita, poderia ter lançado fragmentos de rocha cheias desse mineral pelo espaço. Até que, milhões de anos depois, um deles atingiu a pacata cidade australiana de Wedderburn.

Até o último levantamento da Associação Internacional de Mineralogia, feito ao final de 2018, especialistas já haviam identificado 5,4 mil tipos diferentes de minerais. E, segundo estima a Sociedade de Mineralogia dos Estados Unidos, essa lista ganha pelo menos 30 novos integrantes todos os anos. A maior parte das descobertas costuma envolver coisas bem menos instigantes do que rochas vindas do espaço, como você pode imaginar.

Os estudo foram publicados na American Mineralogist.

Fonte: The Age

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