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Luis Elizondo, ex-oficial de Inteligência do Pentágono reage ao lançamento de vídeos de UFOs

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29 de Abril de 2020
USS Nimitz
Créditos: US Navy

Como noticiamos em primeira mão na segunda-feira, o Pentágono liberou, oficialmente, os vídeos de UFOs feitos pelos pilotos da Marinha, assumindo, portanto, a autenticidade dos mesmos. O que estará por trás disso?

 Milhões de pessoas em todo o mundo assistiram e reassistiram os três vídeos feitos por pilotos da Marinha dos Estados Unidos durante encontros dramáticos com aeronaves espetaculares, mas desconhecidas. 

O comandante do esquadrão Black Aces David Fravor, um dos pilotos da Marinha que perseguiram o objeto apelidado de Tic Tac, diz claramente que não é nosso, ou seja, não é terrestre.

"Até hoje, nós quatro lhe diremos que não temos ideia do que vimos, de onde aquilo veio ou o que era", disse Fravor, que acrescentou: "mas tinha características de desempenho incríveis que estavam muito além dos novíssimos caças super hornets recém-saídos da fábrica, que eram os jatos que estávamos pilotando".

 

Não identificados

 
Um dos UFOs filmados Pela Marinha dos Estados Unidos
Crédito: R7

Quase todas as organizações de notícias do mundo estão agora relatando os vídeos de UFOs novamente. Isso porque o Pentágono emitiu uma declaração, na segunda-feira, 27 de abril de 2020, sobre o que a Defesa chama de "vídeos históricos da Marinha"

Aqui no Brasil a Revista UFO foi o primeiro veículo de imprensa a noticiar a liberação oficial dos vídeos, assim que ela aconteceu, como você pode ler aqui.  A declaração reconhece que as gravações foram feitas pela Marinha e que os objetos permanecem "não identificados"

O Departamento de Defesa (DoD) postou os três vídeos em seu site, supostamente o primeiro lançamento oficial, apesar de os vídeos já estarem circulando há um bom tempo. 

Em janeiro de 2018, o ex-oficial de Inteligência do Pentágono Luis Elizondo, disse muito claramente ao jornalista George Knapp e a quem mais quisesse ouvir: "O fenômeno é bastante real".

 

Luis Elizondo

 
Luis Elizondo Crédito: Mystery Wire

Elizondo provocou ondas de choque entre seus colegas do Pentágono quando, para surpresa deles, ele apareceu em um palco, em outubro de 2017, apenas alguns dias após se demitir de seu emprego no DoD. 

Dois meses depois, o jornal The New York Times divulgou uma notícia bombástica , revelando que Elizondo estava encarregado de um programa secreto do governo para estudar UFOs, conhecido como Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais (AATIP).

O Pentágono admitiu que o programa investigara UFOs, mas afirmou que tudo terminara anos antes. Uma das razões pelas quais a história ganhou manchetes globais é porque dois dos vídeos também foram divulgados pela entidade To The Stars Academy, novo empregador de Elizondo.

Mas como os vídeos saíram dos cofres do Pentágono? Críticos e desmascaradores sugeriram que Elizondo havia cruzado a linha e levado os vídeos consigo quando saiu. 

"Os vídeos foram divulgados pelo Departamento de Defesa", disse Elizondo em uma entrevista de 2018. 



O Departamento de Defesa tomou a decisão de liberá-los. Eles deveriam ser liberados, no nível não classificado e o DoD, por meio de um processo de revisão chamado DOPSER, aprovou a liberação exatamente pelo motivo pelo qual a solicitação foi feita. Ou seja, tudo  de forma clara e legal.

Os documentos obtidos meses depois pela equipe da emissora KLAS 8NewsNow I, em Las Vegas, mostram que Elizondo havia solicitado uma desclassificação dos três vídeos para que ele pudesse compartilhá-los com uma comunidade de interesse, incluindo parceiros do setor. 

O escritório encarregado desse processo acabou dando luz verde, liberando-os para publicação aberta, de acordo com o documento oficial do Departamento de Defesa, que era mais do que Elizondo havia solicitado.

O Pentágono e os UFOs


Pentágono, a sede das forças de Defesa dos Estados Unidos
Crédito: Pentagono

O ex-empregador de Elizondo, entretanto, não estava feliz. O Pentágono historicamente enganou ou reteve informações sobre UFOs do público. Cinco dias após a notícia do New York Times, uma investigação foi iniciada sobre o lançamento dos vídeos. Conforme relatado pelo site Vice Motherboard .

Os investigadores foram informados de que outros escritórios no Pentágono deveriam ter assinado o acordo, mas encerraram o caso e nenhuma ação foi tomada contra Elizondo. Ele disse a George Knapp, há dois anos, que tomara medidas extras para garantir que tudo fosse feito de forma muito correta.

“Além disso, os vídeos passaram por uma outra camada, que não era necessária: uma revisão de divulgação para estrangeiros. Portanto, os três vídeos publicados, e os dois que a maioria das pessoas conhece passaram pelo processo oficial, conforme declarado pela política do regulamento do DoD”, explicou Elizondo.

Ou seja, nenhum atalho foi utilizado. A autoridade de classificação original disse que estavam prontos para divulgar os vídeos. O Departamento de Defesa emitiu várias declarações conflitantes sobre o programa AATIP, os vídeos e sobre o papel de Elizondo. 

 Dois anos após o Pentágono confirmar que o AATIP havia sido um estudo sobre UFOs, ele voltou atrás e disse que o programa não tinha nada a ver com os UFOs. O Pentágono também disse que o programa terminara em 2012, mas várias fontes dizem que ele continua até hoje, mas sob um nome diferente. 

Membros do Congresso receberam instruções a portas fechadas nos últimos dois anos, ouvindo diretamente pilotos como Dave Fravor e do próprio Elizondo. A desinformação plantada pelo Pentágono sobre UFOs tem sido a norma há décadas. 

John Greenewald, um pesquisador que registrou milhares de pedidos de Liberdade de Informação (FOIA) colocou desta maneira: “... eles não podem ser responsabilizados por mentir. Eles podem lhe dizer o que quiserem e quando você puder provar, sem sombra de dúvida, que eles estão mentindo, isso não lhes interessa mais”. 

 Para os interessados no mistério dos UFOs, qualquer declaração do Pentágono é uma notícia bem-vinda. O recente anúncio da Marinha dos Estados Unidos de que deseja facilitar o registro de encontros feitos pelos pilotos é um desenvolvimento notável.

A declaração do Departamento de Defesa de que este lançamento é oficial, diferentemente do lançamento anterior, faz pouca diferença para os milhões de pessoas que assistiram aos vídeos nos últimos anos, mas causou uma nova explosão na cobertura da mídia sobre a questão dos UFOs.

A pergunta aqui é: por que lançaram oficialmente algo que a Marinha já havia divulgado? Há algum interesse em trazer o assunto à baila em plena pandemia?

Fonte: Mystery Wire

Assista, abaixo, um excelente documentário sobre o caso:

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