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Lua Ganimedes de Júpiter tem oceano interno

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17 de Março de 2015
Foto de Ganimedes obtida pela nave Galileo
Créditos: NASA

Quando Galileu Galilei, entre 1609 e 1610, apontou sua luneta para Júpiter e descobriu suas quatro maiores luas, Io, Europa, Ganimedes e Calisto, produziu contra si próprio provas de acusação quando foi levado ao Tribunal da Inquisição. Em uma época em que a posição oficial era que tudo girava ao redor da Terra, as luas de Júpiter constituiam-se em ameaça contra a autoridade. Hoje se sabe, graças às missões Voyager e Galileo da NASA, que esses quatro mundos são alguns dos objetos mais interessantes do Sistema Solar, e dois deles são candidatos a abrigar vida extraterrestre.

A possibilidade de vida em Europa tem sido amplamente discutida quando ficou comprovado que, abaixo da capa de gelo que o recobre, existe um imenso oceano, protegido dos cinturões de radiação letal de Júpiter. Conforme Europa percorre sua órbita, afastando-se e se aproximando do planeta gigante, ocorre a geração de calor interno devido às forças de maré, mantendo líquido esse oceano. Existe ainda a suspeita de que existam gêiseres na superfície, com o que poderíamos analisar material vindo diretamente dali. Agora as atenções se dividem também com Ganimedes, que com um diâmetro de 5.268 km é a maior lua do Sistema Solar.

Utilizando o telescópio espacial Hubble, cientistas analisaram auroras e efeitos de luzes criados nos polos de Ganimedes por seu campo magnético, o único de qualquer lua conhecida. O campo magnético do satélite muda conforme o de Júpiter, porém nas auroras em sua tênue camada atmosférida não foi observado o efeito esperado. Os cientistas concluiram que isso se deve a um grande oceano de água líquida e salgada sob a superfície de Ganimedes. A técnica pode inclusive ser utilizada para investigar auroras em planetas alienígenas no futuro, e descobrir aqueles capazes de abrigar água. Os cientistas afirmam que o oceano de Ganimedes possui cerca de 100 km de espessura, contendo mais água que aquela existente na Terra, e está sob 150 km de crosta, composta principalmente de gelo.

POSSIBILIDADE DE UM ECOSSISTEMA EM JÚPITER

Os cientistas têm comentado inclusive que as luas Io, Europa e Ganimedes podem compor um ecossistema. As erupções em Io, o corpo vulcanicamente mais ativo do Sistema Solar, enviam para o espaço toneladas de materiais ricos em enxofre. Funcionando como nutrientes, esse material pode cair em Europa, onde podem existir gêieres, que por sua vez cairiam em Ganimedes, todas as luas funcionando como um único ecossistema. Existem inclusive especulações de que Calisto, de maneira semelhante a Ganimedes, também possua um oceano no subsolo, com possivelmente as mesmas condições. Outro dos achados sobre Ganimedes, aliás, são evidências de locais em sua superfície inundados em passado recente, talvez por água de criovulcões, que expelem água e gelo ao invés de lava. Igualmente é importante frisar que procurar por vida como a nossa não é nenhum contrassenso, visto que seus principais elementos constituintes, carbono e água (formada por oxigênio e hidrogênio) são os elementos mais abundantes do Universo.

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