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Fotos atribuídas à cratera de meteoro são, na verdade, de uma dolina em 2017

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16 de Setembro de 2019
Dolina em Coromandel (MG), em 2017
Créditos: Facebook

Após esta sexta-feira (13), quando um meteoro passou pela região noroeste do Paraná e foi visto e ouvido por centenas de moradores, começaram a surgir áudios e fotos em grupos de mensagens referentes a uma cratera, em que os autores das mensagens afirmam ter sido causada pelo tal meteoro. As fotos são de um fenômeno natural chamado dolina, ocorrido em Minas Gerais há dois anos e os áudios, apenas uma tentativa zombeteira para assustar incautos. 

Em um dos casos, mais exagerados, aparece um buraco de mais de 20 metros de diâmetro, acompanhada de um áudio que diz que a cratera foi resultado da queda do meteoro, que teria caído na cidade de Amaporã (PR). Em outra mensagem, a mesma foto é usada, mas o autor da fake news relata que é na cidade de Paranavaí (PR).

Muitas pessoas acabaram repassando as imagens na redes sociais e acreditando serem verdadeiras. Os registros, no entanto, são falsos e não se referem ao fenômeno que aconteceu nesta sexta-feira no Paraná, mas a um caso registrado em uma fazenda em Coromandel, Minas Gerais, em 2017, e nada tem a ver com meteoro, mas com uma característica da formação rochosa do local, que é de região calcária, parcialmente solúvel à ação do tempo, o que teria levado a dissolução e causado o buraco, conhecido como dolina.

 

O que ocorreu de verdade nesta sexta-feira 13?

Segundo o astrônomo e pesquisador do Observatório Nacional (ON), Marcelo de Cicco, o fato é comum de acontecer, o incomum foi o estrondo, que assustou os moradores. De acordo com ele, o que passou por Paranavaí foi um bólido, de baixa energia, se comparado a outros que já caíram no Brasil.

“O bólido é um pedaço de rocha do espaço que entra na atmosfera na velocidade de 100 mil km/h a 120 mil km/h. A explosão acontece durante essa entrada, mas não há risco de cair e machucar ninguém, nem fazer cratera na terra, pois ele já explodiu no espaço”, explica o Astrônomo.

Cicco, que também coordena a Exoss Rede de Meteoros no Brasil, grupo especializado de astrônomos profissionais e amadores que estudam e monitoram esse tipo de fenômeno, explica que o máximo que pode acontecer, caso um vestígio de meteorito atinja uma casa, é quebrar uma telha. “Estamos fazendo análises e tentando determinar a trajetória percorrida por esse meteoro. Por meio de depoimentos e vídeos das pessoas que presenciaram a passagem vamos conseguir saber por onde ele passou”, diz o pesquisador.

Qualquer pessoa que veja algo brilhante, como uma estrela cadente, no céu e suspeitar que seja um bólido (meteoro extremamente brilhante) pode relatar o caso ao grupo de pesquisadores Exoss Bólide Brasil pelo link. O relato permitirá analisar o que aconteceu e contribuirá para os estudos mundiais sobre meteoros.

Rota do meteoro

Os pesquisadores conseguiram traçar uma trajetória preliminar do meteoro. Segundo a análise preliminar do grupo Exoss, baseada nos relatos visuais e em vídeos, o bólido teria percorrido uma trajetória aguda de sul para norte, com ponto de impacto a 6 km a noroeste de Japurá (PR), com possibilidade de ter gerado meteoritos.

Foto: Divulgação/ Exoss

Fonte: Exoss, G1, Paranavai, 

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