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Fobos, os russos e um estranho monólito: um mistério que poderá ser revelado pelos japoneses

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27 de Julho de 2020
Phobos, uma das luas de Marte
Créditos: NASA

Não é de hoje que as luas de Marte – Fobos e Deimos – aguçam a curiosidade de cientistas e estudiosos devido às suas estranhas características. Em 1998, a descoberta de um monolito em Fobos e obsessão da Rússia pela lua torna tudo ainda mais misterioso.

Uma origem misteriosa e com aspectos de ficção científica no nível de Arthur C. Clarke sobre a lua de 27 km de profundidade, com sulcos profundos, podem explicar a obsessão quase mística da Rússia por Fobos. 

Primeiro, a União Soviética e, mais recentemente, a Rússia, fizeram três tentativas para alcançar o objeto enigmático, mas erros de software e desastres de lançamento abortaram cada tentativa.

Em 2016, a BBC informou que um misterioso objeto monolítico fora descoberto ali, há vários anos, por uma sonda da NASA, e até hoje ninguém tem certeza do que é ou como chegou lá.

“Quando as pessoas descobrem perguntam, 'quem colocou isso lá? Quem colocou isso lá?’”, declarou Buzz Aldrin, o segundo homem a andar na Lua, em 2009, sobre a grande e peculiar rocha solitária, um monólito que fica na superfície de Fobos.


O monólito de Fobos Fonte: NASA

Aliás, as luas de Marte têm nomes que por si já causam certa estranheza. Fobos que significa medo e Deimos, o deus do terror, não exatamente os significados mais convidativos para os dois satélites.

Porém, não são os russos que estão interessados nas estranhezas e peculiaridades de Fobos, os japoneses também. O Japão planeja lançar a missão MMX para a pequena lua em 2024, com o objetivo de colher amostras de rochas.

Segundo informações de uma reportagem do jornal The New York Times, espera-se que a análise dessas amostras possa decodificar a química do satélite e decifrar sua origem, além de fornecer pistas sobre a existência de vida no passado Marte. 

 

Estranhos que não deveriam existir


Marte, Fobos e Deimos Crédito: NASA

Meteoros colidindo com o Planeta Vermelho poderiam ter coberto Fobos com camadas de poeira marciana "mostrando como Marte pode ter progredido de um mundo habitável para um inabitável", diz Tomohiro Usui , especialista em exploração planetária robótica da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão, atualmente trabalhando no Johnson Space Center da NASA.

"Eles são super esquisitos, confusos e interessantes", disse Abigail Fraeman, uma cientista planetária que estuda Marte, Fobos e sua pequena irmã Lua Deimos no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. 

“Eles são consistentes com os asteroides capturados”, disse a cientista. São “colchas de retalhos que chegaram muito perto de Marte há muito tempo e ficaram presas na órbita do planeta Eles simplesmente não deveriam existir, eles não fazem nenhum sentido."

O debate sobre a origem das duas luas separa os cientistas há décadas, desde os primeiros dias da ciência planetária. Na luz visível, Fobos e Deimos parecem muito mais sombrios do que Marte, lembrando os asteroides primitivos do Sistema Solar externo, sugerindo que as luas ter sido capturadas há muito tempo pela força gravitacional de Marte. 

Mas as formas e os ângulos das órbitas das luas não se encaixam na hipótese de captura, com alguns cientistas sugerindo que as luas devem ter se formado ao mesmo tempo que Marte ou que sejam resultantes de um impacto maciço no planeta durante seus milênios de formação.

 

Pistas da cratera de Stickney


As crateras de Fobos. Crédito: NASA/JLP

Um estudo de 2018 da Brown University sugere que os estranhos sulcos distintivos que cruzam a superfície de Fobos foram feitos por rochas rolando livres de um antigo impacto de asteroide que criou a cratera Stickney, um enorme corte de nove quilômetros em uma extremidade do corpo oblongo de Fobos. 

Modelos de computador mostram que rochas rolando pela superfície após o impacto de Stickney poderiam ter criado os padrões intrigantes de sulcos, vislumbrados pela primeira vez na década de 70 pelas missões Mariner e Viking da NASA. Alguns cientistas sugerem que a gravidade de Marte está lentamente rasgando Fobos, e os sulcos são sinais de falha estrutural.

Em menos de 100 milhões de anos, disse Matija Çuk, cientista de pesquisa do Instituto SETI em Mountain View, Fobos, que pode ter sido montado há apenas 200 milhões de anos, chegará tão perto de Marte que sua gravidade rasgará a superfície da pequena lua transformando-a em um mini sistema de anéis, semelhante ao de Saturno.

Segundo a matéria do New York Times, não seria a primeira vez que isso acontece. “Cálculos recentes sugerem que Fobos foi 20 vezes mais massiva”. A lua teria se deslocado em direção a Marte e se espatifado em material de anel, grande parte dela chovendo em Marte. 

“O material restante do anel se juntou em um novo Fobos menor. Esse ciclo se repetiu várias vezes ao longo de bilhões de anos, com Fobos diminuindo a cada ciclo completo”, explica o jornal

Os cientistas poderão obter a resposta para as origens de Fobos nos próximos dois anos, quando a sonda eXploration de Marte completar sua missão de coletar amostras e devolvê-las à Terra para análise.

Fonte: The Daily Galaxy 

Assista, abaixo, dois videos sobre os mistérios de Fobos:

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