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Febre das criptomoedas dificulta a busca por sinais extraterrestres

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30 de Julho de 2018
Ilustração de gestor de identidade digital via blockchain
Créditos: Microsoft mídia

Os cientistas que buscam transmissões de rádio de extraterrestres estão com dificuldades para encontrar os chips de computador que precisam. O problema? A moda de minerar criptomoedas, segundo Dan Werthimer, cientista chefe do centro de pesquisa da Berkeley SETI, da Universidade da Califórnia. Graças à alta do preço das moedas virtuais, como bitcoin e ethereum, a mineração de criptomoedas nunca foi tão popular. Os pesquisadores do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence - busca por inteligência extraterrestre) querem expandir suas operações em dois observatórios. Porém, não encontram chips de computadores disponíveis. “Nós gostaríamos de usar os mais novos GPUs (chips de processamento de gráficos), mas não conseguimos encontrá-los”, afirma Werthimer.

A demanda por GPUs aumentou significativamente nos últimos meses por causa da mineração de criptomoedas. “Isso está limitando nossa busca por vida extraterrestre inteligente, para tentar responder à pergunta ‘Estamos sozinhos?’”, disse Werthimer em entrevist à BBC. “Temos o dinheiro e o contato com os vendedores, mas eles nos afirmam que não têm os GPUs”. A mineração de criptomoedas, como bitcoin ou ethereum, envolve conectar computadores a uma rede global e os usar para resolver problemas matemáticos complexos. Esse processo valida as transações feitas com as moedas virtuais. Como recompensa pelo trabalho, os mineradores recebem um pequeno pagamento em criptomoeda — o que possivelmente torna a operação lucrativa.

Os GPUs são chips de alto desempenho. Eles são originalmente usados para jogar videogames, mas podem ser destinados também à mineração de bitcoin, a análises de ondas de rádio e também a outros processos que envolvem grandes quantidades de dados. “No SETI, queremos buscar o máximo de frequências porque não temos como saber em qual delas os ETs irão transmitir, e queremos pesquisar muitos tipos diferentes de sinal — como AM e FM”, afirma Werthimer. “Isso requer muito poder de computação”.

Outro grupo de astrônomos da Universidade da Califórnia também foi afetado pela moda das criptomoedas. Ele busca evidências das primeiras estrelas do universo e recentemente foi surpreendido pelos preços dos chips, que dobraram. “Estamos em processo de expansão do nosso telescópio, conseguimos o dinheiro da Fundação Nacional para Ciências dos Estados Unidos para isso”, afirma Aaron Parsons, um dos responsáveis pelo projeto. Seu telescópio de rádio, chamado de Hera (Hydrogen Epoch of Reionisation Array), faz parte de um programa realizado em parceria entre Estados Unidos, Reino Unido e África do Sul. Há três meses, a equipe do Hera fez um orçamento que mostrava que um conjunto de GPUs custava cerca de US$ 500, mas o preço dobrou para US$ 1 mil. “Vamos comprar muitas unidades, por isso nosso custo aumentou em US$ 32 mil”, diz Parsons.

A fabricante de placas de vídeo NVidia, preocupada em resolver a situação, notificou que, por enquanto é preciso que os revendedores trabalhem em estratégias conjuntas para garantir que, tanto os pesquisadores como os mineradores, possam manter seus estoques em dia. A companhia também adiantou, em recente conferência, que já se reuniu com investidores para “trabalhar duro e atender toda a demanda”.

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