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Estamos prestes a decifrar os segredos da nuvem negra gigante de Vênus

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03 de Setembro de 2021
Vênus é um dos maiores mistérios do sistema solar.
Créditos: NASA

Astrônomos descobriram a natureza da estrutura de vida longa nas nuvens de Vênus, chamada de Nuvem Negra Gigante. Descobriu-se que a frente atmosférica associada à onda Kelvin, que também é observada na atmosfera da Terra, é responsável pela mudança nas propriedades e na estrutura das nuvens.

Pela primeira vez, a Nuvem Negra Gigante, que é uma grande área próxima ao equador do planeta, onde a transparência das nuvens de Vênus muda dramaticamente, foi notada no infravermelho usando as câmeras da estação interplanetária japonesa Akatsuki, que está operando em órbita quase venusiana desde 2015. Posteriormente, descobriu-se que essa estrutura tem um período de circulação de 4,9 dias e já existe há pelo menos 30 anos.

Um grupo de astrônomos liderado por Kevin McGouldrick, do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, em Boulder, decidiu compreender a natureza dessa estrutura na atmosfera de Vênus. Os cientistas focaram suas análises nos dados de observações do planeta obtidos pelo instrumento VIRTIS, que estava a bordo da estação orbital Venus Express, bem como nos dados da espaçonave Akatsuki.

Os pesquisadores descobriram que as mudanças na estrutura e nas propriedades das nuvens na nuvem gigante negra referem-se a alturas a até 57Km, o que corresponde às camadas de nuvens baixas e médias. Os cientistas concluíram que estavam lidando com uma frente atmosférica associada a uma onda Kelvin não linear supercrítica. Na Terra, a fonte das ondas Kelvin equatoriais é a intensificação dos processos de convecção sobre o oceano Pacífico.


Recentemente, a Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia e da NASA, passou pertinho de Vênus.
Fonte: ESA

No caso de Vênus, um máximo local da densidade da mistura de ar aparece na ponta da frente móvel da onda Kelvin, que dispara correntes descendentes estreitas. Elas atingem rapidamente altitudes mais baixas, onde o aumento da densidade do ar os impede e resulta em correntes ascendentes mais amplas e fracas.

Os cientistas dizem que continuarão a estudar esta estrutura curiosa na atmosfera de Vênus, observando tanto a partir de telescópios terrestres como o IRTF quanto orbitadores como a Akatsuki e os futuros EnVision e VERITAS.

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