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Entenda como é o interior de Júpiter, o gigante gasoso

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30 de Setembro de 2018
Ilustração das nuvens em Júpiter
Créditos: physics-astronomy.org

Um dos principais objetivos da sonda Juno, da Agência Espacial Norte-Americana (NASA), é estudar o interior de Júpiter. Graças a sua missão dedicada, finalmente sabemos o que se passa debaixo das nuvens desse fascinante planeta. Em uma série de quatro artigos publicados na prestigiada revista científica Nature, pesquisadores revelaram as descobertas da nave. “É a primeira visão de como funciona um planeta gigante gasoso por dentro”, disse Jonathan Fortney da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, nos Estados Unidos.

Júpiter é famoso por suas faixas de nuvens que cobrem o planeta inteiro, descobertas pela primeira vez por Galileu Galilei, há 400 anos. O inédito é que agora sabemos até onde a atmosfera de Júpiter se estende: 3.000 quilômetros abaixo do topo das nuvens, o que é muito maior do que o esperado. Quando se atinge essa profundidade, a composição do planeta muda drasticamente. O interior se comporta como um sólido, embora não seja. Em vez disso, é uma mistura fluida de hidrogênio e hélio que gira como um corpo sólido. Em seu núcleo, a pressão é cerca de 100.000 vezes maior do que a da Terra.

Outra descoberta importante é que o campo gravitacional de Júpiter não é simétrico de norte a sul. Isso é inesperado para um planeta tão fluido que gira rapidamente. O fenômeno pode ser causado pelos ventos e fluxos atmosféricos variados do planeta. “À medida que os jatos de superfície propagam profundamente no planeta, eles produzem uma perturbação do campo de gravidade que nós determinamos com Juno”, disse Daniele Durante, da Universidade Sapienza em Roma, na Itália.

 

(Composição de Júpiter. Crédito da foto: PhysicsAstronomy)

Os pesquisadores também descobriram que a atmosfera de Júpiter representa cerca de 1% da massa do planeta, equivalente a cerca de três Terras, o que é uma quantidade enorme. A atmosfera da Terra, em comparação, representa apenas um milionésimo da massa total do nosso planeta. Estes resultados foram possíveis graças ao conjunto exclusivo de instrumentos da Juno e seus passeios próximos do planeta – apenas alguns milhares de quilômetros da sua superfície.

Por fim, Alberto Adriani, do Instituto de Astrofísica e Planetologia Espacial de Roma, e seus colegas observaram a estrutura dos polos de Júpiter no infravermelho, pela primeira vez. Eles descobriram que os ciclones nos polos criam padrões poligonais persistentes, com oito ciclones se formando ao redor de um único ciclone central no polo norte. No polo sul, cinco ciclones fazem o mesmo.

Ainda há muito por vir. Por exemplo, Juno vai medir as marés da lua Io, enquanto o satélite exerce atração gravitacional sobre o planeta. A profundidade e a estrutura da Grande Mancha Vermelha de Júpiter também serão medidas, possivelmente até a massa de seu núcleo central. Nosso conhecimento dos gigantes de gás está avançando muito em 2018. As últimas informações levantadas de Saturno pela sonda Cassini também devem produzir mais detalhes interessantes sobre este tipo de planeta.

Isso é importante por que muitos dos mundos que encontramos fora do nosso sistema solar são gigantes gasosos. Ao compreender nossa própria vizinhança, descobrimos muito mais sobre planetas por todo o universo também.

 

(Composição de Júpiter. Crédito da foto: PhysicsAstronomy)

Fonte: PhysicsAstronomy

Acesse os artigos publicados na Revista Nature:

Measurement of Jupiter’s asymmetric gravity field

Jupiter’s atmospheric jet streams extend thousands of kilometres deep

A suppression of differential rotation in Jupiter’s deep interior

Clusters of cyclones encircling Jupiter’s poles

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