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E o Brasil alcança a Fronteira Final!

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06 de Junho de 2010
Nave Soyuz igual aquela onde viajará Pontes
Créditos: Arquivo

Está chegando um momento histórico! Quarta feira, dia 29 de março de 2006, 23h29. Esse será o momento em que o Brasil, mais uma vez, fará História. Há um século, em 1906, outro brasileiro fazia História. Santos Dumont comprovava, com o 14 Bis, que era possível o homem voar. Plenamente consciente do valor do que havia feito, Santos Dumont jamais patenteou seus inventos, preferindo entregá-los a Humanidade. Infelizmente, o uso militar do avião abalou ainda mais sua frágil saúde. Mas ficou a História, ficou o exemplo de quem apostou no conhecimento, no trabalho, na dedicação, para melhorar o mundo em que viveu. Na próxima quarta, mais um brasileiro vai fazer História, com H maiúsculo. Marcos Pontes subirá ao espaço na nave russa Soyuz, para uma temporada de dez dias a bordo da Estação Espacial Internacional, símbolo máximo da união terrena. Se antes, na época de Guerra Fria, a Corrida Espacial servia de palco para disputas ideológicas, hoje as viagens espaciais são destinadas a colher conhecimento, e encurtar distâncias. Estamos mesmo a um passo de começar a experimentar a utopia de tantos autores de Ficção Científica! O espaço, a Fronteira Final, cuja conquista nos eleva a todos, brasileiros, argentinos, americanos, russos e tantos mais, a condição de habitantes da Terra, a terrenos!Uma vez alguém disse, “triste é o país que necessita de heróis”. Mas muitíssimo ao contrário, só podemos nos sentir muito felizes e realizados, porque da mesma forma que Santos Dumont, estaremos vendo outro herói brasileiro em ação. Não se trata, aqui, de exaltar o exagerado sentimento de euforia nacional, do “oba-oba” de quem acha que já é campeão da próxima Copa do Mundo, de fenômenos esportivos que nos fazem esquecer das eternas e injustificáveis mazelas nacionais.

Marcos Pontes é um herói, sim, e não devido a sua viagem ao espaço. Ele é um herói por representar uma ruptura total e completa com o padrão de comportamento que vem sendo, lamentavelmente, comum em nosso país nos últimos anos. Sua viagem espacial é uma conquista que chegou por méritos desse brasileiro, que se preparou, aprendeu, estudou, se dedicou e esforçou muito para chegar a este momento.Trata-se, nada menos, que o ideal roddenberryano expresso incontáveis vezes, não apenas em Jornada nas Estrelas, mas em diversas outras obras da Ficção Científica mundial. A clássica jornada do herói, que sai em uma longa e árdua viagem, e na volta, traz todo tipo de conhecimento que pode ajudá-lo a moldar a sociedade que deixou, transformando-a, tornando-a melhor, mais justa, sábia, completa e porque não, feliz. O vôo do brasileiro Marcos Pontes ao espaço é uma vitória sobre a exaltação da estupidez e mediocridade que infelizmente nos invade e agride nos telejornais todas as noites.

É a vitória do mérito sobre a esperteza, do conhecimento sobre a ignorância, e do preparo sobre a incompetência. É um golpe de morte em “tudo que está aí”, nas políticas míopes e populistas de quem deveria, antes de tudo, servir ao povo e não servir-se dele. Se vemos, tristemente, entre os fatos acontecendo de forma diária em nosso país, cenas que nenhum autor ou roteirista são ousaria colocar em alguma obra, pois representaria o cúmulo do absurdo (até mesmo na ficção é necessário haver um mínimo de coerência e suspensão de descrença), como danças ridículas e patéticas em pleno Congresso Nacional, perseguição do Estado ao indivíduo como nenhum filme retratou com tamanha veemência, podemos nos alegrar, pois estamos para presenciar um único momento, que sobrepuja todos esses, e nos permite sonhar e nos inspirar novamente.Ladram os críticos sem imaginação suas bobagens de sempre, mas eis que mais uma vez, a Ficção Científica deixa as páginas de livros, ou as cenas da TV ou do cinema, para ser concretizada em nossa realidade.

O vôo de Marcos Pontes, sem a menor dúvida, ajudará a inspirar inúmeros outros talentos como os dele. O próprio Marcos, plenamente consciente de seu papel, mas sem jamais cair na tentação das exaltações do ego das abomináveis celebridades instantâneas que infestam a mídia, tem sido um divulgador e batalhador incansável da Missão Centenário, justificando-a como um incentivo para que outros brasileiros como ele possam vir a se interessar pela ciência e pelo conhecimento.

Já se comprovou que esses são os definitivos passaportes de inclusão social. E nosso astronauta, nosso herói Marcos Pontes, com seu vôo, sem dúvida irá incentivar imensamente que outros brasileiros sigam seu exemplo, apostando no conhecimento, na dedicação e trabalho duro, com o fim de aperfeiçoar-se, e a sociedade em que vive. E, por cima, todos quantos puderam conferir a segunda celebração do Dia do Fã, domingo, 19 de março, na Estação Ciência em São Paulo, tiveram o privilégio de assistir a um vídeo em que Pontes se declara, também ele, um fã de Ficção Científica, que o inspirou no começo de sua trajetória rumo ao espaço. O Brasil não poderia desejar um herói mais completo? Obrigado, Marcos Pontes, por ser, como nós, brasileiro e fã! Boa viagem e boa sorte! Renato Azevedo é consultor da Revista UFO, engenheiro, escritor, jornalista e editor convidado da Revista UFO Especial 36 com o tema “Alienígenas na Ficção Científica”. Clique aqui para conhecer esta edição!