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Detectada irmã gêmea do Sol

Por
23 de Novembro de 2018
Ilustração de duas estrelas gêmeas
Créditos: NASA

Uma equipe internacional, liderada pelo investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço Português (IA) Vardan Adibekyan, usou um novo método para detectar irmãs do Sol. O artigo foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Estima-se que serão milhares as estrelas irmãs do Sol que se formaram no mesmo enxame juntamente com a nossa estrela, há cerca de 4,6 mil milhões de anos. Com o passar do tempo, as estrelas do enxame espalharam-se pela nossa galáxia, o que dificulta a sua detecção.

Vardan Adibekyan explica a importância de encontrar estas estrelas: “Como não há muita informação acerca do passado do Sol, estudar estas estrelas pode nos ajudar a perceber onde na galáxia, e em que condições, se formou o Sol.”

(Enxame aberto de estrelas Trumpler 14, um enxame com mais de duas mil estrelas, semelhante àquele onde terá nascido o Sol. Crédito: ESO/H. Sana)

Adibekyan acrescenta: “Com a colaboração de Patrick de Laverny e Alejandra Recio-Blanco, do Observatório da Côte d'Azur, obtivemos uma amostra de 230.000 espectros, do Projeto AMBRE.” AMBRE é um projeto de arqueologia galáctica, montado pelo Observatório do Sul Europeu (ESO) e pelo Observatório da Côte d’Azur, para determinar os parâmetros estelares dos espectros em arquivo, provenientes dos espectrógrafos FEROS, HARPS, UVES e GIRAFFE do ESO.

Em seguida, a equipe usou estes espectros do AMBRE, em conjunto com dados astrométricos muito precisos da missão GAIA (ESA), de modo a: “fazer uma seleção de estrelas com composições químicas semelhantes à do Sol, seguido de um cálculo das suas idades e propriedades cinemáticas”, diz Vardan Adibekyan.

Apesar de terem descoberto apenas uma irmã do Sol nesta investigação – HD186302, esta é muito especial. A estrela de tipo G3 da sequência principal não é só uma irmã do Sol, tendo em conta as suas idades e composição química, com é também uma irmã gêmea.

As estrelas irmãs do Sol podem ser boas candidatas à procura de vida extraterrestre, pois há a possibilidade da vida ter sido transportada entre planetas das estrelas do enxame solar. Esta transferência de vida entre sistemas exoplanetários é conhecida por litopanspermia.
(Imagem do Sol. Crédito: SDO/NASA)

Adibekyan está cautelosamente empolgado com esta possibilidade: “Alguns modelos teóricos mostram uma probabilidade não negligenciável da vida se ter espalhado a partir da Terra, até outros planetas ou sistemas exoplanetários, durante o período de bombardeamento tardio do Sistema Solar. Se tivermos sorte, e a nossa estrela irmã do Sol tiver um planeta, e o planeta for rochoso, na zona de habitabilidade, e finalmente, se esse planeta tiver sido ‘contaminado’ pelas sementes de vida da Terra, então temos o que nós sempre sonhamos – uma Terra 2.0, a orbitar um Sol 2.0.”

A equipe do IA planeja agora começar uma campanha de busca de planetas à volta desta estrela, recorrendo aos espectrógrafos HARPS e ESPRESSO. Encontrar e caracterizar sistemas planetários em volta de estrelas irmãs do Sol pode revelar informação extremamente importante acerca do resultado de formação planetária num ambiente partilhado.

Fonte: IA

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