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Curiosity encontrou moléculas complexas em Marte que podem ser produto de seres vivos

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07 de Junho de 2018
O Curiosity encontrou blocos de construção da vida em Marte
Créditos: NASA

A NASA acaba de anunciar uma das mais importantes descobertas já feitas em outro mundo, obra dos cientistas da equipe do rover Curiosity. O anúncio desta quinta-feira confirma que, graças a amostras obtidas pela broca do robô, e analisadas a bordo no instrumento Análise de Amostras em Marte (SAM), foram encontradas complexas moléculas orgânicas, que podem ser restos de moléculas maiores e ainda mais complexas, que por sua vez poderiam ser produto da atividade de seres vivos. As amostras foram obtidas por uma perfuração do Curiosity acontecida há três anos, em um depósito de argila na Cratera Gale. As amostras foram obtidas a 5 centímetros de profundidade, e datam de um período entre 3,2 e 3,8 bilhões de anos atrás, quando a água era abundante no local.

Diversas moléculas orgânicas foram encontradas, incluindo tiofeno, metanotiol e sulfeto de dimetila. Os cientistas frisaram que tais substâncias não são diretamente relacionadas à vida, mas são assinaturas da presença de moléculas maiores que, estas sim, podem ser sido produzidas por organismos marcianos. A líder do estudo, Jennifer Eigenbrode, da Divisão de Exploração do Sistema Solar do Centro Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, enfatiza: "Esses resultados não nos dão evidência da presença de vida, mas existe a possibilidade de que esses elementos orgânicos sejam provenientes de seres vivos, nós ainda não sabemos". O achado não comprova a existência de vida passada ou presente em Marte, mas proporciona evidência mais contundente de que Marte, em locais como a Cratera Gale onde está o Curiosity, foi capaz de sustentar vida semelhante à nossa.

A nova descoberta comprova definitivamente que Marte possuiu todos os ingredientes para o surgimento e evolução da vida, e provê indicações de onde podem pousar as próximas missões que irão buscar sinais de atividade biológica marciana. Vale salientar que os níveis de carbono nas amostras era similar ao de rochas da mesma idade aqui da Terra, que eram na maior parte de origem biológica. O achado também indica com segurança de que os cientistas estão na direção certa na busca por vida em Marte. O trabalho liderado por Eigenbrode foi publicado no periódico Science. Outro artigo, publicado também na Science, foi liderado por Christopher Webster, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, e descreve a variação dos níveis de metano na atmosfera marciana detectados pelo Curiosity ao longo de cinco anos graças a um espectrômetro de laser designado como TLS. O rover descobriu que os níveis de metano em Marte variam conforme as estações do ano, sendo que no inverno chegam a 0,2 partes por bilhão, ao passo que no verão atingem 0,6 partes por bilhão. Webster comenta: "Poucos fases na Terra variam por um fator de três. Então essa grande mudança nos permite eliminar algumas hipóteses para o fenômeno".

RASTREANDO AS ASSINATURAS DA VIDA EXTRATERRESTRE

crédito: ESA
A nave Trace Gas Orbiter da ESA poderá identificar os locais de onde o metano é lançado na atmosfera marciana
A nave Trace Gas Orbiter da ESA poderá identificar os locais de onde o metano é lançado na atmosfera marciana

Na Terra o metano é produzido principalmente por seres vivos, mas os autores do trabalho sugerem que em Marte a presença desse gás pode se dever a reservatórios naturais subterrâneos. De novo é frisado que a liberação de metano não indica necessariamente a presença de vida marciana, mas que meramente é consistente com essa possibilidade. Webster sugere que o metano escapa continuamente de depósitos subterrâneos, ligando-se a partículas de solo. Quando o clima esquenta no verão marciano, mais metano é liberado para a atmosfera. Esse gás é destruído pela radiação infravermelha do Sol em poucas centenas de anos, e sua presença comprova que está sendo reposto de alguma maneira. O cientista confirma que o metano pode ter origem biológica, mas processos geológicos como o descrito acima também podem produzi-lo. Espera-se que a nave Trace Gas Orbiter da Agência Espacial Europeia (ESA), a mais recente em órbita de Marte, possa encontrar locais onde essa produção de metano é mais intensa, a fim de que futuras missões possam visitá-los.

Outra missão da ESA, a ser lançada em 2020, será o Exomars Rover, que poderá perfurar até dois metros de profundidade, onde amostras mais protegidas da radiação solar poderão ser obtidas. Além disso estará equipado para detectar isótopos de carbono, importantes para determinar a origem das substâncias. Como exemplo, o metano terrestre de origem biológica tem muito pouco carbono-13, sendo mais presente o mais comum carbono-12. Os locais de pouso dessa missão, e também do Rover 2020 da NASA, a ser lançado no mesmo ano, ainda não foram escolhidos, mas as maiores chances recaem sobre antigos leitos de lagos ou rios onde a água esteve presente quando Marte tinha uma atmosfera mais densa, há bilhões de anos. Os cientistas comentam que é muito provável que essas missões consigam fazer descobertas realmente impressionantes, até mesmo da presença de vida em Marte, seja passada, ou até mesmo nos dias de hoje.

Leia o artigo sobre o achado de orgânicos em Marte

Confira o trabalho a respeito das variações de metano

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