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Colisões e reciclagem cósmica

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11 de Maio de 2007
Créditos: Divulgação

O que aconteceria se uma galáxia atravessasse outra galáxia? Uma bela trombada cósmica, claro. Mas os cacos desta trombada virariam galáxias também!

É o que saiu na revista "Science" desta semana, Frederic Bournaud e sues colegas queriam estudar como são as características de galáxias formadas dos destroços de colisões cósmicas. Estudando a galáxia NGC 5291, a uns 200 milhões de anos-luz, eles perceberam que os destroços de uma colisão ocorrida há 360 milhões de anos atrás tinham formado galáxias anãs. Esse tipo de galáxia, como seu próprio nome diz, é composto por galáxias pequenas e com pouca matéria.

O que se esperava confirmar é que, como estas galáxias teriam se formado a partir de uma colisão, a quantidade de matéria escura nelas deveria ser muito menor do que normalmente se observa nas outras galáxias. Esta seqüência de imagens mostra como teria sido a colisão, quando uma outra galáxia teria atingido em cheio NGC 5291.

A colisão teria espalhado gás (em forma de um anel) e desse material teriam sido formadas as galáxias anãs (os pontos em roxo), sem quase nada de matéria escura. Isso porque a matéria escura forma um halo que envolve as galáxias, e essa trombada não teria por que arrancar esse embrulho, uma vez que os destroços também estariam envoltos por ele.

O que aconteceu é que os destroços acabaram levando consigo pedaços de matéria escura e fizeram com que as galáxias anãs tenham de duas a três vezes a massa esperada. A matéria escura tem esse nome por que não pode ser observada diretamente, apenas pelos efeitos gravitacionais que ela provoca nas galáxias e nos aglomerados. O pior disso tudo é que ela representa um terço de toda a matéria do universo, e ninguém sabe ao certo do que se trata.

O espantoso desse estudo é que até agora não se acreditava que as galáxias anãs pudessem ter tanta matéria escura agregada. O porquê disso será motivo de muita discussão nos próximos anos.