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Cientistas podem ter detectado o “zumbido do universo”, capaz de mudar a astronomia para sempre

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04 de Fevereiro de 2021
Corpos massivos como quasares, pulsares e estrelas de nêutrons geram ondas gravitacionais detectáveis.
Créditos: Getty Images

Os astrofísicos que tentam detectar a presença de ondas gravitacionais de baixa frequência estão no caminho certo, e pode ser uma das maiores descobertas da história da humanidade.

Um grupo de cientistas do Observatório Nanohertz para Ondas Gravitacionais da América do Norte (NANOGrav) publicou um relatório de dados levantados nos últimos 12 anos e meio em busca da confirmação da existência de um ruído de fundo de ondas gravitacionais. Espécie de zumbido ou ruído branco do universo, a descoberta pode alterar tudo que sabemos a respeito da astronomia e nossa compreensão sobre o funcionamento do universo, tornando-se uma das mais importantes descobertas da história recente, caso seja confirmada. 

A pesquisa contou com colaboradores de todo o planeta, e encontrou um sinal na monitoração de 45 pulsares – estrelas de altíssima densidade que giram em velocidade estonteante, gerando luzes, radiação e até mesmo som continuamente. Esse estudo recente revelou uma interrupção de alguns nanosegundos no movimento contínuo das 45 estrelas estudadas – em um efeito exatamente idêntico ao que uma onda gravitacional de baixa frequência viajando pelo universo provocaria. 

“É incrivelmente empolgante ver um sinal tão forte emergir dos dados”, disse Joseph Simon, da Universidade do Colorado, que liderou o estudo. “No entanto, como o sinal de onda gravitacional que procuramos abrange toda a duração de nossas observações, precisamos entender cuidadosamente o nosso ruído. Isso nos deixa em um lugar muito interessante, onde podemos excluir fortemente algumas fontes de ruído conhecidas, mas ainda não podemos dizer se o sinal é realmente de ondas gravitacionais. Para isso, precisaremos de mais dados”. 


Ilustração mostra pulsares distorcendo o tecido do espaço-tempo, gerando ondas gravitacionais que viajam pelo universo, afetando os astros.
Fonte: 
Tonia
 Klein

A força de tais ondas viria dos maiores cataclismos ocorridos no universo, como a colisão de dois buracos negros supermassivos, com massas bilhões de vezes maiores do que o Sol. Esses incríveis primeiros sinais de fundo de ondas gravitacionais sugerem que buracos negros supermassivos realmente se fundem, e que estamos balançando em um mar de ondas gravitacionais sacudindo entre esses colossos se unindo em galáxias pelo universo”, disse Julie Comerford, professora associada de astrofísica e ciências planetárias, e membro da equipe da NANOGrav. 

O fundo de onda gravitacional seria gerado por milhões desses eventos saturando o universo com ondulações no espaço-tempo. Segundo o astrônomo Scott Ransom, coautor do artigo recém publicado, elas seriam como ondas no oceano do espaço-tempo, interferindo umas nas outras e até mesmo sobre planetas e galáxias. “O que podemos inferir disso é se você pode ver o oceano calmo ou agitado”, afirmou “Podemos obter muitas informações sobre a história completa do universo e como as galáxias se fundem e interagem apenas vendo este sinal de fundo”. 

A hipótese ainda precisa de muito estudo e novas observações para ser confirmada, em um processo que poderá levar anos de pesquisa. Caso seja confirmada, porém, a descoberta pode abrir campos de estudos inteiramente novos.

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