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Análise do UFO da BAND indica que o objeto era na verdade um avião

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25 de Fevereiro de 2021
Datena foi surpreendido durante programa ao vivo, mas era apenas um bimotor leve.
Créditos: Leonardo Carvalho/jetphotos

No dia 16 de fevereiro uma transmissão ao vivo do programa Brasil Urgente, apresentado por José Luiz Datena, mostrava imagens de uma tempestade que estava sobre a cidade de São Paulo. De repente, um objeto cruza as imagens da câmera de uma ponta a outra a uma grande velocidade. A partir de então começaram a surgir as teorias do que era aquele objeto. Um avião, um helicóptero... um disco voador?

Por Thiago Luiz Ticchetti

Iniciou-se, então, uma investigação em grupo, onde foram consideradas todas as hipóteses e a cada nova descoberta e investigação, o funil ia se estreitando. O que mais se questionava era a forma e a velocidade apresentada pela aeronave. O ufólogo e membro da Equipe da Revista UFO, Pedro Macchion, esmiuçou e fez o levantamento de todas as aeronaves que teriam passado por aquela área no dia 16 de fevereiro. E ele chegou a um modelo de avião conhecido como Beechcraft G58 Baron com prefixo PR-XIN. A investigação ganhou força! O engenheiro Paulo Eduardo Pilon, membro da Equipe da Revista UFO, engenheiro eletrônico formado pela Poli-USP em 1989, com mestrado na mesma instituição e atualmente trabalhando com computação na área da medicina, analisou minuciosamente o vídeo e concluiu, de forma bastante assertiva e embasada, que o que foi filmado era de fato um avião Beechcraft G58 Baron.

Para isso, Pilon utilizou sofisticadas técnicas de triangulação, fazendo uso de muitos pontos de referência no trecho da cidade de São Paulo que aparece ao fundo durante a passagem do objeto, e com isso foi possível calcular a posição do helicóptero da Rede Bandeirantes (bairro do Brás), bem como sua altura (950m) e velocidade (160Km/h), de sentido leste-oeste. Segundo o pesquisador, não há necessidade de o vídeo estar acelerado ou em câmera lenta para explicar as velocidades. Com algum cuidado, é possível visualizar automóveis com a velocidade compatível com as avenidas (em São Paulo, a velocidade máxima normalmente é 50Km/h).


Pilon foi capaz de traçar as rotas e posições do avião e do helicóptero.
Fonte: Paulo Eduardo Pilon/Google Earth

Através da análise quadro a quadro do trecho no qual aparece o objeto no horizonte, nota-se que entre o primeiro e o último quadro transcorrem cerca de cinco segundos e meio. Dado que a câmera estava apontada no sentido sul da cidade de São Paulo e o local já determinado em que o helicóptero estava, pelo aplicativo FlightRadar, foi possível identificar somente uma aeronave passando nas proximidades no horário (17h52). O avião, de apenas nove metros, estava em voo na direção oeste-leste em procedimento de pouso (velocidade de 300Km/h e altura 1100m acima do nível do mar).

Como estavam em direções opostas, as velocidades se somam, perfazendo cerca de 460Km/h, dando uma sensação muito elevada de velocidade, ainda mais se considerarmos as características óticas da câmera especial do helicóptero. Pelos cálculos, o helicóptero de reportagem da Band (que não segue um plano de voo rígido) passou a apenas um quilômetro do avião. Isso é totalmente compatível com o tamanho relativo que o objeto aparece cruzando os céus de São Paulo. Nota-se que está apenas um pouco acima da linha de horizonte, pois a aeronave se encontrava no máximo a 140m acima helicóptero.


Em destaque, a câmera especial do helicóptero da BAND.
Fonte: Rede Bandeirantes

Por fim, o aspecto de “disco-voador” apresentado se deve a dois fatos: os detalhes da pintura em preto das bordas da asa e as rodas de pouso  e o “borrão” somente no sentido horizontal da pequena aeronave, pois durante a captura de quadro de imagem o avião se desloca 2.7 metros, eliminando completamente detalhes da aeronave modelo Baron G58 Beechcraft . Mas faltava uma coisa. Buscar saber quem era o piloto do avião para se chegar a uma conclusão. Com o prefixo do avião, Paulo Eduardo Pilon encontrou no site da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) o registro do proprietário do avião.


Simulação do borrão de movimento. Sua interação com os detalhes escuros do bimitor batem com as imagens da reportagem da BAND.
Fonte: Equipe UFO

Foi então que eu comecei a buscar informações do dono. Pesquisando na internet, o encontrei no Linkedin e, como referência, a empresa da qual ele é proprietário. Liguei na empresa e falei com a secretária dele. Expliquei o que estávamos buscando, passei para ela informações sobre mim e minhas redes sociais e ela aceitou entrar em contato com o seu patrão. Ele confirmou que o avião era dele e autorizou que a secretária falasse com o piloto. Após várias trocas de mensagens, surgiram dúvidas e finalmente conseguimos o contato direto com ele. Dito e feito: eu e o Pilon bombardeamos o comandante com perguntas e levantamos as seguintes informações, muito relevantes:

1 - Era ele mesmo o piloto do avião prefixo PR-XIN.

2 - Sim. Ele estava com o trem de pouso abaixado. As rodas são pretas, mais um motivo para a parte inferior aparecer de cor escura.


A carta de navegação do piloto coincide com o aplicativo FlightRadar, indicando seu pouso na cabeceira 30.
Fonte: ANAC

Nós preferimos manter em sigilo os nomes do piloto e do dono do avião para não lhes causar qualquer incômodo. Diante de todos os fatos, testemunhos coletados e evidências, corroborados com uma análise técnica realizada pelo Paulo Eduardo Pilon, concluímos que o objeto filmado ao vivo durante a transmissão do programa Brasil Urgente era um avião Baron G58 Beechcraft. Mas é importante ressaltar que essa conclusão pode, e deve, ser questionada por aqueles que não concordem com ela. Isso é importante para o debate. Não há na casuística ufológica qualquer evento 100% aceito, mas os questionamentos devem vir embasados por análises e fatos, caso contrário será apenas opinião, “achismo” ou crença. É assim que a pesquisa ufológica deve ser feita, de forma clara, séria e utilizando-se de técnicas e da ciência para tentar explicar os fenômenos desconhecidos por nós.

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