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Alienígenas invisíveis para nossos olhos: isso é possível?

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17 de Janeiro de 2020
Eles já estão aqui, mas nós não o vemos
Créditos: iStock

Qualquer um de nós, pessoas comuns, sabe facilmente reconhecer a vida: ela se move, cresce, come, excreta e se reproduz. Em biologia, os pesquisadores costumam usar o acrônimo MRSGREN, que significa movimento, respiração, sensibilidade, crescimento, reprodução, excreção e nutrição, para descrevê-la. Tão fácil que parece brincadeira, mas só parece.

Isso por que, embora a vida possa ser fácil de reconhecer, ela é bastante difícil de se definir, e cientistas e filósofos se debatem, há séculos — se não milênios – para solucionar a questão. Por exemplo, uma impressora 3D pode reproduzir-se criando cópias de si mesma, mas não diríamos que ela está viva. Assim como não diríamos que a mula, animal famoso por ser estéril, não é vida. Da mesma, forma sempre pensamos em alienígenas inteligentes como humanoides, mas quem disse que a vida inteligente precisa ter forma?

A falta de definição é um enorme problema quando se trata de procurar vida no espaço. Se não conseguimos avançar para além de imaginar que nós vamos reconhecer outro tipo de vida quando o encontrarmos, significa que estamos realmente nos limitando a ideias geocêntricas, e possivelmente antropocêntricas, sobre como a vida se apresenta no universo.

Essa discussão voltou à mídia recentemente, quando Helen Sharman – a primeira astronauta britânica que também é química do Imperial College de Londres – declarou que “formas de vida alienígenas impossíveis de serem detectadas podem estar vivendo entre nós”. E aqui temos mais uma ideia preconcebida: a de que alienígenas são criatura humanoides. Mas a vida inteligente que estamos procurando não precisa ser humanoide.

Sharman diz ser possível que eles “estejam aqui agora, e nós simplesmente não podemos vê-los”. Essa vida existiria em uma biosfera oculta, e nós não conseguimos sequer nota-la, porque ela está além de nossa compreensão.  Uma biosfera dessas provavelmente seria microscópica. Como temos limitações para estudar o mundo microscópico, pode ser que realmente existam muitas formas de vida que ainda não descobrimos, mas seriam elas alienígenas ou apenas terrestres e desconhecidas?

Concepção artística de forma de vida baseada em silício 

Muito se fala, também, sobre haver vida baseada em silício e não em carbono, como é o caso em nosso planeta. O silício é um elemento mais pesado do que o carbono e por isso não se liga em grandes cadeias, que são fundamentais para a vida na Terra. Porém, a vida se adapta, então não podemos negar essa possibilidade. Além disso, há alguns anos, os cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos, conseguiram criar uma proteína bacteriana que cria laços com o silício. Portanto, mesmo que ele seja menos flexível quando comparado ao carbono, talvez seja possível ao silício encontrar maneiras de se reunir em organismos vivos.

Mas, afinal, há alienígenas entre nós como disse a doutora Sharman? Ufólogos responderão com um enorme sim!  Cientistas dirão que não há evidências sobre isso, mas que há uma grande possibilidade de haver vida em outro lugar do universo. Talvez seja uma questão de tempo para falarmos todos a mesma língua.

Fonte: The Conversation

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