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Aglomerado de galáxias em forma de “água-viva” envia estranhas ondas de rádio

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31 de Março de 2021
Ondas de rádio de baixa frequência (vermelho, laranja, amarelo, branco) delineiam uma enorme “água-viva”, com 1.2 milhão de anos-luz de diâmetro.
Créditos: Torrance Hodgson, ICRAR/Curtin University

Um grupo de pesquisadores da Curtin University, da Austrália, detectou a emissão de estranhas ondas de rádio vindas de um aglomerado de galáxias. Um fato curioso é que a radiofrequência tem o formato parecido com uma água-viva gigante, com cabeça e tentáculos.

O objeto está a 340 milhões de anos-luz da Terra, em uma zona do universo conhecida como Abell 2877. As ondas de rádio enviadas são de frequência muito baixa e precisam de aparelhos muito específicos para serem captadas, como é o caso do radiotelescópio Murchison Widefield Array (MWA) no oeste da Austrália. “Olhamos os dados e, conforme diminuímos a frequência, vimos uma estrutura semelhante a uma água-viva fantasmagórica começar a emergir”, declarou o pesquisador Torrance Hodgson, do Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia.

Por conta do formato peculiar, o objeto foi batizado como Ultra Steep Spectre (USS) Jellyfish [Espectro Ultra Íngreme Água-viva]. Observar um objeto localizado a 340 milhões de anos-luz de nós não é algo trivial e apresenta uma série de desafios. Um deles é o tempo, uma vez que as ondas que nós captamos agora foram emitidas há bilhões de anos.

“Tivemos que realizar alguma arqueologia cósmica para entender a antiga história de fundo da água-viva”, declarou Hodgson. E o trabalho deu resultado. Os pesquisadores desenvolveram a teoria de que as ondas de rádio saíram de buracos negros supermassivos que criaram poderosos jatos de plasma, tudo isso há pelo menos dois bilhões de anos. “Este plasma desbotou, ficou quieto e dormente”, disse o pesquisador.


O Murchison Widefield Array consiste em 4.096 antenas de rádio distribuídas em 256 grupos (um na foto acima) cobrindo vários quilômetros em uma região remota da Austrália ocidental.
Fonte: Pete Wheeler/ICRAR

“Então, recentemente, duas coisas aconteceram – o plasma começou a se misturar ao mesmo tempo que ondas de choque muito suaves passavam pelo sistema”, completou. “Isso reacendeu brevemente o plasma, iluminando a água-viva e seus tentáculos para nós vermos”. O timing para a descoberta da USS Jellyfish não poderia ser melhor. Em breve, será inaugurado um novo radiotelescópio na Austrália, o Square Kilometer Array (SKA), que, segundo os cientistas, dará uma visão bem mais nítida deste e de outros objetos.

“O SKA será milhares de vezes mais sensível e terá uma resolução muito melhor do que o MWA”, disse a professora Melanie Johnston-Hollitt. “Pode haver muitas outras águas-vivas misteriosas esperando para serem descobertas assim que entrar em operação”, completou a pesquisadora.

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