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Afinal, a linguagem do cosmos é universal?

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30 de Agosto de 2018
O homem contempla o universo: de onde viemos e para onde vamos?
Créditos: Rafael Amorim/UFO

Um grupo de linguistas e cientistas se reuniu para discutir os problemas desafiadores na elaboração de mensagens que seres extraterrestres poderiam entender. O simpósio, chamado Language in the Cosmos, foi organizado pela METI International, como parte da Conferência Internacional de Desenvolvimento Espacial da Sociedade Espacial Nacional, em Los Angeles. METI significa mensagens para inteligência extraterrestre e é uma organização de cientistas e acadêmicos que visa promover uma abordagem totalmente nova em busca por civilizações alienígenas. Eles procuraram as gigantescas megaestruturas que as sociedades alienígenas avançadas poderiam construir no espaço e pretendem construir e transmitir mensagens para os planetas próximos, esperando por uma resposta.

Uma das questões abordadas na conferência foi de saber se a estrutura profunda da linguagem provavelmente seria a mesma para extraterrestres como para nós. Os linguistas entendem a estrutura profunda da linguagem usando a teoria da "gramática universal". O eminente linguista Noam Chomsky desenvolveu essa teoria da gramática universal para sugerir que existem barreiras importantes, e talvez insuperáveis, à compreensão mútua entre seres humanos e extraterrestres.  Postulou que o cérebro humano continha um "órgão da linguagem" pré-organizado no nascimento para as regras básicas da linguagem, que ele chamou de "gramática universal". Porém, o órgão linguístico "marciano", com sua história diferente e única, poderia, supôs Chomsky, ser inteiramente diferente de sua contraparte humana, tornando a comunicação monumentalmente difícil, se não impossível.

Entretanto, tomando como base a teoria evolucionista de Darwin, Chomsky e seus colegas hoje pensam diferente. Na conferência chegaram à conclusão de que os princípios básicos da linguagem são extraídos do domínio da necessidade conceitual (virtual). Jeffrey Watumull, seu colega de simpósio, disse que essa forte tese minimalista postula que "existem restrições na própria estrutura do universo, de tal modo que os sistemas não podem deixar de se conformar". Nossa gramática universal é algo especial e não apenas uma entre muitas possibilidades teóricas.

Através do processo de evolução convergente, a natureza seria compelida a encontrar um melhor caminho onde e quando no universo que a linguagem evolui. Os mecanismos cerebrais da aritmética poderiam refletir uma convergência similarmente inevitável. Isso significaria que os fundamentos da aritmética também seriam os mesmos para humanos e alienígenas. Devemos repensar quaisquer presunções de que a inteligência extraterrestre ou a inteligência artificial seriam realmente tão diferentes da inteligência humana. Esta é a conclusão surpreendente que apresentaram no simpósio: a gramática universal pode realmente ser universal, afinal.

Watumull acredita que o novo pensamento é um desafio para "o relativismo pessimista daqueles que pensam que é extremamente provável que a inteligência humana e a inteligência extraterrestre sejam mutuamente ininteligíveis". Demais colegas conferencistas concordaram e acham que “matemática e física provavelmente representam a melhor aposta para conceitos comuns que poderiam ser usados como ponto de partida”. No geral, os resultados promovem novas esperanças de que a elaboração de uma mensagem compreensível para extraterrestres seja viável. No próximo evento, a idéia é analisar uma das mensagens transmitida em 2017 para uma estrela a 12 anos-luz do nosso sol.

(Fonte: Paul Patton, em 4/06/2018, por Universe Today)

Veja o artigo completo no site da Universe Today

Site do METI International

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