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A vida extraterrestre pode ser da cor púrpura

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23 de Outubro de 2018
A vida extraterrestre pode usar pigmentos roxos para coletar energia
Créditos: iStock / Getty Images Plus

Uma nova pesquisa aponta que os primeiros habitantes da Terra tinham um tom púrpura. Cientistas dos Estados Unidos argumentam que antes das plantas começarem a aproveitar o poder do Sol para gerar energia, pequenos organismos roxos fizeram o mesmo. Além disso, eles sugerem que alienígenas podem ter adotado a mesma estratégia, possuindo uma coloração púrpura. 

Publicado no periódico International Journal of Astrobiology, o estudo foi conduzido pelo  microbiologista Shiladitya DasSarma, da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, e pelo pesquisador Edward Schwieterman, da Universidade da Califórnia em Riverside. "Astrônomos descobriram milhares de novos planetas extrasolares e estão desenvolvendo a capacidade de ver suas bioassinaturas de superfície na luz refletida por esses planetas", disse DasSarma em entrevista à Live Science. Segundo ele, já existem maneiras de detectar vida verde do espaço, mas agora os especialistas podem começar a buscar por vida roxa.

A ideia de que a Terra primitiva tinha tons de lavanda não é nova. DasSarma e seus colegas aprimoraram uma teoria de 2007, que afirma que plantas fotossintetizando algas usam clorofila para absorver a energia do Sol, mas não absorvem a luz verde. Isso é estranho, porque a luz verde é rica em energia. Para os pesquisadores, algo a mais já estava usando essa parte do espectro quando os fotossintetizadores de clorofila evoluíram.

Essa "outra coisa" seria um organismo que capturaria a energia solar com uma molécula chamada retiniana. Os pigmentos roxos da retiniana absorvem melhor a luz verde. Eles não são tão eficientes quanto as clorofilas na captura de energia solar, no entanto, são mais simples. A coleta de luz na retiniana é comum entre as bactérias e organismos unicelulares chamados Archaea. Segundo o pesquisador Schwieterman, esses organismos já foram encontrados em oceanos e até em superfícies de folhas. Isso sugere que os pigmentos podem ter evoluído muito cedo, em ancestrais comuns a muitos ramos da árvore da vida. 

Inclusive, há algumas evidências de que os modernos organismos amantes do sal, pigmentados de cor púrpura, chamados halófilos, podem estar relacionados a algumas das primeiras formas de vida na Terra, que se desenvolveram ao redor de fontes de metano no oceano, informou Schwieterman. Os pesquisadores ainda argumentam que a vida alienígena poderia ter usado a mesma estratégia. E se isso for verdade, astrobiólogos irão encontrá-la apenas se procurarem por assinaturas específicas de luz.

De acordo com Schwieterman, a clorofila absorve luz vermelha e azul. Mas o espectro refletido de um planeta coberto por plantas exibe o que os astrobiólogos chamam de "borda vermelha da vegetação". Essa borda é uma mudança repentina no reflexo da luz na parte do infravermelho próximo do espectro, onde as plantas de repente param de absorver comprimentos de onda vermelhos e começam a refleti-las. Os fotossintetizadores baseados na retina, por outro lado, têm uma "vantagem verde". Eles absorvem a luz até a porção verde do espectro e, em seguida, começam a refletir comprimentos de onda mais longos.

Schwieterman explicou que astrobiólogos há muito tempo se intrigam com a possibilidade de detectar a vida extraterrestre, encontrando a "borda vermelha". Mas eles também precisam considerar a busca pela "borda verde". "Se esses organismos estivessem presentes em densidades suficientes em um exoplaneta, essas propriedades de reflexão seriam impressas no espectro de luz refletida do planeta", informou Schwieterman.

Veja o  artigo original no Live Science

 

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