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É uma farsa a notícia de um impacto de asteroide em fevereiro

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01 de Fevereiro de 2017
O objeto 2016 WF9, descoberto em novembro passado e que não oferece qualquer risco para a Terra
Créditos: NASA

Novamente uma torrente de notícias sensacionalistas de cunho catastrófico varre a internet, desta vez apontando que no dia 16 de fevereiro próximo um asteroide irá se chocar contra nosso planeta, causando devastação em nível continental ou um megatsunami. Inúmeros sites e veículos de péssima reputação repetiram a notícia, via de regra com exatamente as mesmas informações, que como é comum em fraudes do tipo, não podem ser verificadas por fontes independentes. Os mistificadores afirmam que o objeto, identificado como 2016 WF9, é um pedaço do imaginário planeta Nibiru, de cujo sistema teria partido em outubro último, quando esse mundo teria iniciado um giro anti-horário em torno do Sol.

Para início de conversa, planetas não alteram seu rumo de um momento para outro, muito menos um que não existe como Nibiru. Os mistificadores que ainda teimam em sua existência continuam acrescentando absurdos à sua já desgastada história nada verídica, afirmando que esse imaginário mundo teria iniciado o impossível movimento devido à influência gravitacional de uma estrela binária nas proximidades de nosso Sol, de acordo com o tablóide de duvidosa reputação Daily Mail, ou alternativamente por uma anã marrom companheira de nossa estrela. Não é necessário lembrar que nenhuma das alternativas foi comprovada por aqueles mais bem informados a respeito, os astrõnomos. Além disso, o absurdo do impacto em 16 de fevereiro teria sido divulgado por um cientista russo, o doutor Dyomin Damir Zakharovich.

Pois bem, o nome desse alegado cientista não pôde ser encontrado em qualquer outra fonte que não esteja meramente repetindo a notícia sensacionalista, ou seja, tal qual Nibiru, tampouco ele existe. A verdade, como sempre, tem de ser procurada entre aqueles com autêntica capacidade de fornecer informações precisas. O telescópio espacial Wise da NASA foi lançado em dezembro de 2009, foi colocado em hibernação por um defeito em fevereiro de 2011 e reativado em 2013. Ele realizou inúmeras pesquisas, inclusive uma varredura em infravermelho do espaço, descobriu vários planetas e aglomerados estelares, e em sua atual missão Neowise tem observado asteroides, principalmente aqueles mais próximos da Terra. No final de dezembro a agência espacial anunciou a descoberta do cometa C/2016 U1 Neowise, detectado pelo telescópio em outubro, e que seria visível do hemisfério norte da Terra na primeira semana de 2017. Esse cometa estava no rumo sul, e em 14 de janeiro iria atingir o periélio, ponto de máxima aproximação com o Sol, em um ponto mais próximo do que Mercúrio, retornando a seguir para as profundezas do Sistema Solar em uma órbita com duração de milhares de anos. E claro, sem oferecer qualquer perigo contra a Terra

ASTEROIDE PASSARÁ EM 25 DE FEVEREIRO, SEM OFERECER QUALQUER PERiGO

crédito: NASA
O telescópio espacial Wise, à caça de asteroides nas proximidades da Terra
O telescópio espacial Wise, à caça de asteroides nas proximidades da Terra

A única verdade na mentira propagada pelos mistificadores é que o 2016 WF9 realmente existe. Foi descoberto pela Neowise em 27 de novembro de 2016. Ele tem uma extensão de 0,5 a 1 quilômetro e é escuro, percorrendo uma trajetória que o leva próximo à órbita de Júpiter, no ponto mais afastado. Seu periélio se dá em um ponto situado mais perto do Sol que a órbita da Terra, e os astrônomos ainda precisam determinar se é mesmo um asteroide ou um cometa extinto. Sua órbita indica que pode ter sido um cometa, ou ser originário do principal Cinturão de Asteroides, e não há qualquer indicação de que o 2016 WF9 esteja liberando gás ou poeira como um cometa, demonstrando que a linha entre um e outro tipo de corpo celeste é tênue. O objeto irá passar a cerca de 51 milhões de km da Terra em 25 de fevereiro, evidentemente sem oferecer qualquer perigo. Eis então os fatos, o instrumento e a instituição que descobriu o 2016 WF9. De onde é o Dr. Zacharovich? Quais instrumentos utilizou para obter os dados que o levaram a fazer suas alegações? Como milhões de astrônomos amadores ao redor do mundo ainda não encontraram o imaginário Nibiru? Como sempre, então, uma simples conferência por outras fontes revela a verdade, convenientemente acobertada pelos mistificadores e sensacionalistas.

Visite o site do telescópio espacial infravermelho Wise

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