ENTREVISTA

?Vi um UFO cilíndrico enorme e prateado?

Por Marco Antonio Petit | Edição 120 | Março de 2006

Combativa e atuante no árido plenário do Congresso Nacional, a juíza aposentada e deputada federal Denise Frossard (PPS) não se cansa de defender três causas: a reforma do Poder Judiciário, o combate à violência no Rio de Janeiro e a maior participação da mulher na política do país. Aos 55 anos, ela transita muito bem em um cenário ainda predominantemente masculino. Mineira de Carangola e carioca por adoção e afeição desde os 20 anos, a então juíza tornou-se famosa em todo o Brasil, e também no exterior, em maio de 1993, quando conseguiu colocar na cadeia 14 chefões do crime organizado do Brasil e patronos do jogo do bicho. Entre eles, estava o falecido bicheiro Castor de Andrade. Em maio do ano seguinte, Denise soube que havia escapado da morte por puro acaso, quando o ex-policial militar carioca Jadir Simeone Duarte revelou que receberia R$ 1 milhão para matá-la, por encomenda de Rogério Andrade, sobrinho de Castor.

Inquieta com as brechas no Código Penal Brasileiro, Denise percebeu que seu caminho natural seria o Congresso Nacional. Parte de sua decisão derivou do fato de que ela só conseguiu enquadrar os líderes do crime organizado em um vago artigo do referido código, de número 288, cuja curta penalidade permitiu que todos os acusados voltassem para suas respectivas casas, ou bancas, visto que na época nem sequer existia a Lei do Crime Organizado. Já no Congresso Nacional, a então deputada pôde colaborar de maneira mais efetiva na elaboração de leis específicas e menos frustrantes. Nada mais apropriado para quem considera que “a impunidade é a mãe do crime”.

Deve haver a liberação de documentos militares sobre UFOs, mas com cautela e muita responsabilidade, para se evitar o pânico

Denise Frossard candidatou-se ao Senado Federal em 1998, mas não conseguiu se eleger, mesmo tendo recebido 655 mil votos. Seu primeiro mandato veio em 2002, para a Câmara Federal, sendo a deputada mais votada no Estado do Rio de Janeiro e a mulher mais votada do Brasil, com exatos 385.111 votos. De fala firme e boa argumentação, a “devoradora de livros”, como se autodefine, também já passou por uma experiência ufológica. Ela admite publicamente a experiência, sem receios nem desconversa, como fez à revista Gol, da respectiva companhia aérea, na edição de novembro de 2005. “Era um cilindro que ficou parado bem à minha frente, muito próximo, imenso e iluminado”, disse.

Em entrevista concedida ao co-editor de UFO Marco Antonio Petit, em visita recente a Conservatória (RJ), vizinha da famosa Serra da Beleza, a virtual candidata pepepista ao Governo do Rio de Janeiro, em outubro deste ano, relatou sua experiência, falou o que pensa sobre vida inteligente em outros planetas, defendeu o turismo ufológico na região e condenou o acobertamento de informações sobre discos voadores no país, mantido até hoje por nossas Forças Armadas. Cautelosa, no entanto, Denise admitiu temer a possibilidade de pânico advindo das revelações ufológicas que os documentos em poder dos militares podem conter. “Temos que agir com responsabilidade neste caso”. Confira a entrevista a seguir.

Como foi o início na vida pública e o que faz a senhora ter toda esta vontade, esta força para lutar por um mundo melhor? Na verdade, entrei na vida pública através da magistratura, como juíza, no início dos anos 80. Foi a partir de uma vocação que eu tinha e ainda tenho para essa área. Assim, atuei por quase 15 anos como magistrada, quando então vi que não é o juiz que faz justiça e sim o legislador, já que essa justiça depende mesmo é da boa qualidade das leis e do seu bom cumprimento. O juiz é um cumpridor das leis, não quem as faz. Entretanto, as leis brasileiras são muito abertas, o que leva a muitas interpretações diferentes e até a situações conflitantes quanto ao seu entendimento. Em certo ponto de minha carreira, percebi que nossas leis eram mal feitas, e daí decidi ingressar no Legislativo Federal.

crédito: roberto silveira
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Com a mesma determinação com que defende causas humanitárias no Congresso Nacional, a deputada Denise Frossard não desconversa e admite: “Tive um avistamento ufológico, sim”

A senhora acredita que sua atuação como deputada federal é mais produtiva do que como juíza? Bem, não é fácil você aprovar projetos na Câmara Federal, mas eu aprendi também que a contribuição de um parlamentar deve ser deixada nos escaninhos, pois a sociedade vai evoluindo e se modificando, e um dia aquele projetinho que você deixou, aquela bombinha, acaba chegando ao mundo das leis para produzir resultados. E acaba sendo sua contribuição para a melhoria da sociedade e do país. Veja o exemplo da campanha pelas eleições diretas para presidente no país, nos anos 80, a chamada Diretas Já! Foi um jovem deputado federal, o Dante de Oliveira, em plena época da Ditadura, em pleno regime de exceção, quem a lançou. Oliveira, então deputado pelo Mato Grosso, tinha apresentado no Congresso Nacional uma emenda que instituía as eleições diretas, mas todo mundo ria dele e não levava a emenda a sério. Até que um dia a pressão popular a favor da democracia no país foi de tal ordem que alguém perguntou: “Ei, não existe uma emenda constitucional que determinava as eleições diretas?” E existia – a dele! Então, foi com esta mesma ânsia de contribuir para a melhoria do Brasil que decidi entrar na vida pública, nas mais diversas vertentes. No Judiciário, no Legislativo e espero que, amanhã, no Executivo.

Como foi aquele dia em que a então juíza Denise Frossard deu a famosa sentença, colocando atrás das grades os representantes e líderes do crime organizado no Estado do Rio de Janeiro? Foi o dia que antecedeu sua experiência ufológica, não é? Dei a sentença no dia 21 de maio de 1993. Depois dela, decidi não ir para minha casa e sim para a de um grande amigo. Eu vinha vivendo uma batida violenta, um ritmo violentíssimo de trabalho. Estava muito cansada e este amigo convidou-me para ir ao seu apartamento, no bairro do Leblon, o mesmo em que eu residia. Lá estava também um casal de amigos de infância, jornalistas. Jantamos e conversamos bastante, mas eu não conseguia dormir. Eu ainda estava muito tensa, insone e fomos todos então para a varanda, de onde se podia ver a praia. Ficamos conversando lá até quando o dia começava a clarear. Ainda não havia Sol, mas sim uma claridade.

E o que aconteceu? De repente, quando eu olhei para frente, vi bastante próximo de onde estávamos um objeto cilíndrico e prateado, com uma luz intensa e forte. Eu não tinha noção do tamanho daquilo, pois o objeto ora se aproximava, ora se afastava. Ele fazia movimento erráticos [Neste momento da entrevista, a juíza demonstra com as mãos os movimentos realizados pelo UFO] e se deslocava rapidamente para frente, para trás, para os lados, e em seguida ficava parado. Eu achei que estava tendo uma visão, pois estava cansada e tinha passado o dia todo naquela função. Aí perguntei para os meus amigos: “Vocês estão vendo o que eu estou vendo?” Graças a Deus eles disseram que sim e ficamos todos perplexos olhando o objeto, que ainda ficou visível por cerca de uma hora, sumindo em seguida.

Como foi que o cilindro desapareceu? Eu não vi ele partindo em uma direção específica. Ele simplesmente desapareceu em pleno ar...

A senhora sentiu alguma emoção ou algum tipo de receio durante o avistamento? No início eu não senti receio algum pela presença daquele objeto. Na verdade, estava temerosa de falar sobre ele com meus amigos, que ainda não o tinham visto. Eu continuava com a impressão de que estava vendo coisas. Mas depois, quando todos confirmaram estarem vendo a mesma coisa, fiquei tranqüila. Um dava força para o outro. Com o passar do tempo, no entanto, cheguei a me perguntar: “Será que estão aqui para me pegar?” Mesmo assim, não senti receio de ser agredida, seja lá o que fosse aquilo.

Independentemente de sua experiência ufológica, como a senhora vê a questão da vida inteligente além do planeta Terra? É quase um “achismo”, mas tenho a percepção de que não estamos sozinhos no universo. Não sei que tipo de vida existe em outros planetas. Sabemos hoje que em alguns deles, no Sistema Solar, há vestígios de água. Isso pode até levar alguém a supor que há uma semelhança com a vida na Terra. Alguma forma de vida existe lá fora, mas se é semelhante à nossa, isso eu não sei.

Como a senhora vê a política de sigilo com que nossas Forças Armadas tratam do Fenômeno UFO, mantendo seus documentos a respeito confidenciais e longe dos olhos do público? Confesso a você que ainda não tive acesso a tais documentos. Mesmo assim, tenho alguma cautela quanto ao seu conteúdo, em relação a um eventual pânico que sua revelação poderia causar. Eu acho que muitos arquivos podem vir a público, sim, mas com responsabilidade. Eu não estou dizendo que tenhamos que esconder informações ainda por mais tempo, mas há documentos que devem ser mantidos classificados [Termo que no jargão militar significa restritos ou confidenciais], pois podem causar pânico. Eu não sei que tipo de documentos existem nos quartéis de nossas Forças Armadas. Pelo que soube, eles não gerariam pânico e trazem apenas informações acerca do que já sabemos. Ademais, alguns de nós já viveram experiências ufológicas. Mas a possibilidade de existirem arquivos que podem provocar pânico é real. Parodiando o poeta, eu diria que há mais coisas entre o céu e a Terra do que nossa vã filosofia imagina.

A minha preocupação com esse assunto vai além do normal, pois o considero coisa séria. E vejo que a Ufologia pode ajudar o turismo na região da Serra da Beleza

Então, a senhora crê na possibilidade do pânico? Sim, pois não sabemos até que ponto as pessoas podem assimilar as eventuais revelações que tais documentos podem conter. Vamos exercitar nossa imaginação. Suponha que eu diga, amanhã, que existe um vírus perigoso infestando o Estado do Rio de Janeiro. Isso causaria grande temor. Daí eu contato todos os técnicos no assunto e ficamos sabendo que podemos controlar a situação fazendo um cinturão sanitário, o que diminui consideravelmente o risco da população entrar em pânico. Ou seja, dependendo da forma como eu agir quanto à situação, posso levar informação sobre o fato à sociedade sem que ela se sinta ameaçada. Enfim, a revelação de fatos ufológicos é uma circunstância que devemos analisar. Em princípio sim, os documentos de nossas Forças Armadas devem ser abertos – a não ser aqueles que possam levar à uma situação como a descrita, pois aí teríamos o caos.

Eu gostaria que a senhora deixasse uma mensagem para os leitores da Revista UFO e para a população do Rio de Janeiro, que, espero, possa ter o privilégio de tê-la como governadora nas próximas eleições. Em primeiro lugar, quero que saibam que minha preocupação com este assunto vai um pouco além do normal, pois o considero coisa séria. Em segundo lugar, vejo que a Ufologia pode ajudar de maneira legítima o turismo aqui da região de Conservatória e Santa Isabel do Rio Preto [Ambos distritos do município de Valença], na qual está a famosa Serra da Beleza, que, pelo que sei, é um pólo de atividades ufológicas. Tanto é assim que numa emenda que fiz ao orçamento federal – e o deputado André Corrêa o fez no nível estadual –, recomendei a liberação de uma verba exatamente aqui para esta localidade. Considero necessário aumentarmos o turismo na região, que hoje tem na seresta [Conservatória é considerada a capital brasileira deste tipo de música] e na Ufologia seus pontos-altos. É preciso desenvolver mais atividades envolvendo a Ufologia aqui, onde será construído o primeiro observatório de pesquisas do tema no Brasil, tendo você à frente do projeto, incansável desbravador da Ufologia no país. A atração de turistas para cá gera uma fonte de renda importante e limpíssima, porque não há nada mais limpo que o turismo, que não provoca desgaste para o meio ambiente. Precisamos manter a região preservada, já que somos guardiões deste tesouro para os que virão depois de nós.

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