ENTREVISTA

Ufologia: Uma ciência em construção ou apenas uma pseudociência?

Por Lalla Barreto | Edição 259 | Julho de 2018

A Ufologia Brasileira nasceu brilhantemente buscando a ciência. Desde os nossos ufólogos pioneiros, os pesquisadores vêm elaborando protocolos de investigação que são a aplicação da razão a uma classe de manifestações desconhecidas. E hoje não é demais afirmar que o Fenômeno UFO foi um tema de investigação do que era não identificado. Porque, graças ao acúmulo de saber conseguido em décadas de trabalho, reunimos hoje certo número de características que já identificam o objeto de nossas atenções.

A primeira destas identificações é a de ser algo que se manifesta de maneira inteligente e multifacetada, que o investigador não tem a prerrogativa nem de provocar, nem de repetir em laboratório de maneira controlada. Aí começam os problemas da Ufologia com as ciências exatas, que, surpreendentemente, não aceitam as características fundamentais do objeto a conhecer — como se os métodos de qualquer ciência não fossem forjados a partir das características daquilo que se investiga. As ciências humanas também têm conflitos com as características fundamentais da Ufologia, pois os fenômenos que ela estuda igualmente não podem ser provocados ou repetidos em laboratório.

Seria a Ufologia uma “ciência em construção”, que precisaria convocar, como fazem as demais, outras áreas do conhecimento para a compreensão da manifestação da presença alienígena na Terra, esta que, por sua vez, se apresenta de múltiplas maneiras e em várias dimensões do entendimento humano? E seria uma “ciência em construção” porque exigiria, ainda, a aplicação de inúmeros métodos de abordagem das diferentes facetas e dimensões do seu objeto de estudos?

Ciência e espiritualidade

Existe um aspecto do Fenômeno UFO complicador e que invalidaria toda a dita Ufologia Científica, e ele é a chamada Ufologia Espiritualista ou Mística, como antes era designada. Isso porque aí o fenômeno é apreendido por meio de experiências pessoais, nas quais o sujeito é obrigado a elaborar um sistema de compreensão que só pode ser compartilhado com outras pessoas se essas acreditarem na informação formulada. Trata-se, então, de um conhecimento subjetivo, que não vale para aqueles que nele não creem.

Convocar a crença leva, evidentemente, a uma série de derivações inaceitáveis, como a emergência de contatados que exploram de diversas maneiras a boa-fé das pessoas, causando, talvez, o maior desserviço ao progresso do conhecimento ufológico — cujo objetivo é desvendar uma realidade que diz respeito a toda a humanidade. Assim, nada é mais salutar para o avanço da “ciência ufológica em construção” do que o alentado debate aberto recentemente pelo editor da Revista UFO A. J. Gevaerd sobre dois grandes problemas de sua fase contemporânea: sua indefinição científica e o lugar do entendimento do lado espiritual do Fenômeno UFO.

Esse debate inspirou a entrevista que se segue, com o professor e pesquisador Fernando M. Araújo-Moreira, para acrescentar e balizar a reflexão sobre a “ciência ufológica em construção”. A ideia é ainda mais robusta e consiste em veicular, em uma próxima edição da UFO, uma entrevista com um respeitável ufólogo espiritualista, ainda a ser definido, com o objetivo de confrontar ideias e avançar no debate.

Ciência e tecnologia

O entrevistado desta edição é um ardoroso defensor desses preceitos e acredita que, por ser ainda nova, a Ufologia tem muito chão pela frente até se tornar uma ciência. Com graduação em engenharia de materiais e doutorado e pós-doutorado em física, realizado entre 1995 e 1998 na Universidade de Maryland, no Estados Unidos, o doutor Araújo-Moreira é, entre suas outras atividades, professor titular do Departamento de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Nascido no Uruguai, abraçou o Brasil como sua pátria há décadas.

Homem da ciência e criador do curso de Engenharia Física, que hoje prospera em inúmeras universidades brasileiras, nosso entrevistado é também mestre reiki, mestre maçom e mestre templário, portanto, também um profundo espiritualista. Seus conhecimentos e estudos abrangem uma vasta gama de assuntos e interesses, entre os quais se encontra a Ufologia — assunto que, segundo ele próprio, “lhe faz brilhar os olhos”. Seu currículo invejável e suas experiências de vida o gabaritam para falar com propriedade sobre o tema e seus rumos atuais, coisa que faz com entusiasmo.

Ponderado e com os pés bem plantados no chão, o professor Araújo-Moreira vê esses 70 anos de estudos do Fenômeno UFO de modo muito prático e objetivo, e não tem qualquer dúvida ao afirmar que, para começar a trilhar seu caminho rumo à elevação à categoria de ciência, a Ufologia precisa “ser absolutamente objetiva, isso é, sem nenhuma subjetividade, e rejeitar veementemente a influência de qualquer tipo de crença”. E que, da forma como o mundo está hoje, “o que não for cientificamente comprovado, a princípio não possui crédito e não é confiável”.

Searas ainda desconhecidas

A visão de nosso entrevistado é extremamente rica e detalhada sobre quais são os rumos e os caminhos que a Ufologia precisa seguir para conseguir se firmar em bases concretas como estudo legítimo, fazendo com que sua imensa importância seja reconhecida e suas pesquisas possam florescer. Ela é, e sempre será, um ramo multifacetado do conhecimento, abrangendo searas ainda desconhecidas e, muitas vezes, beirando o chamado “conhecimento limite”.

O que veremos a seguir é mais do que uma entrevista, é uma aula sobre o desenvolvimento da ciência e a forma como todos podemos contribuir para uma pesquisa ufológica séria e bem-feita, tabulando dados e deixando que outros participem e testem aquilo que concluirmos em nossos estudos. Quem pesquisa Ufologia lida com o imponderado e com o mistério, e a única forma de esclarecê-lo é com método científico e muita seriedade.

Observação do editor: Por seu valioso conteúdo, esta entrevista será excepcionalmente mais longa do que o normal.

Qual é a sua visão da ciência?
Antes de tudo, é necessário esclarecer que as ciências que neste momento vou discutir são as exatas, e não outras, como as sociais, políticas, ocultas etc. Concordo que a Ufologia Brasileira se encontra hoje em uma encruzilhada, mas não necessariamente associada apenas à própria complexidade do Fenômeno UFO. Acredito que essa situação se deva mais ao fato de que nas últimas décadas o mundo mudou muito, principalmente em relação aos novos recursos que a ciência e a tecnologia colocam hoje à nossa disposição, e que não são utilizados em toda a sua extensão, nem com todo o seu potencial, por aqueles que trabalham com Ufologia. Nesse contexto, para mim é muito clara a necessidade de separar a Ufologia Científica — baseada exclusivamente no método científico — de outras, principalmente daquelas relacionadas a conceitos religiosos, devendo ser absolutamente objetiva, isto é, sem nenhuma subjetividade, e rejeitando veementemente a influência nela de qualquer tipo de crença.

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